Sair
Assine
Entrar

Dia Nacional de Combate ao Fumo

Especialistas dão 7 razões para deixar de fumar

No Dia Nacional de combate ao fumo, a Revista.AG ouviu especialistas para te mostrar como o cigarro afeta as estruturas e o funcionamento do organismo

Publicado em 29 de Agosto de 2021 às 02:00

Guilherme Sillva

Publicado em 

29 ago 2021 às 02:00
Mulher quebra cigarro
O tabagismo está associado ao surgimento de uma série de alterações no organismo Crédito: Freepik
O Dia Nacional de Combate ao Fumo, comemorado neste domingo (29 de agosto), é uma campanha criada em 1986 que até hoje serve como forma de conscientização, sensibilização e mobilização da população acerca dos danos causados pelo tabagismo, ajudando assim na luta contra o vício. E engana-se quem acredita que as consequências do tabagismo estão apenas ligadas ao aparelho respiratório.
Além dos danos ambientais, econômicos e sociais, o cigarro também pode afetar o organismo como um todo. Figurando como a principal causa de morte evitável em todo o mundo, o tabagismo está associado ao surgimento de uma série de alterações no organismo, afetando, por exemplo, a fertilidade, a pele, os cabelos e o cérebro. Não acredita? Especialistas de diversas áreas explicam como o cigarro afeta as estruturas e o funcionamento do organismo. Confira. 

Fertilidade.

