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Desenvolvimento

O turismo capixaba está travado por causa do saneamento básico

As inúmeras placas desaconselhando o banho em praias importantes escancaram um problema que cora de vergonha a face do capixaba. Em pleno século 21, ainda convivemos com praias sujas e disseminadoras de doenças

Publicado em 17 de Janeiro de 2020 às 04:00

Públicado em 

17 jan 2020 às 04:00
José Carlos Corrêa

Colunista

José Carlos Corrêa

jccsvt@terra.com.br

Saneamento no Brasil Crédito: Marcelo Camargo/Agência Brasil
Ninguém desconhece que as praias são a maior atração turística do Espírito Santo. São belíssimas, com lindas areias brancas e pretas, ótimos pontos de banho e de esportes aquáticos, entre os quais a prática do surfe. Com a chegada de verão, se multiplicam os turistas que buscam as praias capixabas e se encantam com a sua beleza. Mas também se decepcionam com o grande número de pontos onde o banho de mar é impróprio em decorrência da poluição causada pela ausência de saneamento básico.
Na Região Metropolitana da Grande Vitória é inacreditável que ainda tenhamos que conviver com o esgoto sem tratamento sendo jogado ao mar. As inúmeras placas desaconselhando o banho em praias importantes, como a Curva da Jurema e Camburi, escancaram para a população um problema que cora de vergonha a face do capixaba. Em pleno século 21, o século da inteligência artificial, o capixaba ainda convive com praias sujas e disseminadoras de doenças.
Em Vitória, capital do Estado, somente 81% dos imóveis possuem rede de esgotos disponível. Nos demais municípios da Região Metropolitana, os números são piores: Serra, 69%; Vila Velha, 52%; e Cariacica, 34%. Fundão e Guarapari sequer têm Plano Municipal de Saneamento Básico, assim como 49 dos 78 municípios do Estado. O esgoto tratado só alcança 25% dos imóveis do Espírito Santo.
O governo do Estado divulgou, orgulhoso (!), no Dia Mundial da Água no ano passado, que os municípios da Grande Vitória terão 100% do esgoto tratado em 2030 (!). Enquanto isso, segundo o Instituto Trata Brasil, são registrados 13 casos de internação por dia (4,7 mil por ano) de pacientes com doenças decorrentes da falta de saneamento, ocasionando tratamentos que custam R$ 19 milhões em um ano aos cofres públicos.
De acordo com o IBGE, mais da metade dos municípios capixabas (41 em um total de 78) registrou endemia ou epidemia ou algum tipo de doença associada à falta de saneamento básico em 2017.
Para acelerar a solução do problema e multiplicar os investimentos em saneamento básico, a única saída possível – diante da incapacidade dos governos, afogados em crise financeira, de alocar recursos públicos para o setor – é atrair o capital privado. Há empresas especializadas interessadas em investir desde que haja segurança jurídica que garanta o cumprimento dos contratos. O Espírito Santo já provou, com os investimentos feitos no município da Serra, que esta é uma saída viável e eficaz.
Multiplicando os investimentos em saneamento básico, o Estado se mostraria capaz de vencer o problema das praias poluídas que desafia inúmeras gerações. E os capixabas poderiam passar a receber os turistas com o orgulho de possuírem as praias mais limpas do país.

José Carlos Corrêa

É jornalista. Atualidades de economia e política, bem como pautas comportamentais e sociais, ganham análises neste espaço

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