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Muitas pessoas, por desconhecimento, acreditam que a perda involuntária de urina é normal com o envelhecimento. No entanto essa condição, que afeta principalmente idosos e mulheres e pode impactar negativamente na qualidade de vida, não é normal e tem tratamento.
Levantamento realizado pela Sociedade Brasileira de Urologia (SBU) com dados do Ministério da Saúde apontam que de 2020 a 2024 foram realizados mais de 29,3 mil procedimentos cirúrgicos para tratar a incontinência urinária.
Estima-se que cerca de 45% das mulheres e 15% dos homens acima de 40 anos tenham incontinência urinária. Os escapes podem ocorrer, mesmo em pequenas quantidades, após atividades como espirrar, rir, tossir, exercitar-se e fazer esforços. Ou até mesmo pela vontade súbita de urinar, algumas vezes não dando tempo de a pessoa chegar ao banheiro.
“Muitos pacientes sofrem anos calados com escapes de urina por vergonha de procurar um especialista e acabam recorrendo a soluções como fraldas ou absorventes ou até mesmo recusando o convívio social pelo medo de perder urina em público”, ressalta o urologista Luiz Otavio Torres, presidente da SBU.
A incontinência urinária pode ser dividida em três principais categorias:
Incontinência urinária por esforço – é o tipo mais comum, sendo caracterizada pela perda urinária ao fazer esforços como tossir, rir, espirrar, exercitar-se ou carregar peso. Corresponde a cerca de 40 a 70% dos casos de incontinência urinária em mulheres.
Incontinência urinária de urgência – é identificada pela vontade súbita e incontrolável de urinar; é também chamada de bexiga hiperativa.
Incontinência mista – associa os dois tipos de incontinência.
Entre os fatores que podem influenciar no surgimento da incontinência destacam-se:
Envelhecimento
Sexo feminino
Histórico familiar
Gestação
Tabagismo
Diabetes
Sobrepeso e obesidade
Exercícios de alto impacto (quando não há avaliação e acompanhamento adequados)
Doenças neurológicas como Parkinson e esclerose múltipla
Cirurgias pélvicas e na próstata (principalmente para tratamento do câncer)
Na terceira idade, a perda de urina está associada ao enfraquecimento dos músculos do assoalho pélvico, diminuição da capacidade de armazenamento da bexiga, aumento da próstata (no caso dos homens), problemas neurológicos, diabetes, ingestão de certos medicamentos etc.
"A incontinência urinária pode ser prevenida ou minimizada com medidas simples ao longo da vida. Para os idosos, a prática regular de atividades físicas para fortalecimento da autonomia física e cognitiva e da musculatura pélvica, hábitos saudáveis – incluindo controle do peso, alimentação equilibrada e consumo adequado de líquidos – são fundamentais. Além disso, evitar tabagismo e tratar condições como diabetes, hipertensão, obesidade e doenças neurológicas, ajudam a reduzir os riscos", diz a médica Karin Jaeger Anzolch.
Nos homens, a saúde da próstata deve ser acompanhada de perto, não somente com relação ao câncer, mas também pelo crescimento benigno da glândula(hiperplasia prostática benigna), que costuma causar sintomas urinários, podendo levar à incontinência.
Já durante a gravidez, a disfunção está relacionada a questões como alterações hormonais, relaxamento dos músculos do assoalho pélvico, crescimento do útero e compressão da bexiga. “Nesse caso, a prevenção passa por um bom acompanhamento médico, fortalecimento do assoalho pélvico com exercícios específicos e controle do ganho de peso. O preparo do corpo para o parto, com orientações sobre a melhor forma de proteger a musculatura perineal, também contribui para reduzir o risco de incontinência no pós-parto", alerta Karin.
Quando não tratada, a incontinência urinária pode impactar negativamente no dia a dia, pois a pessoa tende a evitar sair de casa com medo dos escapes.
Atualmente há diversas opções de tratamento, recomendados de acordo com cada caso, como mudanças comportamentais, o controle da ingestão de líquido, urinar periodicamente, não fumar, evitar produtos à base de cafeína, tratar a constipação, exercitar-se; e medicamentos; xercícios para fortalecimento do assoalho pélvico (fisioterapia pélvica); estimulação elétrica dos músculos do assoalho pélvico; toxina botulínica na bexiga (em casos de bexiga hiperativa); e cirurgia para implantação de sling ou esfíncter artificial.
Uma nova tecnologia para o tratamento da bexiga hiperativa já vem sendo utilizada com sucesso em outros países e tem previsão de chegar ao Brasil em 2026. Trata-se de um dispositivo implantado no nervo tibial (próximo ao tornozelo) para estímulo crônico da bexiga e controle da incontinência urinária de urgência.
“O tratamento da incontinência urinária é de extrema importância para a melhora da qualidade de vida dos portadores dessa condição, visto que devolve a dignidade, a autoestima e o convívio social a um grupo de pessoas que sofrem em silêncio”, ressalta Fornari.