Sair
Assine
Entrar

Thiago Peçanha

Prefeito de Itapemirim cassado: entenda o que acontece até a decisão final

Apesar da decisão em segunda instância para a cassação da chapa que elegeu Thiago Peçanha, na prática, prefeito pode continuar no cargo até julgamento de recurso no TSE, caso a Justiça Eleitoral permita

Publicado em 19 de Agosto de 2021 às 17:12

Rafael Silva

Publicado em 

19 ago 2021 às 17:12
Thiago Peçanha, prefeito de Itapemirim
Thiago Peçanha, prefeito de Itapemirim Crédito: Reprodução/Facebook
Com a cassação da chapa que elegeu em 2020 o atual prefeito de Itapemirim, Thiago Peçanha (Republicanos), em primeira e segunda instância, o Tribunal Regional Eleitoral do Espírito Santo (TRE-ES) aguarda a publicação do acórdão com o resultado do julgamento para analisar se haverá a realização de novas eleições no município.
Em tese, como a decisão já foi proferida em segunda instância, há a possibilidade do prefeito deixar o cargo, ainda que apresente recurso no Tribunal Superior Eleitoral (TSE). No entanto, o caminho mais provável, apontado por advogados ouvidos pela reportagem, é que a defesa entre com um pedido de liminar para que Peçanha permaneça no cargo até o fim do julgamento do mérito no TSE.
Com a rejeição dos embargos de declaração pelo TRE na sessão desta quarta-feira (18), o processo volta para o relator, o juiz eleitoral Renan Sales, que fará o voto final. A previsão é que o acórdão já com o voto final seja publicado no Diário Oficial da Justiça Eleitoral nas próximas semanas.
Após a publicação, a defesa de Thiago Peçanha tem ainda um novo prazo para entrar com um recurso especial ao TSE, para que ele permaneça no cargo até o final do julgamento na instância superior. A defesa do prefeito conta com os advogados Altamiro Thadeu Sobreiro e o ex-ministro da Justiça José Eduardo Cardozo. Eles foram procurados pela reportagem para saber se vão recorrer da decisão, mas não deram retorno até a publicação da matéria.
Quanto a um afastamento, cabe ao TRE ou mesmo ao próprio TSE determinar que o prefeito deixe o cargo. Caso isso aconteça, quem assumiria a prefeitura até a convocação de uma eleição suplementar seria o presidente da Câmara, José de Oliveira Lima, o Zé Lima (PDT). Esse procedimento, contudo, só é feito após a publicação do acórdão e finalizado o prazo para recursos.
Há ainda a possibilidade de que Zé Lima assuma o mandato e a Justiça, posteriormente, entenda que Peçanha retorne ao cargo, em decisão liminar. Foi o que aconteceu em 2020, em Conceição da Barra, quando o então prefeito afastado Francisco Vervloet, o Chicão (PSB), foi reconduzido após a prefeitura ficar sob a administração do então presidente da Câmara do município, Mateusinho (PTB) por seis meses. Dois meses depois do retorno, Chicão preferiu renunciar.

OUTRO LADO

A reportagem entrou em contato com a assessoria de imprensa da Prefeitura de Itapemirim e com os advogados do prefeito Thiago Peçanha, mas eles optaram por não se manifestar.

ENTENDA O CASO

Em fevereiro deste ano, a Justiça Eleitoral determinou a cassação da chapa de Peçanha e Santos. A ação foi proposta por Rodrigo de Almeira Bolelli, presidente da coligação que uniu PSB, DEM, PSD, Podemos, Avante e PP em 2020.
O juiz eleitoral considerou abuso de poder político as nomeações de estagiários e comissionados feitas por Thiago Peçanha durante o ano eleitoral. O magistrado ressaltou, na decisão, que durante 2020 o número de servidores comissionados cresceu 60%, passando de 401 em 2019 para 610 em 2020. No quadro de estagiários, o aumento foi ainda mais expressivo: 510%, passando de 171 estagiários em 2019 para 946.
Ao todo, a prefeitura conta com 1.665 servidores comissionados nomeados por Peçanha. "É inadmissível e gera desequilíbrio eleitoral, até porque a diferença de votos foi de 1.541 , quando os requeridos (prefeito e vice) tiveram 13.934 votos (51,74%) e o segundo colocado 12.393 votos (46,02%)", apontou o magistrado na ocasião.
A conduta, concluiu Vieira Junior, caracterizou abuso de poder político. "Ora candidato, utilizou-se da estrutura da administração pública das mais variadas formas para obter vantagem na campanha eleitoral do ano de 2020, o que se mostrou bastante eficaz, inclusive com a sua reeleição para o cargo. Assim, o abuso de poder político ficou configurado através do uso da máquina administrativa em prol do atual prefeito, que obteve a reeleição na eleição majoritária de 2020", assinalou o juiz.
Já no primeiro recurso julgado pelo TRE, em junho, o colegiado também decidiu manter a cassação por unanimidade. No voto do relator, o juiz Rodrigo Júdice, foi  considerado abuso de poder político as excessivas nomeações de estagiários e comissionados feitas durante o ano eleitoral. Sobre a questão, o magistrado entendeu que as contratações foram feitas sem qualquer estudo de impacto financeiro.

NOMEAÇÃO DE FAMILIARES

Levantamento feito por A Gazeta apontou que pelo menos 17 das nomeações para cargos comissionados feitas após a reeleição de Peçanha foram de familiares do prefeito. Entre primos, irmãos e esposas de familiares, a família Peçanha ocupava cinco secretarias, subsecretarias e outros cargos na estrutura da administração municipal.
A prefeitura só reconheceu o parentesco entre o prefeito e dois servidores nomeados, a secretária de Assistência Social e Cidadania, Adriana Peçanha Lopes Barbosa (irmã do prefeito), e do assessor de gabinete Edvaldo de Andrade Peçanha (primo do prefeito). A prefeitura defendeu a qualificação técnica de ambos e rechaçou qualquer eventual alegação de prática de nepotismo. 

Correção

20/08/2021 - 4:04
O texto trazia a informação de que o processo, após decisão proferida em segunda instância no TRE, tinha transitado em julgado, o que só acontece quando se esgotam as possibilidades de recursos na esfera judicial. No entanto, como explica a reportagem, o prefeito ainda pode recorrer ao TSE. A informação foi corrigida. 

Este vídeo pode te interessar

Viu algum erro?
Fale com a redação
Informar erro!

Notou alguma informação incorreta no conteúdo de A Gazeta? Nos ajude a corrigir o mais rapido possível! Clique no botão ao lado e envie sua mensagem

Fale com a gente

Envie sua sugestão, comentário ou crítica diretamente aos editores de A Gazeta

A Gazeta integra o

Saiba mais

Recomendado para você

Maycon Milagre da Cruz, de 35 anos, o menino Jorge Teixeira da Silva, de 2 anos, e Jeorgia Karolina Teixeira da Silva, de 31 anos
Pais suspeitos de tortura, estupro e morte do filho de 2 anos vão a júri no ES
Lançamentos de junho
25 lançamentos de beleza de junho de 2026 que você precisa ver
Atividades capacitadoras mostram os bastidores de exposições
Museu Vale abre inscrições para curso gratuito sobre montagem de exposições em Vitória

© 1996 - 2024 A Gazeta. Todos os direitos reservados