Vitória faz 475 anos nesta terça-feira, dia 8 de setembro. E quem vive há algumas décadas na Capital sabe que muita coisa mudou por aqui. Algumas desapareceram completamente da paisagem, outras continuam no mesmo endereço, embora hoje sejam vistas com olhos bem diferentes daqueles de quem as conheceu na infância.
Houve um tempo em que as pessoas saíam de casa só para andar na escada rolante do Shopping Sete. Em que um chafariz no meio do shopping era ponto de encontro e atração para as crianças. Em que uma tarde podia começar com pastel e caldo de cana no Centro e terminar diante de uma tela de cinema de rua.
Para comemorar o aniversário de Vitória, HZ resolveu abrir o álbum de memórias da cidade e voltar a dez lugares que marcaram a infância e a adolescência de gerações de capixabas.
Confira:
Pode parecer estranho para quem nasceu cercado por grandes shoppings, mas houve um tempo em que uma escada rolante era capaz de virar acontecimento em Vitória.
A Galeria Shopping 7, conhecida como Shopping Sete, foi inaugurada em 1975 no Edifício Antares, na Rua Sete de Setembro, no Centro. O endereço ficou marcado também pela instalação da primeira escada rolante da Capital.
Para as crianças, devia parecer quase um brinquedo. Para os adultos, um símbolo de que a cidade estava entrando definitivamente em novos tempos.
Quem foi criança na década e 80 e 90 provavelmente acompanhou os pais fazendo compras na Mesbla.
A tradicional loja ficava na Avenida Princesa Isabel e marcou uma época em que grandes lojas de departamentos eram verdadeiros programas de passeio e compras. A construção da unidade começou em 1977, junto ao Edifício Jusmar.
A loja reunia produtos, novidades e aquela sensação de modernidade que fazia parte da experiência de visitar grandes magazines. Até as escadas rolantes ajudavam a compor o fascínio do lugar.
A Mesbla não existe mais, mas basta citar o nome para muita gente imediatamente voltar algumas décadas no tempo.
Se a infância tinha parque e chafariz, a adolescência dos anos 1990 tinha matinê. E a da boate Zoom marcou uma geração na Grande Vitória.
O lugar se tornou um dos principais pontos de encontro de jovens e adolescentes naquele período. Entre música, paquera, amigos e pista de dança, havia uma atração especialmente aguardada: o famoso banho de espuma.
A espuma era lançada no meio da pista e transformava a matinê em uma experiência que dificilmente seria esquecida.
Para algumas gerações, passear pelo Centro de Vitória tinha parada quase obrigatória: pastel acompanhado de um copo de caldo de cana. Inaugurada na década de 1950, a tradicional pastelaria permanece em funcionamento e é um daqueles lugares capazes de despertar lembranças pelo paladar.
O Centro mudou, Vitória cresceu, gerações passaram por seus balcões. Mas a combinação que ajudou a torná-la conhecida continua difícil de superar: pastel quentinho e garapa gelada.
Antes das salas multiplex dos shoppings, assistir a um filme também significava ir ao Centro de Vitória.
Um dos grandes símbolos dessa época foi o Cine São Luiz. Inaugurado em 1951, tinha capacidade para 586 espectadores e se tornou um dos cinemas mais conhecidos do Estado
Durante décadas, ir ao cinema era uma experiência que começava antes mesmo de as luzes se apagarem. Havia o passeio pelo Centro, o movimento nas ruas, a chegada ao prédio e a expectativa de encontrar um lugar diante da grande tela.
O Cine São Luiz não existe mais, mas permanece na memória de uma Vitória em que o Centro também era endereço certo para entretenimento.
Hoje Vitória tem diferentes centros de compras, mas houve um tempo em que a própria ideia de “ir ao shopping” era uma novidade.
Inaugurado em 1979, o Shopping Boulevard da Praia foi o primeiro centro de compras da Capital. Localizado na Avenida Nossa Senhora da Penha, a Reta da Penha, ele fez parte da transformação dos hábitos de consumo e lazer dos moradores da cidade.
Aqui está um teste bastante eficiente para descobrir se a pessoa já passou da geração Z: pergunte sobre o chafariz do Shopping Vitória.
O shopping foi inaugurado em junho de 1993 e, durante seus primeiros 16 anos, a praça central teve um chafariz que acabou se transformando em uma das imagens mais características daquela fase do empreendimento.
O chafariz não existe mais, mas segue vivo na memória afetiva de muitos adultos que fizeram daquele espaço parte da infância.
Muito antes de shopping center virar passeio de família, Vitória já tinha o Parque Moscoso.
Inaugurado em 1912, no Centro, ele é o parque municipal mais antigo da cidade e atravessou gerações como espaço de lazer, passeio e brincadeiras. Para muitos capixabas, falar do lugar é puxar pela memória fins de semana em família e tardes de infância entre seus jardins.
Mais de um século depois, o Parque Moscoso continua lá, carregando algo que poucos lugares da cidade podem ostentar: lembranças de várias gerações de crianças.
Quem foi criança em Vitória na década de 1990 provavelmente visitou o planetário, grande novidade à época.
Inaugurado em 23 de junho de 1995, o Planetário de Vitória funciona no campus da Universidade Federal do Espírito Santo (Ufes), em Goiabeiras, a partir de uma parceria entre a universidade e a Prefeitura de Vitória.
Por ali, gerações de estudantes trocaram a sala de aula por uma viagem entre planetas, estrelas e constelações. Ainda hoje ele recebe pessoas de todas as idades, com programações variadas.
Ela parece ter estado sempre ali, mas a Curva da Jurema é resultado das transformações urbanas pelas quais Vitória passou.
A praia artificial surgiu durante as obras do aterro da Condusa, nos anos 1970. Inicialmente chamada de Praia do Aterro, na década seguinte já havia ganhado o nome pelo qual seria conhecida definitivamente: Curva da Jurema, em homenagem à Cabocla Jurema.
Para gerações de capixabas, porém, a Curva é simplesmente parte de Vitória. É praia de infância, passeio em família, encontro com amigos e cenário de muitas histórias.
Em 475 anos, Vitória aterrou áreas, abriu avenidas, viu cinemas fecharem, lojas desaparecerem e vários vários novos espaços surgirem. A cidade da infância de uma geração nunca é exatamente a mesma da geração seguinte.
E, entre os dez lugares desta lista, alguns ainda oferecem uma vantagem: estão por aí. Dá tempo de voltar, olhar em volta e descobrir o quanto Vitória mudou desde a última vez que você esteve ali.