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Se cuida

Fadiga persistente: 6 exames que ajudam a descobrir a causa do cansaço

Deficiências nutricionais ou desequilíbrios hormonais comuns podem afetar a disposição no dia a dia

Publicado em 07 de Agosto de 2026 às 17:14

Portal Edicase

Publicado em 

07 ago 2026 às 17:14
Cansaço que não melhora com sono ou férias pode ser sintoma de deficiências nutricionais ou desequilíbrios hormonais comuns (Imagem: Pixel-Shot | Shutterstock)
Cansaço que não melhora com sono ou férias pode ser sintoma de deficiências nutricionais ou desequilíbrios hormonais comuns Crédito: Imagem: Pixel-Shot | Shutterstock

Em meio à correria do dia a dia e às demandas da rotina, sentir-se mais cansado em alguns momentos é algo comum. No entanto, quando essa sensação se torna frequente e continua mesmo após períodos adequados de descanso, é importante ficar atento. A fadiga persistente pode afetar a disposição, o desempenho nas atividades diárias e até mesmo tarefas que antes eram realizadas com facilidade. Nesses casos, o sintoma pode estar relacionado a alterações no organismo que podem ser identificadas por meio de exames de sangue.

“A fadiga é um dos sintomas mais inespecíficos que existem e, por isso mesmo, um dos mais negligenciados. Ela pode ser a primeira manifestação de hipotireoidismo, anemia por deficiência de ferro ou carência de vitamina D ou B12, muito antes de qualquer outro sinal aparecer. O erro mais comum é tratar o sintoma com mais uma xícara de café e adiar a investigação”, explica a endocrinologista Cristina Khawali, do Delboni e Lavoisier, laboratórios da Dasa.

A investigação da fadiga persistente costuma passar por seis exames: hemograma completo, ferro e ferritina, vitamina B12, vitamina D, TSH e glicemia. Juntos, eles cobrem as causas mais frequentes de cansaço crônico na população adulta. Abaixo, entenda como funciona cada um deles.

1. Hemograma: o primeiro exame a descartar anemia

O hemograma completo mostra alterações na quantidade e na qualidade dos glóbulos vermelhos, os responsáveis por transportar oxigênio pelo corpo. Quando a hemoglobina cai, o oxigênio chega em menor quantidade aos tecidos e o corpo reage com cansaço, palidez e falta de fôlego para esforços que antes eram triviais.

“O hemograma é a porta de entrada da investigação. Ele não aponta a causa da anemia, mas confirma se ela existe e orienta os próximos exames, como ferro e ferritina”, afirma Cristina Khawali.

2. Ferro e ferritina: a causa mais comum de fadiga em mulheres

A deficiência de ferro é a carência nutricional mais prevalente do mundo e atinge principalmente mulheres em idade fértil. Segundo dados do Ministério da Saúde, a prevalência de anemia entre mulheres brasileiras é de aproximadamente 29,4%, e a anemia por deficiência de ferro responde por 90% dos casos de anemia no país.

A ferritina, exame que mede o estoque de ferro do organismo, costuma ser o dado que falta na investigação. É possível ter reservas de ferro baixas — e já sentir fadiga por isso — antes mesmo de a anemia aparecer no hemograma.

“Peço ferritina sempre com o hemograma. Muita gente já tem o estoque de ferro comprometido antes de desenvolver anemia, e é nessa fase que a fadiga costuma começar”, diz a médica.

3. Vitamina B12: energia na origem, na mitocôndria

A vitamina B12 , ou cobalamina, participa diretamente da produção de energia dentro das mitocôndrias, as estruturas das células responsáveis por gerar adenosina trifosfato (ATP). Uma revisão publicada na revista científica Nutrients, intitulada “ Vitamins and Minerals for Energy, Fatigue and Cognition: A Narrative Review of the Biochemical and Clinical Evidence “, que reuniu evidências sobre vitaminas, minerais, fadiga e cognição, mostra que deficiências mesmo moderadas de B12, ferro, magnésio e zinco já são suficientes para causar fadiga física e mental em pessoas saudáveis.

