Sair
Assine
Sair
Entrar

Recuperar senha

Já tem uma conta?

Acesse aqui

Cadastrar nova senha

Já tem uma conta?

Acesse aqui

  • Início
  • Se Cuida
  • Entenda como o fluxo intestinal e a conduta alimentar influenciam a saúde mental
Se cuida

Entenda como o fluxo intestinal e a conduta alimentar influenciam a saúde mental

Nutricionista alerta não haver um alimento milagroso contra ansiedade e depressão, mas que uma rotina alimentar consistente pode ser aliada da estabilidade emocional

Publicado em 14 de Agosto de 2026 às 12:14

Portal Edicase

Publicado em 

14 ago 2026 às 12:14
Reduzir ultraprocessados e bebidas açucaradas, consumir boas fontes de proteína e priorizar alimentos naturais são algumas das estratégias que ajudam a cuidar da saúde mental (Imagem: Andrii Iemelianenko | Shutterstock)
Reduzir ultraprocessados e bebidas açucaradas, consumir boas fontes de proteína e priorizar alimentos naturais são algumas das estratégias que ajudam a cuidar da saúde mental (Imagem: Andrii Iemelianenko | Shutterstock) Crédito:

Segundo o inquérito Covitel 2023, do Observatório da Saúde Pública da Umane, 26,8% da população brasileira é afetada pela ansiedade. Para o nutricionista Danilo Macena, parte da resposta para esse cenário pode estar em um órgão pouco associado à saúde mental: o intestino. É dali que parte o chamado eixo intestino-cérebro, sistema de comunicação constante entre o órgão e o sistema nervoso central que, de acordo com o especialista, tem papel relevante, embora não isolado, na forma como o corpo regula humor, ansiedade e bem-estar emocional.

“O eixo intestino-cérebro é uma comunicação que acontece de forma constante entre os órgãos. Essa conversa acontece por meio do nervo vago, do sistema imunológico e de hormônios e substâncias produzidas pela microbiota intestinal”, explica.

Um intestino saudável, conforme Danilo Macena, ajuda a controlar inflamações e participa da produção de neurotransmissores ligados ao equilíbrio emocional. Já um intestino inflamado, com a microbiota desequilibrada, está associado a maior ansiedade , depressão e alterações de humor. Isso ganha relevância em um país que, segundo o relatório da Organização Mundial da Saúde (OMS), tem a maior prevalência de depressão da América Latina, com 12,7% da população convivendo com o transtorno.

O que comer e o que evitar?

Para o nutricionista, porém, um erro comum é demonizar um único alimento. “Nenhum alimento pode causar uma ansiedade sozinho. Mas existem alguns padrões alimentares que podem favorecer isso, como o consumo excessivo e frequente de ultraprocessados, açúcar, doces, fast food , bebidas alcoólicas e grandes quantidades de cafeína em pessoas mais sensíveis”, afirma Danilo Macena.

Esses alimentos aumentam a inflamação intestinal, provocam picos e quedas rápidas de glicemia e alteram o equilíbrio da microbiota, favorecendo bactérias maléficas em detrimento das benéficas, fator muito associado a uma piora no controle do humor.

Do lado oposto, uma alimentação variada e rica em alimentos naturais pode contribuir positivamente, como peixes ricos em ômega 3 (salmão, sardinha), frutas, verduras, leguminosas, oleaginosas, iogurtes fermentados com lactobacilos e cereais integrais. “Esses alimentos fornecem vitaminas, minerais, fibras e antioxidantes importantes para o cérebro e para a microbiota intestinal. Não existe um superalimento da felicidade, e sim uma alimentação consistente e equilibrada”, pontua.

Fome emocional

Danilo Macena também chama atenção para a chamada fome emocional, ou seja, o uso da comida para aliviar ansiedade, tristeza, estresse ou frustração. Segundo ele, uma dieta pobre em proteínas e fibras pode aumentar a vontade de consumir doces, mas sono ruim e estresse crônico também são fatores determinantes.

Em consultório, o nutricionista avalia em conjunto oscilação de humor, qualidade do sono , nível de ansiedade e funcionamento intestinal. “Quando esses fatores aparecem juntos, frequentemente encontramos uma alimentação desorganizada, contribuindo para um quadro emocional mais grave, e o paciente normalmente não percebe essa relação”, diz.

A alimentação pode contribuir para o bem-estar emocional, mas não substitui o acompanhamento de profissionais no tratamento de transtornos mentais (Imagem: Pixel-Shot | Shutterstock)
A alimentação pode contribuir para o bem-estar emocional, mas não substitui o acompanhamento de profissionais no tratamento de transtornos mentais Crédito: Imagem: Pixel-Shot | Shutterstock

Mitos sobre alimentação e saúde mental

O especialista faz questão de desmentir crenças populares recorrentes em nas redes sociais e no consultório, como a ideia de que um único alimento aumenta a serotonina o suficiente para tratar ansiedade ou depressão, de que chocolate “cura” depressão , de que banana eleva significativamente a serotonina, ou de que suplementos e soroterapia substituem tratamento médico.

“Nenhum alimento ou suplemento sozinho resolve um transtorno mental. A alimentação é uma ferramenta importante, mas faz parte de um tratamento muito mais amplo”, reforça.

A ressalva ganha peso diante dos números: segundo a OMS, depressão e ansiedade juntas custam cerca de US$ 1 trilhão por ano à economia global, e os transtornos mentais já são a segunda maior causa de incapacidade de longo prazo no mundo. Para quadros diagnosticados, Danilo Macena defende o tratamento multidisciplinar, com nutricionista, psicólogo e, quando necessário, psiquiatra atuando de forma complementar.

Hábitos que favorecem o bem-estar

Para quem quer começar a agir hoje, o nutricionista resume a orientação em três pilares: comer comida de verdade na maioria das refeições, incluir boas fontes de proteína magra em todas as refeições e reduzir drasticamente ultraprocessados e bebidas açucaradas.

“Se a pessoa também melhora o sono e pratica exercício físico, é comum perceber mais disposição e estabilidade de humor já em poucas semanas. A saúde mental não depende de um único alimento, ela é construída diariamente por um conjunto de hábitos saudáveis”, conclui Danilo Macena.

Por Enzo Tres

Viu algum erro?
Fale com a redação
Informar erro!

Notou alguma informação incorreta no conteúdo de A Gazeta? Nos ajude a corrigir o mais rapido possível! Clique no botão ao lado e envie sua mensagem

Fale com a gente

Envie sua sugestão, comentário ou crítica diretamente aos editores de A Gazeta

A Gazeta integra o

Saiba mais

Recomendado para você

Lucio Mauro Filho
Câncer de intestino: os sinais de alerta da doença que afetou Lúcio Mauro Filho
Estaleiro Seatrium, em Aracruz
Estaleiro abre novas oportunidades de emprego em Aracruz
Moto pega fogo após acidente na ES181 em Muniz Freire
Dois homens morrem após moto pegar fogo em acidente em Muniz Freire

© 1996 - 2024 A Gazeta. Todos os direitos reservados