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Arlindo Villaschi

O retorno da agenda reacionária e entreguista das privatizações

Os resultados financeiros das privatizações ocorridas serviram basicamente para cobrir déficits públicos provocados pelo pagamento de serviços da dívida

Publicado em 11 de Maio de 2018 às 14:15

Públicado em 

11 mai 2018 às 14:15

Colunista

Prédio da Petrobras Crédito: Divulgação
O retorno do receituário neoliberal como orientador da política econômica do governo se fez com a ascensão ilegítima de Temer à Presidência da República. Contando com uma base parlamentar igualmente ilegítima, desde 2016 avança no país uma agenda reacionária e entreguista.
Reacionária porque retirou da Constituição conquistas sociais que asseguravam recursos fundamentais para a educação, a saúde e a assistência social. Reacionária porque alterou de forma açodada a regulação das relações empregados/empregadores.
Contando com uma base parlamentar igualmente ilegítima, desde 2016 avança no país uma agenda reacionário e entreguista
Entreguista porque se apressou a passar para empresas estrangeiras acesso privilegiado tanto à exploração do pré-sal quanto à tecnologia eminentemente nacional que possibilita essa exploração. Entreguista porque trata agora de privatizar – sob os mais distintos jargões - a Eletrobras.
Privatizar a Eletrobras com argumentos que circulam pela mídia de mercado e que retomam velhos bordões, agora disfarçadas de fake news. Entre eles, que a privatização - sob o codinome de capitalização - se faz necessário para cobrir déficits provocados pela MP 579. Como aponta o deputado Alessandro Molon (PSB/RJ), se essa for a causa, que se modifique a medida provisória ao invés de abrir mão de patrimônio da sociedade brasileira construída há 56 anos.
Argumentos semelhantes foram utilizados no final do século passado para justificar a privatização de empresas estatais. Empresas estatais – como as que compunham o Sistema Telebrás – privatizadas e desnacionalizadas. Privatização que provocou perdas de competências tecnológicas. Desnacionalização que implicou no compromisso de enviar para sempre ao exterior lucros e dividendos. Remessa de lucros e dividendos que precisarão de superávits comerciais ainda com forte dependência da exportação de recursos não renováveis.
Os resultados financeiros das privatizações ocorridas entre 1993 e 2002 serviram basicamente para cobrir déficits públicos provocados pelo pagamento de serviços da dívida. Perda de patrimônio social para assegurar tão somente o pagamento de juros e encargos; lamentável caso de entrega, ao mesmo tempo, de anéis e de dedos.
Com o retorno do afã privatista – Petrobras e Eletrobras, declaradas; Embrapa e Fiocruz, desejadas – necessário se faz a discussão para além das perdas financeiras de médio e longo prazo. Perdas para responderem a necessidades de caixa de curto prazo. Além da perda de oportunidade de se pensar e construir estrategicamente um Brasil soberano e justo.
*O autor é professor de Economia
 

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