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Desfralde na escola: por que família e educadores precisam caminhar juntos?

Alinhamento entre casa e escola, respeito ao tempo da criança e acolhimento ajudam a tornar a transição das fraldas mais segura e tranquila

Publicado em 14 de Setembro de 2026 às 19:14

Portal Edicase

Publicado em 

14 set 2026 às 19:14
O alinhamento entre o ambiente familiar e o escolar é fundamental para o desfralde (Imagem: Pixel-Shot | Shutterstock)
O alinhamento entre o ambiente familiar e o escolar é fundamental para o desfralde Crédito: Imagem: Pixel-Shot | Shutterstock

A retirada das fraldas representa um dos marcos mais significativos do desenvolvimento na primeira infância, mobilizando capacidades motoras, cognitivas e emocionais da criança. Especialistas destacam que se trata de um processo singular, cujo tempo de consolidação varia de acordo com o ritmo biológico de cada um. Para que essa transição ocorra de maneira saudável e segura, a atuação coordenada entre a família e a instituição de ensino é um fator fundamental.

Segundo Lilian Murad Bruner, mestre em educação e diretora de Educação Infantil do Colégio Visconde de Porto Seguro, em São Paulo e Valinhos, o desfralde (controle esfincteriano) deve ser compreendido como uma conquista gradual de autonomia, intimamente ligada à maturação biológica e à prontidão neurológica da criança. A tentativa de antecipar esse momento por meio de cobranças ou conveniências de calendário pode gerar ansiedade e prolongar o período de transição. “O desfralde é uma conquista de autonomia que respeita a prontidão biológica e o amadurecimento neurológico de cada criança”, afirma a educadora.

Para que a transição ocorra com tranquilidade, o alinhamento entre o ambiente familiar e o escolar é fundamental. Quando pais e educadores estão em sintonia quanto às práticas e mantêm a mesma abordagem, a criança encontra um cenário previsível e acolhedor, o que facilita a adaptação a essa nova etapa. “A atuação conjunta entre escola e família, com estímulos coerentes e acolhimento recíproco, favorece o sentimento de segurança dos pequenos para vivenciar esse novo hábito”, explica Lilian Murad Bruner.

Sinais de prontidão no desenvolvimento

A identificação do momento adequado para iniciar a transição baseia-se na observação atenta de comportamentos e capacidades específicas apresentadas pela criança:

  • Maturidade motora: habilidade de caminhar com firmeza, sentar e levantar de maneira independente;
  • Comunicação clara: capacidade de expressar, por meio de palavras ou gestos, o desconforto com a fralda suja ou a necessidade de usar o banheiro;
  • Consciência corporal: percepção prévia das necessidades fisiológicas, demonstrada pelo hábito de buscar privacidade ou anunciar o momento de evacuação;
  • Intervalos de fralda seca: manutenção da fralda sem umidade por períodos mais longos, indicando o amadurecimento do controle dos esfíncteres.

Estrutura e convivência escolar ajudam no processo

O ambiente escolar atua como um facilitador natural nesse processo. A presença de infraestrutura adequada, com vasos sanitários e pias apropriadas à estatura infantil, promove a independência física necessária para o uso do banheiro. Além disso, a convivência com os pares exerce uma influência positiva, permitindo que aprendam por meio da observação mútua e da socialização de conquistas cotidianas.

A resposta dos adultos diante de pequenos escapes deve ser pautada na naturalidade, preservando a autoestima e a segurança da criança (Imagem: Pixel-Shot | Shutterstock)
A resposta dos adultos diante de pequenos escapes deve ser pautada na naturalidade, preservando a autoestima e a segurança da criança Crédito: Imagem: Pixel-Shot | Shutterstock

Escapes fazem parte do aprendizado e exigem acolhimento

Durante esse percurso, a ocorrência de pequenos escapes deve ser tratada como parte integrante do processo de aprendizagem. A resposta dos adultos diante desses episódios precisa ser pautada pela naturalidade, preservando a autoestima e a segurança da criança. “Os escapes corporais fazem parte do aprendizado e demandam uma reação de tranquilidade e apoio por parte dos adultos, reafirmando o processo como uma etapa natural do crescimento”, orienta a diretora.

Mudanças na rotina também podem influenciar o desfralde

Lilian Murad Bruner ressalta que fatores externos e emocionais também devem ser considerados no planejamento do desfralde. Momentos de grandes transições familiares, como a mudança de residência, o nascimento de um irmão ou o período inicial de adaptação escolar, exigem estabilidade. Nessas circunstâncias, recomenda-se adiar o início da retirada das fraldas até que a rotina esteja plenamente restabelecida, garantindo que o processo seja vivenciado como uma experiência de autoconfiança e crescimento.

Por Isabella Kemen

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