Muitos produtos químicos nos cigarros são tóxicos para o cérebro, estando associados ao declínio mental e à demência. “O acetato de chumbo, por exemplo, é uma das substâncias tóxicas que possuem efeito cumulativo para o organismo, na medida em que o chumbo não é eliminado. Então, há um risco de danos celulares e desenvolvimento de tumores”, explica o médico neurologista e neuro-oncologista Gabriel Novaes de Rezende Batistella, membro da Society for Neuro-Oncology Latin America. E o mesmo vale para o fumo passivo. “Por isso, converse com outras pessoas de sua família sobre parar de fumar também. Todos ficarão mais saudáveis se sua casa e seu carro forem protegidos da fumaça do cigarro”, completa.
O tabagismo é um dos principais fatores envolvidos no envelhecimento da pele, favorecendo o surgimento de flacidez, rugas e manchas. “Estudos apontam que o risco de rugas moderadas a graves em fumantes ao longo da vida é mais de duas vezes maior do que em fumantes que haviam fumado por menos tempo”, afirma Roberta Padovan, médica pós-graduada em Dermatologia e Medicina Estética. Isso ocorre porque o cigarro contém substâncias tóxicas que causam a vasoconstrição periférica por um período de dez minutos, o que diminui o fluxo sanguíneo para o tecido cutâneo e cabelos. “Como resultado, podemos notar uma perda de viço e luminosidade da pele, além do amarelamento do tecido e a diminuição da firmeza por conta da oxigenação e nutrição reduzidas”, explica a dermatologista Paola Pomerantzeff, membro da Sociedade Brasileira de Dermatologia.
O cigarro também pode prejudicar o couro cabeludo e, consequentemente, os fios. “Para manter-se saudável e crescer adequadamente, o couro cabeludo precisa de oxigenação e nutrição, que são prejudicadas devido à vasoconstrição provocada pelo cigarro. Além disso, as substâncias tóxicas contidas no produto chegam ao couro cabeludo pela corrente sanguínea, gerando um quadro inflamatório que torna a região mais suscetível a sofrer com problemas como psoríase, dermatite seborreica, irritação, afinamento e quebra dos fios e até mesmo queda capilar”, alerta o dermatologista Daniel Cassiano, da Clínica GRU Saúde.
O cigarro é extremamente prejudicial para o coração. “Cada vez que você inala a fumaça do cigarro, sua frequência cardíaca e sua pressão arterial aumentam temporariamente. Seu coração tem que bater mais forte e mais rápido do que o normal. Os níveis de colesterol também ficam fora de controle, já que a fumaça do cigarro aumenta os níveis de LDL, ou colesterol ‘ruim’, e de uma gordura no sangue chamada triglicerídeos. Isso faz com que uma placa de gordura se acumule em suas artérias, aumentando o risco de ataques cardíacos”, explica o médico cardiologista e geriatra Juliano Burckhardt, membro  da Sociedade Brasileira de Cardiologia (SBC). Logo, parar de fumar é uma excelente maneira de melhorar a saúde cardíaca. “Apenas 20 minutos após parar, sua pressão arterial e frequência cardíaca diminuem. Em 2 a 3 semanas, seu fluxo sanguíneo começa a melhorar. Depois de um ano sem cigarros, você tem metade da probabilidade de sofrer com alguma doença cardíaca do que quando fumava. Após 5 anos, o risco é quase o mesmo do que de alguém que nunca acendeu um cigarro”, afirma o médico.
O hábito de fumar é capaz de influenciar até mesmo nos aspectos nutricionais do organismo. “Por atuar no sistema nervoso central, o cigarro causa uma diminuição do apetite, pois afeta a atividade de neurotransmissores que são responsáveis pelo controle da fome, além de alterar o paladar e o olfato, reduzindo o gosto e o aroma dos alimentos”, diz a médica nutróloga Marcella Garcez, da Associação Brasileira de Nutrologia (Abran). “Além disso, o cigarro promove um efeito termogênico, acelerando o metabolismo, o que leva ao emagrecimento e reduz a oxigenação dos tecidos do organismo, que causa envelhecimento precoce e acelerado”.
O tabagismo promove o aparecimento de infecções vaginais. “O tabaco diminui o número de lactobacilos, que são bactérias de defesa presentes no organismo e são fundamentais para a flora vaginal, para manter o pH normal da vagina. Se não tivermos lactobacilos, há uma chance maior de infecções. A paciente pode começar a ter um corrimento, às vezes até com cheiro, um odor característico, porque há um desvio da flora e isso é considerado uma infecção, uma vaginose”, explica a ginecologista e obstetra Eloisa Pinho. Há ainda um outro problema, com relação à lubrificação íntima: “Além do muco normal de uma vagina saudável, também a lubrificação que facilita as relações sexuais pode ficar comprometida. A própria nicotina faz vasoconstrição, ou seja, a diminuição do fluxo sanguíneo presente em qualquer órgão. Essa mesma vasoconstrição vai diminuir a produção de secreção por parte das glândulas aí existentes, originando secura vaginal e diminuição de lubrificação. Deste modo, a saúde vaginal torna-se mais vulnerável e as relações sexuais podem ser dolorosas”, diz a ginecologista.
O cigarro é um dos principais causadores da infertilidade, pois os componentes tóxicos presentes no produto, como a nicotina e o alcatrão, pioram severamente a qualidade reprodutiva. “Nas mulheres, o tabagismo é capaz de favorecer a deterioração dos óvulos, envelhecendo-os em até dez anos e acelerando o início da menopausa, o que é especialmente prejudicial, quando as mulheres estão querendo engravidar cada vez mais velhas. Já nos homens, o hábito de fumar diminui a quantidade de espermatozoides e fragmenta o DNA do esperma, reduzindo assim a capacidade de fecundação, além de também contribuir para a perda do apetite sexual e a disfunção erétil”, afirma Rodrigo Rosa, especialista em reprodução humana da Clínica Mater Prime.

Este vídeo pode te interessar

Viu algum erro?
Fale com a redação
Informar erro!

Notou alguma informação incorreta no conteúdo de A Gazeta? Nos ajude a corrigir o mais rapido possível! Clique no botão ao lado e envie sua mensagem

Fale com a gente

Envie sua sugestão, comentário ou crítica diretamente aos editores de A Gazeta

A Gazeta integra o

Saiba mais

Recomendado para você

Imagem BBC Brasil
A corrida para rastrear passageiros que desembarcaram do navio atingido por surto de hantavírus
Viatura da Polícia Rodoviária Federal (PRF) durante operação em estrada
Acidente entre motos interdita totalmente trecho da BR 262 no ES
Imagem de destaque
Helicóptero de Henrique e Juliano cai no Tocantins

© 1996 - 2024 A Gazeta. Todos os direitos reservados