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Meio ambiente

Concreto feito de isopor reciclado é um dos vencedores do Prêmio Biguá no Norte do ES

Premiação foi realizada na noite de quinta-feira (24), em Linhares; conheça outras iniciativas sustentáveis que também levaram o  troféu na Região Norte capixaba

Publicado em 25 de Outubro de 2024 às 20:07

Sara Oliveira

Publicado em 

25 out 2024 às 20:07
Concreto feito de isopor reciclado e café inovador ganham Prêmio Biguá no Norte do ES
Representantes dos projetos premiados na noite dessa quinta-feira (24), em Linhares Crédito: Divulgação
A Penitenciária Regional de Linhares descartava 1.600 embalagens de marmitex por dia, quando agentes da unidade decidiram encontrar uma nova destinação para os recipientes feitos de isopor. Esse material agora é reciclado e se tornou matéria-prima para a produção de mesas e outros objetos de concreto. Nessa quinta-feira (24), a iniciativa foi uma das vencedoras do Prêmio Biguá Norte, que reconhece iniciativas sustentáveis na região.
Iniciado há 13 anos no Sul do Espírito Santo, o Prêmio Biguá já premiou mais de 130 iniciativas sustentáveis. No Norte do Estado, essa foi a quarta edição, com cerimônia de premiação realizada na noite de quinta-feira (24), em Linhares.
"O Prêmio Biguá vem cumprindo o seu objetivo, que é dar visibilidade a iniciativas simples, porém efetivas. São iniciativas que podem ser replicadas e que, à medida que vão sendo multiplicadas, vão transformando positivamente o meio ambiente"
Maria Helena Vargas - Diretora Regional da Rede Gazeta

Isopor se torna matéria-prima em penitenciária

Na categoria Poder Público, o vencedor foi o projeto “EcoMesa: Sustentabilidade Concreta”, da Penitenciária Regional de Linhares. A iniciativa transforma o descarte de embalagens de isopor usadas em refeições dos reeducandos em artefatos úteis. Ao invés de serem jogadas no lixo, essas embalagens são coletadas, limpas e recicladas, integrando a produção de mesas e outros objetos de concreto.
O objetivo era diminuir o descarte de marmitas de isopor, além de sensibilizar os reeducandos sobre a importância da preservação ambiental. O objetivo, agora, é fazer com que o projeto ultrapasse os limites de Linhares e chegue a outras unidades. 
“Com a expansão do projeto para todas as unidades prisionais do Estado, estimamos que mais de 16 milhões de vasilhames de isopor deixarão de ser descartados anualmente no lixo comum, o que representa mais de 80 toneladas de resíduos", ressalta Thiago Deluca Monthay, responsável pelo projeto.
"Ao reciclar essas embalagens e transformá-las em produtos úteis, como mesas e vasos de plantas, estamos não apenas minimizando o impacto ambiental, mas também promovendo a conscientização entre os reeducandos sobre práticas sustentáveis"
Thiago Deluca Monthay - Responsável pela iniciativa EcoMesa: Sustentabilidade Concreta

Escola promove arborização com alunos

Na categoria Escola de Ensino Fundamental e Médio, o projeto vencedor foi o “Florindo Sustentabilidade”, da Escola Comunitária Rural de Japira, em Jaguaré. A instituição desenvolveu uma ação de arborização do ambiente em torno da escola, plantando mudas na estrada que dá acesso à instituição, além de manter um currículo focado em ações voltadas para a sustentabilidade e a agroecologia.
"A agroecologia faz parte da filosofia da nossa escola. O resultado mais interessante é a possibilidade de desenvolver a consciência ambiental dos alunos, implantando pequenas práticas que fazem toda a diferença"
Eliene Cássia dos Santos Pretti - Diretora da Escola Comunitária Rural de Japira

Pais criam espaços verdes em unidade de ensino

Na categoria Sociedade Civil, o primeiro lugar foi dado ao Projeto Escola Verde, do Conselho do Ceim Joelma Rocha, em Linhares. A iniciativa nasceu em 2023, partindo da união entre pais, comunidade escolar e do desejo de trazer maior percepção ambiental para a escola.
"Nós tínhamos uma escola linda, nova, recém-inaugurada, mas não tínhamos nenhuma árvore plantada. Então, eu acho que esse projeto nasce aí, dessa problemática, da falta de percepção sustentável, de espaços verdes, de áreas verdes, que a gente pudesse trabalhar essas seções com as crianças aqui na escola"
Gisele Soares de Araújo - Diretora da instituição
As atividades envolveram a organização das áreas já existentes, uma forma de resolver essa ausência de espaços verdes e de árvores, além de desenvolver o senso crítico ambiental.

Cursos capacitam moradores para crescimento sustentável

Na categoria Empresa, o vencedor foi o projeto “Reserva Sustentável”, da Reserva Natural Vale, em Linhares. A iniciativa oferece cursos gratuitos de capacitação, promovendo a participação da comunidade em ações que estimulem o uso sustentável dos recursos naturais.
"Isso permite geração de renda, tanto para os participantes do curso como promove transição de culturas locais com a criação de demanda por produtos da Mata Atlântica"
Laila Carine Campos Medeiros - Coordenadora de Meio Ambiente da Vale
O objetivo também é contribuir para a construção de uma relação sustentável entre o homem e a natureza, contribuir para o crescimento econômico inclusivo e sustentável da região e criar possibilidades de alavancar o turismo sustentável. “É incrível ser reconhecido. Isso motiva a equipe a continuar os trabalhos que demandam muito esforço e dedicação”, comemora.

Propriedade inova na produção de café

Já na categoria Produtor Rural, o vencedor foi o projeto “Na Contramão do Sistema Tradicional”, da Fazenda São Sebastião, em Sooretama. Em 2009, a propriedade começou uma transformação no manejo das lavouras de café conilon, apostando nessa inovação para aumentar o valor do seu produto e conseguir melhores preços.
O produtor Tiago Camiletti utilizou técnicas como a intensificação da poda programada, o adensamento do plantio, mudanças na maneira de adubar, além da tática que ele considera mais ousada: o consórcio do café com a braquiária, um tipo de capim que é utilizado para proteger o solo e aumentar a umidade. O resultado foi a transformação do cultivo dos 5,5 hectares de café plantados na fazenda em um produto econômico, social e ambientalmente sustentável.
"Nosso Estado é o maior produtor de conilon do Brasil, então nós temos que levar isso em consideração, praticando uma agricultura responsável. É preciso entender que meio ambiente e agricultura andam lado a lado. Nós conseguimos produzir muito mais sendo menos agressivos, desmatando menos e agredindo menos o meio ambiente"
Tiago Camiletti - Produtor rural e responsável pelo projeto

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