Um dia após demonstrar insatisfação com a condução para a escolha da candidatura a vice na chapa de Lorenzo Pazolini (Republicanos) ao governo do Espírito Santo, com ameaça de deixar o grupo, o Democrata foi registrado oficialmente na coligação do ex-prefeito de Vitória. O registro, feito depois de o partido divulgar uma nota em que trata do restabelecimento da parceria, pode ser conferido na página do candidato, no site do Tribunal Superior Eleitoral (TSE).
O Democrata havia indicado nomes para a composição da chapa majoritária, mas a vaga acabou ficando com Eliane Leal, do PL, em mais uma vitória de Magno Malta. Presidente do partido que também está na coligação de Pazolini, ele já havia emplacado o nome da própria filha, Maguinha Malta, na disputa para o Senado Federal.
Antes da definição da vice no final da tarde de sexta-feira (14), o presidente estadual do Democrata, Tenório Merlo, falou com a reportagem de A Gazeta sobre a insatisfação do partido. Neste sábado (15), porém, divulgou uma nota conciliadora após reunião com o Republicanos.
"Compreendendo a grandeza do momento político e os desafios econômicos e sociais que cercam o nosso Estado, ambas as agremiações decidiram superar as divergências programáticas e os episódios de tensionamento do passado recente. O diálogo maduro demonstrou que aquilo que nos une — a defesa da democracia, a busca por justiça social e o desenvolvimento sustentável — é infinitamente maior do que qualquer distanciamento pontual", diz um trecho da nota.
Ainda no texto, o Democrata afirma que, a partir desta data, os partidos reestabelecem canais formais de interlocução e cooperação técnica.
"Essa reconciliação não anula a identidade de cada legenda, mas soma forças para a construção de uma convergência sólida, capaz de oferecer soluções reais para a população do nosso Estado. Reiteramos nosso respeito aos filiados e militantes de ambas as siglas, convocando todos a olhar para a frente, priorizando o bem comum e a estabilidade das nossas instituições", conclui.
A um dia do fim do prazo para o registro de candidaturas na Justiça Eleitoral, o grupo político que apoia a candidatura de Pazolini enfrentava divergências.
Segundo Tenório Merlo, o Democrata havia indicado três nomes para a vice, mas não tinha recebido retorno dos demais partidos. O dirigente disse ter sido informado de que a vaga seria destinada ao PL, partido já com nomes para o Senado (Maguinha e os suplentes). Para ele, a decisão representava um desprestígio ao Democrata e que o partido não poderia aceitar essa configuração de candidaturas.
O presidente do Democrata também reclamou da influência do PL nas decisões do grupo. Tenório lembrou que o partido manifestou apoio a Pazolini desde o início, mas não estaria tendo participação proporcional nas principais discussões. Na convenção do partido em julho, o ex-prefeito esteve presente, indicando a parceria.
“Chegamos logo no início do projeto, mas temos percebido que as principais decisões têm sido tomadas baseadas nas vontades do PL, via Magno”, afirmou, ainda na sexta.
Ele também disse que o Democrata havia sido sondado por outros candidatos ao governo e que não haveria problema em conversar com nenhum deles. "O Democrata tem, sim, relevância no debate político estadual", ressaltou.
Mas, por fim, prevaleceu o acordo de que estaria na campanha de Pazolini, o que se confirmou com o registro da candidatura do ex-prefeito neste sábado, no limite do prazo legal, com três partidos coligados: Republicanos, PL e Democrata.
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