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Atividade física pode proteger o cérebro contra o Alzheimer? Entenda o que se sabe

Hábitos relacionados ao estilo de vida estão entre os fatores estudados por seu papel na manutenção da saúde cerebral ao longo dos anos

Publicado em 16 de Setembro de 2026 às 16:14

Portal Edicase

Publicado em 

16 set 2026 às 16:14
Atividade física, alimentação equilibrada e estímulos cognitivos estão entre as estratégias que podem contribuir para a saúde cerebral (Imagem: pics five | Shutterstock)
Atividade física, alimentação equilibrada e estímulos cognitivos estão entre as estratégias que podem contribuir para a saúde cerebral Crédito: Imagem: pics five | Shutterstock

Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), a doença de Alzheimer está entre os tipos mais comuns de demência e representa cerca de 60% a 70% dos casos em todo o mundo. No Brasil, a estimativa também chama a atenção: de acordo com o “Relatório Nacional sobre a Demência: Epidemiologia, (re)conhecimento e projeções futuras”, do Ministério da Saúde, mais de 5 milhões de brasileiros poderão ser diagnosticados com demência até 2050.

Diante desse cenário, a conscientização sobre a doença se torna cada vez mais importante. A campanha nacional Setembro Lilás reúne ações ao longo do mês para chamar a atenção para o Alzheimer e outros tipos de demência. Embora o Alzheimer ainda não tenha cura definitiva, a doença conta com tratamentos que podem contribuir para a qualidade de vida dos pacientes.

Mas o que é a doença de Alzheimer?

A doença de Alzheimer é um transtorno neurodegenerativo progressivo que provoca alterações no cérebro. Ao longo do tempo, esse transtorno compromete a memória, o raciocínio, a linguagem e a capacidade de realizar as atividades do dia a dia. Apesar de ainda não ter uma causa definida, alguns fatores de risco já são associados à doença de Alzheimer, como idade avançada e histórico familiar.

“A idade é o principal fator de risco, mas envelhecer não significa necessariamente desenvolver Alzheimer. Também estão associados ao risco fatores genéticos e familiares, além de hipertensão, diabetes, colesterol elevado, sedentarismo, tabagismo, perda auditiva não tratada, isolamento social e baixa estimulação cognitiva, entre outros”, explica a professora da Faculdade Ciências Médicas de Minas Gerais (FCM-MG), Dra. Elisa de Paula França Resende.

Segundo o Ministério da Saúde, o quadro clínico desse transtorno costuma ser dividido em quatro estágios:

  • Estágio 1 (forma inicial): com alterações na memória, na personalidade e nas habilidades visuais e espaciais dos pacientes;
  • Estágio 2 (forma moderada): dificuldade na fala, na realização de tarefas simples e na coordenação de movimentos, além de agitação e insônia;
  • Estágio 3 (forma grave): dificuldade para realizar tarefas diárias, incontinência urinária e fecal, dificuldade para comer e deficiência motora progressiva;
  • Estágio 4 (terminal): restrição ao leito, mutismo, dor ao engolir e infecções intercorrentes.

Principais sinais de alerta

O avanço do Alzheimer acontece de forma gradual e irreversível. Um dos principais sinais de alerta dessa doença silenciosa é a perda de memória recente. “Quando a pessoa esquece de acontecimentos recentes, passa a repetir perguntas ou histórias e não consegue se lembrar depois, mesmo recebendo pistas”, reforça a professora da FCM-MG.

Mas há outros sinais, como dificuldade para encontrar palavras; organizar tarefas que antes eram simples; lidar com dinheiro ou medicamentos; orientar-se em lugares conhecidos e tomar decisões. Mudanças de comportamento, apatia ou maior dificuldade para acompanhar conversas também podem ocorrer.

“Pequenos esquecimentos fazem parte do envelhecimento normal. A preocupação é quando as alterações são progressivas, mais frequentes e começam a interferir no funcionamento habitual da pessoa”, enfatiza a Dra. Elisa de Paula França Resende.

O diagnóstico precoce do Alzheimer favorece o início do tratamento e permite planejar os cuidados enquanto a pessoa mantém a autonomia (Imagem: Yuganov Konstantin | Shutterstock)
O diagnóstico precoce do Alzheimer favorece o início do tratamento e permite planejar os cuidados enquanto a pessoa mantém a autonomia Crédito: Imagem: Yuganov Konstantin | Shutterstock

Como funciona o diagnóstico?

O início da investigação da doença de Alzheimer conta com uma avaliação clínica, que inclui conversas com o paciente e seus familiares, a avaliação da memória e de outras funções cognitivas, além da verificação do impacto dos sintomas nas atividades cotidianas. Exames de sangue e exames de imagem, como a ressonância magnética, também ajudam a investigar outras possíveis causas. Entre os profissionais que podem conduzir essa investigação estão neurologistas, geriatras e psiquiatras.

“O diagnóstico precoce permite que o tratamento seja iniciado no momento mais adequado e, principalmente, que a pessoa participe das decisões sobre seu próprio futuro enquanto ainda mantém autonomia. É possível planejar questões familiares, financeiras e de cuidados, orientar familiares e cuidadores e tratar condições que podem piorar a cognição”, explica a especialista.

Hábitos que ajudam no tratamento

Apesar de ainda não ter uma cura definitiva, a doença de Alzheimer possui, além dos tratamentos medicamentosos, alguns hábitos e estratégias que podem auxiliar na manutenção da autonomia e das funções cognitivas da pessoa afetada.

A prática regular de atividade física está associada a uma menor incidência de demência e pode contribuir para reduzir a progressão da doença. “Pessoas que praticam exercícios físicos regularmente, especialmente atividades aeróbicas que elevam a frequência cardíaca, apresentam menor incidência de demência. Esse tipo de exercício está relacionado tanto à prevenção da doença quanto à redução da sua progressão em pessoas que já foram diagnosticadas com demência”, destaca a professora da FCM-MG.

Além das atividades físicas, a Dra. Elisa de Paula França Resende recomenda manter uma vida social ativa, estimular o cérebro por meio de atividades prazerosas e significativas, cuidar da saúde auditiva e visual e adotar uma alimentação equilibrada.

“É essencial controlar adequadamente pressão arterial, diabetes e colesterol, além de garantir um sono de boa qualidade. Para quem já apresenta comprometimento cognitivo, rotinas estruturadas, calendários, lembretes e adaptações no ambiente podem ajudar a preservar a independência e a segurança. O mais importante é estimular a pessoa sem infantilizá-la e permitir que continue realizando, com segurança, tudo aquilo que ainda consegue fazer”, finaliza a especialista.

Por Maristela Chaves

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