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O que é o Cinturão de Fogo do Pacífico em que está a Colômbia — e por que 90% dos terremotos do mundo ocorrem nesta região

O Cinturão de Fogo do Pacífico, também conhecido como Anel de Fogo, abrange um grande número de países da América e da Ásia.

Publicado em 12 de Agosto de 2026 às 07:35

BBC News Brasil

Publicado em 

12 ago 2026 às 07:35
Imagem BBC Brasil
A região é de limites de placas tectônicas ao redor do Oceano Pacífico, onde terremotos e vulcões são comuns. Crédito: Getty Images

O Cinturão de Fogo do Pacífico volta a sacudir a Terra.

Um potente terremoto de magnitude 7,4, segundo o Serviço Geológico dos Estados Unidos (USGS, na sigla em inglês), atingiu o oeste da Colômbia na segunda-feira.

O tremor, com epicentro no município de San José del Palmar, no departamento de Chocó, e a 107 km de profundidade, deixou dezenas de mortos e milhares de feridos.

O maior terremoto registrado na Colômbia na última década também provocou o desabamento de dezenas de edifícios em várias cidades, como Cali, Pereira e Manizales.

O terremoto ocorreu porque a placa de Nazca, localizada no Oceano Pacífico, mergulha sob a placa Sul-Americana em direção ao leste, onde fica a Colômbia, em um fenômeno geológico conhecido como subducção.

Imagem BBC Brasil
Crédito: BBC

O litoral oeste da Colômbia faz parte do Cinturão de Fogo do Pacífico, também conhecido como Anel de Fogo.

A oeste dessa região estão vários países da América Latina: Argentina, Bolívia, Canadá, Colômbia, Chile, Costa Rica, Equador, Estados Unidos, El Salvador, Guatemala, Honduras, México, Nicarágua e Panamá.

Em seguida, o cinturão se curva na altura das Ilhas Aleutas, no norte do Oceano Pacífico, entre o Alasca e a península de Kamchatka.

Imagem BBC Brasil
Crédito: BBC

E depois desce para incluir o litoral e as ilhas da Rússia, Japão, Taiwan, Filipinas, Indonésia, Malásia, Timor-Leste, Brunei, Singapura, Papua-Nova Guiné, Ilhas Salomão, Tonga, Samoa, Tuvalu e Nova Zelândia.

Esse cinturão tem 40 mil quilômetros de extensão e também concentra a maior quantidade de vulcões do mundo, além da maioria dos supervulcões do planeta.

Imagem BBC Brasil
No Cinturão de Fogo do Pacífico estão a maioria dos grandes vulcões do nosso planeta (vista da cratera do vulcão Yasur em erupção, na ilha de Tanna, Vanuatu, Melanésia, Pacífico Sul) Crédito: Getty Images

Nas últimas semanas, o Cinturão de Fogo já havia dado várias demonstrações de sua incansável atividade.

Dois terremotos de magnitude 6,3 fizeram a terra tremer em 5 de agosto nas Filipinas e nas ilhas Kermadec, no Pacífico.

Eles se somaram a um terremoto registrado na costa do México em 17 de julho e a outro, de magnitude 6,8, que atingiu a região japonesa de Kumamoto em 28 de julho.

No arquipélago japonês, situado na confluência de quatro placas tectônicas, os tremores fazem parte da vida cotidiana: ocorrem praticamente todos os dias, embora a maioria seja tão fraca que mal é percebida.

90% dos terremotos do planeta

"No Cinturão de Fogo do Pacífico ocorrem 90% de todos os sismos do mundo e 80% dos terremotos de maior magnitude", explicou em uma entrevista anterior à BBC Mundo o presidente executivo do Instituto Geofísico do Peru (IGP), Hernando Taveras.

O leito do Oceano Pacífico repousa sobre várias placas tectônicas, e "o fato de a atividade sísmica ser intensa no Anel de Fogo se deve à convergência dessas placas e ao atrito entre elas, o que faz com que se acumule tensão que acaba sendo liberada", afirmou Taveras.

A atividade no Cinturão de Fogo é resultado da chamada tectônica de placas, o movimento e a colisão das camadas da crosta terrestre que dão origem aos terremotos.

Esses movimentos podem, inclusive, gerar atividade vulcânica.

Imagem BBC Brasil
Crédito: BBC

Um vulcão com 'alto teor de gás'

Em uma entrevista anterior à BBC Mundo, Hugo Delgado, diretor do Centro Nacional de Prevenção de Desastres do México, explicou que um terremoto age sobre um vulcão como quando se agita uma garrafa de água mineral.

"Um movimento mecânico pode fazer com que o gás se acumule na parte superior da garrafa. Isso aumenta a pressão e faz com que a água saia em jatos. Algo semelhante ocorre em um vulcão, que tem um alto conteúdo de gás", afirma.

De acordo com o especialista, apenas terremotos potentes, superiores a 9, poderiam ter um impacto de grande relevância sobre os vulcões próximos.

Um terremoto desse tipo, afirma, pode inclusive provocar a reativação de vulcões adormecidos há séculos, fazer com que vulcões ativos intensifiquem sua atividade ou até mesmo que ela diminua repentinamente.

"O impacto das ondas sísmicas desses terremotos de grande magnitude é tão forte que elas não apenas podem provocar uma erupção, como também podem fazer com que o vulcão perca sua atividade."

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