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Turismo de experiência

Uma viagem para sentir: conheça a Mata Atlântica Capixaba

Entre trilhas, sabores, pássaros raros e paisagens surpreendentes, nova rota convida a viver a natureza do Espírito Santo e redescobrir nossa relação com ela
Aline Almeida

Publicado em 22 de Agosto de 2026 às 08:00

Turismo na Mata Atlântica capixaba
Parque Estadual Pedra Azul e Lavandário fazem parte da rota Caminhos da Mata Atlântica Capixaba Aline Almeida

Há lugares que a gente visita e há lugares que a gente sente. Sempre gostei de viajar para descobrir novas paisagens, mas minhas experiências preferidas são aquelas que deixam algo além de boas fotos: histórias, sabores, descobertas e alguma coisa diferente dentro de mim.


Talvez seja por isso que o chamado turismo de experiência seja o meu preferido. E foi exatamente isso que encontrei ao percorrer a nova rota turística do Espírito Santo, Caminhos da Mata Atlântica Capixaba.

Céu estrelado da noite em Vargem Alta
Céu estrelado da noite em Vargem Alta Luiz Cabral Inácio
O roteiro me levou por paisagens que, embora estejam tão perto de nós, às vezes parecem pertencer a um lugar muito distante. Fiz a trilha do Parque Estadual do Forno Grande até os Poços Amarelos; experimentei uma gastronomia feita com elementos da Mata Atlântica produzidos pela Cozinha Rústica Bistrô; almocei no Empório do Morango e lá colhi morangos direto do pé e preparei minha própria geleia. 

São experiências que mudam a relação com aquilo que está à nossa frente. A comida deixa de ser apenas comida. A paisagem deixa de ser apenas cenário. A viagem deixa de ser apenas deslocamento.
Café da manhã no Parque Estadual do Forno Grande
Café da manhã no Parque Estadual do Forno Grande Paul Jamiloux
Na Reserva Ambiental Águia Branca, fiz trilha por uma floresta linda e, sobretudo, viva. Árvores, água, sons, pássaros e uma cachoeira maravilhosa. E foi ali que uma sensação começou a me acompanhar pelo restante da viagem: em que momento passamos a olhar para a natureza como se ela fosse algo separado de nós?
Reserva Ambiental Águia Branca
Reserva Ambiental Águia Branca Aline Almeida
Vivemos cercados de concreto, telas, carros, compromissos e notificações. Aos poucos, talvez sem perceber, começamos a falar da natureza como um lugar para onde vamos de vez em quando. “Vamos para a natureza.” “Vamos conhecer a natureza.” Como se nós mesmos não fizéssemos parte dela. Como se preservar uma floresta fosse cuidar de alguma coisa distante, que não tivesse relação direta com a nossa própria existência.

Estar ali, cercada por árvores, pássaros raros e tantas formas de vida da Mata Atlântica, mexeu comigo. Eu me senti parte. E, quando a gente se sente parte, cuidar deixa de parecer uma obrigação e passa a ser quase uma consequência. 

Na Reserva Kaetés, vivi uma experiência que nunca pensei que amaria tanto: a observação de aves. Foi lá que descobri a saíra-apunhalada, uma espécie ameaçada de extinção e, até então, desconhecida por mim. E essa descoberta também me fez pensar em quantas riquezas existem aqui, tão perto de nós, sem que sequer saibamos seus nomes.
Reserva Kaetés
Observação de pássaros na Reserva Kaetés Aline Almeida
Observar pássaros exige justamente o contrário do ritmo que estamos acostumados a viver. É preciso diminuir o passo, fazer silêncio, prestar atenção. Esperar. Escutar antes de enxergar, pois a floresta não se revela para quem tem pressa.

Também visitei o Parque Estadual da Pedra Azul. A Pedra Azul é uma velha conhecida dos capixabas e está em fotografias, cartões-postais, campanhas e nas lembranças de quem passa pela região. Eu mesma já a tinha visto muitas vezes. Mas nunca daquele jeito.

Dessa vez, tive a oportunidade de chegar perto, encostar na Pedra Azul, escalar, superar meus próprios limites e fazer coisas que nunca tinha feito antes. E, lá de cima, encontrei uma das vistas mais bonitas que já vi.
Parque Estadual Pedra Azul
Parque Estadual Pedra Azul Aline Almeida
Foi curioso perceber que um lugar tão conhecido ainda podia me surpreender tanto. Às vezes, não precisamos atravessar o mundo para descobrir alguma coisa nova. Basta mudar o ponto de vista.

Mas talvez a maior descoberta dos Caminhos da Mata Atlântica Capixaba não tenha sido uma cachoeira, uma trilha, uma pedra ou um pássaro raro. Foram as pessoas.

Uma das coisas que mais me impressionaram durante o percurso foi perceber a relação de cooperação entre produtores, empreendedores e moradores da região. Um indica o outro. Um consome o produto do outro. Um ajuda a contar a história do outro. Existe ali uma compreensão muito bonita de que o turismo cresce quando o território cresce junto, e que a vida só se constrói na coletividade.
Piscinas naturais do Parque Estadual Pedra Azul
Piscinas naturais do Parque Estadual Pedra Azul Aline Almeida
E isso aparece em tudo. Na geleia, no morango colhido do pé, em todo o processo até o prato de comida chegar à mesa, na hospedagem, no trabalho de preservação da floresta, nas histórias contadas durante o caminho. Por trás de cada estabelecimento existem pessoas. Por trás de cada produto existem sonhos, famílias e trajetórias.

Por isso, depois de percorrer essa rota, fica difícil falar apenas em “mercado do turismo”. Estamos falando de gente. De histórias. De pertencimento. De pessoas que escolheram cuidar do lugar onde vivem e dividir esse lugar com quem chega.

Foi uma experiência linda, emocionante e daquelas que sei que vou levar comigo por toda a vida.

E, para quem também quiser descobrir e redescobrir esse Espírito Santo que está tão perto, há diferentes maneiras de percorrer os Caminhos da Mata Atlântica Capixaba. 

Saiba mais acessando o link https://drive.google.com/drive/folders/1Afvs6PqFg-DbREAnQ8g7G-2IXaFS9-TS?usp=drive_link .

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