Vegetarianos, veganos, idosos e pessoas com alterações na absorção intestinal formam o grupo de maior risco para a deficiência de B12, que também pode causar formigamento, falhas de memória e alterações de humor. “Sem B12 suficiente, a mitocôndria não produz energia direito, e nenhuma noite de sono é capaz de reverter esse tipo de exaustão”, observa Cristina Khawali.

Passar pouco tempo ao ar livre e a rotina em ambientes fechados podem contribuir para níveis inadequados de vitamina D (Imagem: Fida Olga | Shutterstock)
Passar pouco tempo ao ar livre e a rotina em ambientes fechados podem contribuir para níveis inadequados de vitamina D Crédito: Imagem: Fida Olga | Shutterstock

4. Vitamina D: deficiência comum mesmo em país tropical

Um estudo coordenado por pesquisadores da Fiocruz Bahia, publicado no Journal of the Endocrine Society, chamado “ Epidemiology of Vitamin D (EpiVida)-A Study of Vitamin D Status Among Healthy Adults in Brazil “, avaliou a vitamina D em mais de mil adultos saudáveis de Salvador, Curitiba e São Paulo e encontrou prevalência de 15,3% de deficiência e 50,9% de insuficiência no país, mesmo durante o verão. Em São Paulo, a deficiência isolada chegou a 20,5% dos participantes.

A vitamina D atua em receptores presentes em praticamente todas as células do corpo, incluindo as musculares e neuronais, e participa da regulação do metabolismo energético e do humor. “O Brasil tem sol o ano todo, mas isso não significa que a população tenha vitamina D adequada. Rotina em ambientes fechados, uso de protetor solar e hábitos do dia a dia reduzem muito a produção da vitamina pela pele”, diz a endocrinologista.

5. TSH: quando a tireoide desacelera o corpo todo

O TSH é o hormônio que regula o funcionamento da tireoide, glândula responsável por controlar o metabolismo do corpo. Quando a tireoide produz hormônio de menos, o metabolismo desacelera e a fadiga surge ao lado de ganho de peso, sonolência e raciocínio mais lento.

Segundo o Departamento de Tireoide da Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia (SBEM), o hipotireoidismo predomina em cerca de 10% das mulheres, podendo chegar a 15% na menopausa, contra uma prevalência de aproximadamente 3% entre os homens.

“O hipotireoidismo é uma das causas mais comuns de fadiga em mulheres, e uma das mais fáceis de tratar quando bem diagnosticado. Basta um exame de sangue”, afirma Cristina Khawali.

6. Glicemia: fadiga como sinal metabólico

A glicemia completa o painel de rastreio porque tanto o açúcar alto quanto oscilações bruscas de glicose no sangue cursam com cansaço, sonolência após as refeições e dificuldade de concentração. É um exame simples, de baixo custo, que costuma revelar alterações metabólicas antes de qualquer outro sintoma aparecer.

“A glicemia entra no painel porque o diabetes muitas vezes não dá sintoma nenhum além do cansaço. É um exame barato que pode antecipar um diagnóstico em anos”, diz a médica.

Quando procurar um médico

A recomendação da endocrinologista é simples: fadiga que dura mais de duas ou três semanas, que não melhora com sono adequado e que interfere no trabalho ou na rotina merece investigação, não suplementação por conta própria.

“Suplementar ferro, vitamina D ou B12 sem exame pode mascarar um diagnóstico mais sério, atrasar o tratamento certo e, em alguns casos, causar efeitos adversos. O caminho seguro é sempre realizar uma história clínica do paciente, fazer o exame físico e pedir os exames de acordo com a queixa e antecedentes do paciente. Hoje isso é mais simples do que parece: além de ir ao laboratório, é possível agendar a mesma coleta em casa, sem alterar a rotina”, conclui Cristina Khawali.

Por Bárbara Cheffer

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