Sair
Assine
Entrar

Recuperar senha

Já tem uma conta?

Acesse aqui

Cadastrar nova senha

Já tem uma conta?

Acesse aqui

  • Início
  • O politicamente correto deixou o carnaval mais chato? Chato pra quem?
Comportamento

O politicamente correto deixou o carnaval mais chato? Chato pra quem?

Ele causa tanto desconforto porque nos força a responder o quanto estamos dispostos a abrir mão de nossos privilégios para não ferir ou agredir o outro

Publicado em 23 de Fevereiro de 2020 às 17:05

Públicado em 

23 fev 2020 às 17:05

Colunista

Alessandra Negrini no bloco Acadêmicos do Baixo Augusta, com a ativista Sonia Guajajara Crédito: Luisa Vaz/Divulgação
A porta-estandarte do carnaval de 2020 tem os seios à mostra sob a frase NÃO É NÃO, escrita com tinta vermelho-sangue. Se o lembrete já se faz presente há alguns carnavais (e também neste), não é à toa. O assédio infelizmente não sai de moda.
Da mesma forma, nem entrando para os trending topics a hashtag #indionãoéfantasia ajuda a evitar os caras-pálidas de cocar.
Embora as bandeiras que têm sido levantadas pareçam novas, elas apenas reivindicam um olhar mais comprometido sobre aqueles pressupostos que, naturalizados, permaneceram durante anos silenciados ou tomados como consensuais.
Bom, o carnaval, apesar do seu caráter catártico, jamais esteve desconectado das questões políticas e sociais de cada época. Com o humor, sempre fizemos comparecer temas centrais de nossa cultura. Botamos a sexualidade de Zezé para jogo, precipitados nas considerações sobre sua cabeleira, e, no mesmo passo, deixamos aparecer a violência inaudita, embora presente: corta o cabelo dele!
Com mais atenção ao que dizemos e secretamente pensamos, deparamo-nos com o horror. Sinto constrangimento só de reproduzir o que se diz em “o teu cabelo não nega, mulata”, marchinha que esbanja racismo, machismo e uma tradição em fazer parecer engraçado o que não é. Algumas tradições precisam urgentemente ser superadas.
Se lhes parece inofensivo um homem heterossexual vestido de mulher, experimentem reparar melhor em como ele a representa. Experimentem também perguntar a uma enfermeira os efeitos da sexualização de sua função no cotidiano do trabalho.
Com o “politicamente correto” o mundo (redondo, aproveitando toda chance de dizer) pode até ficar chato. A pergunta é: chato para quem?
Se o politicamente correto tem sido levado aos últimos termos, radical, é porque não se ri de feridas abertas. Ele causa tanto desconforto porque nos força a responder o quanto estamos dispostos a abrir mão de nossos privilégios para não ferir ou agredir o outro.
Vejam como já nos parece difícil deixar de subjugar o próximo em uma festividade como o carnaval! Imagine o tamanho da luta em termos de garantias de direitos e legitimidade de alguns discursos!
Escolher outra fantasia não deveria ser moleza? Sejam criativos!
A autora é psicanalista

Viu algum erro?
Fale com a redação
Informar erro!

Notou alguma informação incorreta no conteúdo de A Gazeta? Nos ajude a corrigir o mais rapido possível! Clique no botão ao lado e envie sua mensagem

Fale com a gente

Envie sua sugestão, comentário ou crítica diretamente aos editores de A Gazeta

A Gazeta integra o

Saiba mais

Recomendado para você

As eleições presidenciais continuam em aberto: cadê a terceira via?
Aniversário de 80 anos de Nelson Ferlin
Nelson Ferlin celebra 80 anos com festa em família em Vila Velha
Unidade da Audionova inaugurada em 2024 em São Paulo
Multinacional suíça anuncia compra de empresa capixaba

© 1996 - 2024 A Gazeta. Todos os direitos reservados