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Meio Ambiente

Governo tenta reagir a pressão internacional e recicla pacote contra desmatamento

Ciro Nogueira (Casa Civil) disse, nesta terça-feira (31), que a questão do meio ambiente é a "prioridade número um" desde sua chegada ao Planalto

Publicado em 31 de Agosto de 2021 às 18:18

Agência FolhaPress

Publicado em 

31 ago 2021 às 18:18
À mesa, em pronunciamento, ministro de Estado de Meio Ambiente, Joaquim Álvaro Pereira Leite
À mesa, em pronunciamento, ministro de Estado de Meio Ambiente, Joaquim Álvaro Pereira Leite Crédito: Roque de Sá/Agência Senado
Diante da pressão internacional contra a agenda ambiental do presidente Jair Bolsonaro, os ministros Ciro Nogueira (Casa Civil) e Joaquim Álvaro Pereira Leite (Meio Ambiente) tentaram rebater as críticas contra o governo com uma breve apresentação de ações de combate a queimadas e ao desmatamento ilegal na Amazônia.
Apesar das diversas declarações antiambientais de Bolsonaro e do histórico de avanço do desmatamento, Ciro disse, nesta terça-feira (31), que a questão do meio ambiente é a "prioridade número um" desde sua chegada ao Planalto.
Ciro e Leite estavam acompanhados do ministro da Justiça, Anderson Torres. A proposta era anunciar "novo plano de atuação do governo federal no combate às queimadas", mas a maioria das medidas já havia sido divulgada em ocasiões anteriores. Não foram permitidas perguntas dos jornalistas.
Em sua fala, Ciro afirmou acreditar numa "recuperação de imagem bastante expressiva a nível mundial".
"Principalmente num momento em que precisamos ter uma imagem muito positiva do nosso país, essas ações que serão implementadas irão contribuir muito para que a gente possa aumentar ainda mais a tendência de queda dos nossos índices de desmatamento e de queimadas", declarou.
O esforço dos ministros de rebater a imagem amplamente difundida de um governo descompromissado com a agenda de preservação ocorre um dia depois de Bolsonaro ter apontado uma "obsessão" do presidente dos Estados UnidosJoe Biden, com a agenda do meio ambiente.
Segundo disse Bolsonaro, essa "quase obsessão" de Biden pelo tema "atrapalha um pouquinho" o governo brasileiro.
As declarações dos ministros também ocorreram no dia seguinte à divulgação, por entidades ligadas ao agronegócio, de um manifesto defendendo as instituições e o equilíbrio entre os Poderes - num recado crítico a Bolsonaro.
"Somos uma das maiores economias do planeta, um dos países mais importantes do mundo, sob qualquer aspecto, e não nos podemos apresentar à comunidade das Nações como uma sociedade permanentemente tensionada em crises intermináveis ou em risco de retrocessos e rupturas institucionais. O Brasil é muito maior e melhor do que a imagem que temos projetado ao mundo. Isso está nos custando caro e levará tempo para reverter", diz o manifesto.
No texto, as entidades também afirmam que a agroindústria brasileira "tem história de sucesso reconhecida mundo afora, como resultado da inovação e da sustentabilidade que nos tornaram potência agroambiental global".
As principais ações listadas pelo ministro do Meio Ambiente já eram conhecidas. Leite citou a disponibilização de 6.000 brigadistas para o combate ao desmatamento, a contratação de 700 novos servidores para fiscalização do Ibama e do ICMBio e a entrega do primeiro de 15 caminhões-bombeiros.
A contratação dos novos servidores, por exemplo, já havia sido anunciada pelo vice-presidente Hamilton Mourão em reunião do Conselho da Amazônia Legal na semana passada. O próprio Meio Ambiente comunicou, no último dia 18, a entrega do caminhão-bombeiro.
Em julho, o Ministério da Justiça anunciou a Operação Guardiões do Bioma, que conta com o apoio de mais 6.000 brigadistas. Segundo Leite disse nesta tarde, há hoje 3.200 homens em campo.
"Vamos atuar de forma contundente conforme orientação do presidente Bolsonaro pra zerar o desmatamento ilegal anterior a 2030. O compromisso [assumido por Bolsonaro] era até 2030 perante o Acordo do Clima, mas o nosso é o máximo de esforços para atuar no combate ao desmatamento ilegal", disse Leite.
Ele também destacou que dados de medição do desmatamento de julho e agosto indicam tendência de redução em relação aos mesmos meses do ano passado.
"O mês passado, em julho, tivemos uma queda em relação aos dados Deter [sistema do Inpe], do ano passado para este, de 10%. E no mês de agosto, previamente, estamos com um número de aproximadamente 30% de redução em relação ao ano passado."
Apesar disso, o Brasil liderou em 2020 o ranking mundial de desmatamento, de acordo com relatório divulgado pelo World Resources Institute.
O país concentrou mais de um terço da superfície de florestas virgens devastadas no planeta, cerca de 1,7 milhão de hectares, segundo o documento Global Forest Watch.
Em relação à Amazônia, o desmatamento cresceu cerca de 9,5% de agosto de 2019 a julho de 2020 em comparação com o período anterior. No total, foram derrubados 11.088 km² de floresta nesse intervalo de tempo. Os dados consolidados do ano são os primeiros sob responsabilidade do governo Bolsonaro.
Mourão, que coordena o Conselho da Amazônia e vinha centralizando o combate às queimadas, não esteve no anúncio do plano. Foi mencionado rapidamente pelos ministros da Casa Civil e do Meio Ambiente.
No último dia 24, o vice-presidente anunciou que as ações das Forças Armadas para a preservação ambiental na Amazônia seriam estendidas por 45 dias -segunda semana de outubro.
A ação de GLO (Garantia da Lei e da Ordem) que permite a presença dos militares na região se encerraria no fim de agosto.
Considerada a principal aposta do governo para o combate ao desmatamento até aqui, a GLO não foi mencionada nas falas dos três ministros nesta tarde.

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