Sair
Assine
Sair
Entrar

Recuperar senha

Já tem uma conta?

Acesse aqui

Cadastrar nova senha

Já tem uma conta?

Acesse aqui

  • Início
  • Mundo
  • Mortes de brasileiros na Guerra da Ucrânia disparam, e Itamaraty faz alerta
Conflito armado

Mortes de brasileiros na Guerra da Ucrânia disparam, e Itamaraty faz alerta

Mais da metade dos 23 óbitos de brasileiros foi registrada só no ano passado, de acordo com a pasta; números preocupam

Publicado em 14 de Fevereiro de 2026 às 18:02

Agência FolhaPress

Publicado em 

14 fev 2026 às 18:02
SÃO PAULO - Mais brasileiros foram mortos na Guerra da Ucrânia em 2025 do que a soma de todos os anos anteriores do conflito, iniciado em fevereiro de 2022, de acordo com dados do Itamaraty enviados à Folha de S.Paulo.
O governo brasileiro contabiliza os óbitos de 23 cidadãos do país desde o começo da guerra. Destes, 12 (52%) perderam a vida no ano passado. Outros três foram declarados mortos neste ano, em pouco mais de um mês.
Paraense Wesley Adriano Silva, que atuava nas forças da Ucrânia e teria morrido em combate
Wesley Adriano Silva, que atuava nas forças da Ucrânia e teria morrido em combate Crédito: Instagram/Reprodução
A pasta registra também aumento dos brasileiros considerados desaparecidos. O total é de 44, e 34 pessoas (77%) foram incluídas nessa lista em 2025. Os números correspondem apenas aos casos formalmente comunicados ao Brasil pelos governos da Rússia e da Ucrânia.
Os números preocupam o governo brasileiro, que tem reforçado alertas nas redes sociais sobre os riscos de envolvimento em combates no exterior. O Itamaraty também chama atenção para casos de cidadãos que relatam dificuldades para deixar fileiras de Exércitos estrangeiros após o alistamento.
Os brasileiros são recrutados com a intermediação de compatriotas que atuam em países estrangeiros. São também estimulados por publicações em redes sociais que glorificam os confrontos e prometem treinamento e salários robustos. A realidade, entretanto, é diferente da apresentada na internet.
Nesta semana, mais um brasileiro pode ter sido morto em combate na Ucrânia. O paraense Wesley Adriano Silva, que atuava como voluntário das forças de Kiev na guerra contra a Rússia, foi atingido por disparos de artilharia e não teria resistido, segundo publicações de amigos nas redes sociais. Apresentando-se como "Índio Boa Morte", ele publicava na internet fotos e vídeos de suas atividades no país do Leste Europeu. O Itamaraty o considera desaparecido.
Diante das baixas de soldados brasileiros, o Itamaraty reforçou, na quinta (12), a recomendação para que convites ou ofertas de trabalho em Exércitos estrangeiros sejam recusados. Segundo a pasta, inclusive a assistência consular, nesses casos, pode ser "severamente limitada" pelos termos dos contratos assinados entre os alistados e as Forças Armadas de terceiros países.
"Não há obrigatoriedade por parte do poder público para o pagamento de passagens ou o custeio de retorno", diz trecho do alerta. A nota acrescenta que os cidadãos que se voluntariam ficam sujeitos ainda a processos em cortes internacionais e também no Brasil.
A engenheira civil Mariana Figueredo de Souza, 28 anos, relata angústia e afirma à Folha que teve prejuízo financeiro para ajudar o irmão a sair da Ucrânia. Incentivado por publicações nas redes, ele se voluntariou ao Exército de Kiev e viajou à Europa em novembro do ano passado, porém decepcionou-se com as condições que lhe foram impostas no país e se arrependeu da decisão.
Mariana diz que o irmão foi atraído por falsas promessas de que teria um trabalho na guerra para ajudar crianças e pessoas em situações de vulnerabilidade. Na Ucrânia, entretanto, ele teria se deparado com esquemas de corrupção nas tropas e enviado à região de front em poucos dias, sem treinamento, para o que ela descreve como "missões suicidas".
A desistência desagradou aos comandantes, que mobilizaram vigias para impedir uma fuga, afirma Mariana. Ela diz que, do Brasil, contratou um motorista de aplicativo por € 250 (R$ 1.535, na cotação atual) para resgatá-lo do campo de batalha, no leste ucraniano, em um momento de desatenção dos militares.
Depois de chegar a Lviv, cidade na outra ponta do país, o irmão teria sido impedido de cruzar a fronteira com a Polônia sob o argumento de que o contrato com as Forças Armadas ucranianas ainda estava ativo.
Barrado, ele perdeu o voo da Polônia para o Brasil, cuja passagem custou R$ 12 mil, diz Mariana. "Fiquei uma semana sem trabalhar. Eu não comia nem dormia. Estava em desespero", diz ela.
A saída da Ucrânia ocorreu dias depois, em dezembro, com orientações da embaixada do Brasil em Kiev. No total, ela estima o prejuízo de R$ 25 mil, incluindo as passagens aéreas, hospedagem e alimentação.
Em Itapevi, município em São Paulo, o irmão está abalado psicologicamente, diz Mariana. De seu grupo de mais 5 pessoas, 2 teriam sido mortas, e as outras 3, feridas. Ela prefere não divulgar o nome dele por questões de segurança.
Iniciada há quase quatro anos, em 24 de fevereiro de 2022, a Guerra da Ucrânia é tão mortífera quanto foi a Segunda Guerra Mundial (1939 - 1945). Como mostrou a Folha, um estudo de janeiro do Centro para Estudos Estratégicos e Internacionais (CSIS), de Washington, conta até 1,8 milhão de baixas militares desde o início da invasão russa até o final de 2025, incluindo 465 mil mortes, e o restante de feridos incapacitados para o combate.
De 2022 a 2025, a Rússia registrou uma taxa de 1 morto para 2,7 feridos. Já a Ucrânia, 1 para 3,28. Os números são semelhantes aos de seus antecessores que lutaram sob Josef Stálin: 1 morte para 2,57 feridos.
Nos últimos meses, com a redução do apoio dos Estados Unidos à Ucrânia, as forças russas têm avançado no leste do país, ainda que de forma lenta.

Este vídeo pode te interessar

Viu algum erro?
Fale com a redação
Informar erro!

Notou alguma informação incorreta no conteúdo de A Gazeta? Nos ajude a corrigir o mais rapido possível! Clique no botão ao lado e envie sua mensagem

Fale com a gente

Envie sua sugestão, comentário ou crítica diretamente aos editores de A Gazeta

A Gazeta integra o

Saiba mais

Recomendado para você

Máscaras de Ricardo Ferraço e Renato Casagrande
Aliados de Ricardo e Casagrande querem o PSD, só não sabem o que fazer com Hartung
Convenção do PSB confirma candidatura de Casagrande ao Senado
PSB oficializa em convenção candidatura de Casagrande ao Senado
Imagem de destaque
'Tivemos que fazer rifa para pagar o tratamento da minha filha': como sistema de saúde do Paraguai leva pacientes a se endividarem

© 1996 - 2024 A Gazeta. Todos os direitos reservados