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Conflito no Oriente Médio

Petróleo supera US$ 100 pela 1ª vez desde maio com intensificação da guerra no Irã

Mercado elevou as previsões para o preço do petróleo bruto; negociações por acordo de paz está estagnado há três semanas

Publicado em 09 de Setembro de 2026 às 21:32

Agência FolhaPress

Publicado em 

09 set 2026 às 21:32
SÃO PAULO, SP - O preço do petróleo ultrapassou US$ 100 pela primeira vez desde 25 de maio com a intensificação da guerra no Irã devido aos ataques entre norte-americanos e iranianos, que também se estenderam a aliados dos EUA na região como a Arábia Saudita e a Jordânia.
O barril Brent, referência mundial, alcançou os três digítos por volta das 4h15 (horário de Brasília), quando atingiu US$ 100,15 pela primeira vez desde 25 de maio. Durante a sessão, o barril subiu mais e encerrou o dia cotado a US$ 101,75, com alta de 3,91%. Esse é o fechamento mais alto desde 19 de maio. O petróleo WTI (West Texas Intermediate), usado nos EUA, também marcava o valor mais alto desde o dia 20 de maio ao fechamento, subindo 4,31% a US$ 97,04.
Petróleo
Barril de petróleo: preços em disparada Shutterstock

O patamar de US$ 100 é um nível psicológico que tem peso nos mercados. Uma vez superado, muitos bancos centrais não terão outra opção exceto elevar as taxas de juros para controlar a inflação

Kathleen Brooks, analista da XTB

A disparada no petróleo é resultado da elevação da tensão no Oriente Médio. Nesta quarta-feira, a Guarda Revolucionária do Irã afirmou ter atacado dez navios e disparado mísseis balísticos contra uma base na Jordânia utilizada pelas Forças Armadas dos EUA. A ofensiva foi uma resposta aos ataques dos EUA a cinco petroleiros iranianos na terça-feira (8).
O Centcom (Comando Central das Forças Armadas dos EUA) divulgou um vídeo dos ataques, que classificou como uma resposta aos bombardeios do Irã na terça, que havia atacado duas vezes um navio de guerra da Marinha dos EUA com mísseis balísticos nos dois dias anteriores. Nenhum norte-americano ficou ferido, informaram as autoridades americanas.
"O Irã continua tentando atacar navios da Marinha dos EUA e, cada vez que fizerem isso ou tentarem fazer isso, perderão petroleiros", prometeu o secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio, durante uma visita à Colômbia.
Apesar da ameaça, os iranianos não se intimidaram e responderam com os ataques a dez navios nesta quarta, sendo dois norte-americanos. De acordo com o braço militar do regime local, as embarcações "tentavam atravessar uma área proibida e insegura" do estreito de Hormuz, por onde passava 20% da produção mundial de petróleo e gás antes da guerra.
O Irã tem atacado alvos dos EUA e de seus aliados na região ao longo da guerra e ameaçou bombardear petroleiros nos portos do Kuwait e do Bahrein, segundo comunicado divulgado pela mídia estatal.
Os iranianos ainda contam com o apoio dos houthis, que atacaram cidades da Arábia Saudita nessa terça-feira e ameaçaram embarcações que tentam trafegar pelo Mar Vermelho, que tem sido uma alternativa ao estreito de Hormuz.
Mercado atento
Um número crescente de bancos, incluindo o Goldman Sachs, o Bank of America e o HSBC, elevou suas previsões para o preço do petróleo bruto nos últimos dias, já que as negociações por um acordo de paz está praticamente estagnado há três semanas.
Além disso, os volumes de transporte marítimo pelo estreito de Hormuz permanecem bem abaixo de seu pico pré-guerra, e os estoques estão bem menores após seis meses de conflito no Oriente Médio.
"Os fundamentos de curto prazo mudaram repentinamente para uma oferta muito mais restrita, e os ataques recíprocos entre os EUA e o Irã parecem agora ser uma constante, com qualquer chance de um acordo de paz ficando cada vez mais distante", avaliou Dennis Kissler, vice-presidente sênior de operações da BOK Financial.
"O principal risco é se os recentes ataques a petroleiros levarão a uma redução nas transferências de navio para navio no golfo de Omã, que até agora têm desempenhado um papel fundamental no abastecimento de petróleo aos mercados globais e na contenção dos preços", comentou Hamad Hussain, economista sênior especializado em clima e commodities da Capital Economics.

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