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Tarcísio Bahia

Mobilidade é um direito social que continua renegado

Cinco anos após às manifestações de 2013, não houve melhoras significativas em termos de mobilidade urbana

Publicado em 21 de Setembro de 2018 às 14:56

Públicado em 

21 set 2018 às 14:56
Tarcísio Bahia

Colunista

Tarcísio Bahia Tarcísio Bahia

tbahia65@gmail.com

Trânsito na rua Clóvis Machado, na Enseada do Suá Crédito: Rafael Monteiro de Barros
De modo geral, os governos têm em suas agendas prioritárias a educação, a saúde e a segurança, esquecendo, porém, que a mobilidade não só é um direito fundamental do cidadão, como uma questão de sobrevivência, afinal ele precisa trabalhar ou estudar, ir ao médico ou ao posto de saúde, e se sentir seguro na sua rotina de deslocamentos, ou seja, em tudo isso se encontra transversalmente o ato de mover-se. E só para reforçar essa questão, citamos aqui o Art. 6º da Constituição Federal que diz: “são direitos sociais a educação, a saúde, a alimentação, o trabalho, a moradia, O TRANSPORTE...”
 Contudo, as manifestações populares de 2013, surgidas após o aumento da tarifa do transporte público, pegaram de surpresa os governos federal, estaduais e municipais que nem sequer imaginavam a prioridade dada pelos cidadãos das médias e grandes cidades ao tema da mobilidade.
Até aquele período, porém, o Brasil ainda usufruía de um ciclo econômico estável e até mesmo otimista com a proximidade da Copa do Mundo de 2014. Para preparar o país para o evento, várias obras de infraestrutura, principalmente de mobilidade, estavam previstas, oferecendo um cenário de transformações urbanas, e não só nas cidades-sedes.
No entanto, 2014 chegou e o que vimos foi não só a derrota da Seleção, mas também o começo da pior crise econômica da história recente. E assim, cinco anos após às manifestações de 2013, não houve melhoras significativas em termos de mobilidade urbana, a não ser uma leve reduzida no fluxo diário de veículos em circulação devido a uma conjunção de fatores: pessoas que tinham carros financiados e não quitaram e tiveram que devolvê-lo; o recuo no emprego que deixa pessoas em casa; a perda de renda que reduz compras e, portanto, também deixa pessoas em casa; ou até mesmo os sequentes aumentos no preço dos combustíveis.
Apesar disso, cidades como o Rio de Janeiro, que ainda conseguiu inaugurar o VLT (veículo leve sobre trilho) na região central da cidade, ou Salvador, que agora já conta com metrô, principalmente passando pela via Paralela indo até o aeroporto, tiveram algum avanço, ao contrário do que ocorreu na Grande Vitória.
VLT no Rio de Janeiro Crédito: Agência Brasil/Divulgação
Aqui o governo do Estado por diversas vezes apresentou o projeto do BRT (bus rapid transit) como o novo modal de transporte capaz de melhorar o tempo médio de viagem dos cidadãos que se locomovem pela região metropolitana. Ainda que seja de média capacidade, pois se considera como alta capacidade trem e metrô, o BRT é mais viável do ponto de vista econômico, pois requer investimentos bem abaixo dos dois outros sistemas sobre trilhos.
Modelo de BRT Crédito: Divulgação | Prefeitura do RJ
Eis que agora esse mesmo governo desiste do projeto, anuncia sua adaptação para o BRS, um sistema mais simplificado em relação ao BRT, porém menos eficaz, o que mostra como ainda estamos longe de um transporte adequado às aspirações e necessidades da população capixaba.
E, enquanto isso, trabalhadores e estudantes terão mesmo que se contentar com o velho Transcol, e suas estações cheias de problemas e ônibus lotados.

Tarcísio Bahia

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Arquiteto, professor da Ufes e diretor do IAB/ES. Cidades, inovação e mobilidade urbana têm destaque neste espaço

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