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Entenda

Gordura no fígado: os sinais silenciosos que você pode estar ignorando

A doença está diretamente relacionada aos hábitos de vida e pode ser prevenida com mudanças no estilo de vida

Publicado em 19 de Junho de 2026 às 15:13

Guilherme Sillva

Publicado em 

19 jun 2026 às 15:13
Gordura no abdome
A gordura no fígado ocorre quando as células do fígado começam a acumular excesso de triglicerídeos Shutterstock

A gordura no fígado, também conhecida como esteatose hepática, é uma condição cada vez mais comum entre os brasileiros e que merece atenção por, na maioria dos casos, não apresentar sintomas. O problema ocorre quando há acúmulo excessivo de gordura nas células do fígado, podendo provocar inflamação e comprometer o funcionamento do órgão.


Segundo a gastroenterologista Carolina Casotti, da Rede Meridional, o grande desafio é que a doença costuma evoluir de forma silenciosa. "Na maioria das vezes, a gordura no fígado não causa sintomas e acaba sendo descoberta em exames de rotina. Por isso, é importante manter o acompanhamento médico periódico, principalmente entre pessoas que apresentam fatores de risco", explica.


Embora a maioria dos pacientes permaneça sem sintomas, algumas pessoas podem sentir desconforto ou sensação de peso no lado direito do abdômen. Já nas fases mais avançadas, podem surgir sinais como pele e olhos amarelados, aumento do abdômen por acúmulo de líquidos, manchas roxas na pele, sangramentos e sonolência, indicando comprometimento da função hepática.


Entre as principais causas da doença estão hábitos de vida inadequados, como alimentação rica em alimentos ultraprocessados e gordurosos, sedentarismo e excesso de peso. Diabetes, colesterol e triglicerídeos elevados, hipertensão arterial, consumo excessivo de bebidas alcoólicas e fatores genéticos também favorecem o desenvolvimento da esteatose hepática.

A gastroenterologista Fátima Sobral, da MedSênior, diz que a principal causa da gordura no fígado está relacionada ao excesso de peso, à obesidade, ao diabetes, ao colesterol elevado e ao sedentarismo. "Uma alimentação rica em alimentos ultraprocessados, açúcares e gorduras também contribui significativamente para o desenvolvimento da doença".

Um dos grandes desafios é que a esteatose hepática costuma não apresentar sintomas claros nos estágios iniciais. Por isso, muitos pacientes convivem com a doença durante anos sem saber.

Apesar de ser considerada silenciosa, alguns sinais indiretos podem servir de alerta. O aumento da gordura abdominal, o ganho de peso progressivo, alterações nos níveis de glicose, colesterol e triglicerídeos, além de exames de sangue com elevação das enzimas hepáticas, podem indicar a necessidade de uma investigação mais aprofundada.

"A gordura no fígado raramente provoca sintomas no começo. Em muitos casos, o diagnóstico acontece durante exames de rotina ou avaliações realizadas por outros motivos. Por isso, é importante manter o acompanhamento médico regular, especialmente para quem possui fatores de risco", destaca Fátima Sobral.

Quando os sintomas aparecem, geralmente a doença já está em um estágio mais avançado. Entre as manifestações mais comuns estão cansaço frequente, sensação de peso ou desconforto no lado direito do abdômen, fraqueza e redução da disposição para as atividades do dia a dia.

A importância do tratamento

Quando não é tratada, a doença pode evoluir para quadros mais graves. "O acúmulo de gordura pode levar à inflamação do fígado e, em alguns casos, evoluir para cirrose, uma condição com complicações importantes. Além disso, a gordura no fígado está associada ao aumento do risco de doenças cardiovasculares, como infarto e acidente vascular cerebral (AVC)", alerta Casotti.

O tratamento é baseado principalmente na mudança do estilo de vida. A perda de peso, quando necessária, a prática regular de atividade física, uma alimentação equilibrada, o controle do diabetes e do colesterol, além da redução ou eliminação do consumo de bebidas alcoólicas, são medidas fundamentais para controlar a doença.

"Em alguns casos, o tratamento medicamentoso também pode ser indicado. Por isso, a avaliação médica é indispensável para identificar o estágio da doença, tratar os fatores de risco e definir a melhor estratégia para cada paciente", reforça Carolina.

Sem tratamento, a esteatose hepática pode evoluir para inflamação do órgão, conhecida como esteato-hepatite, e provocar fibrose, que é a formação de cicatrizes no tecido hepático. Em situações mais graves, pode levar à cirrose, insuficiência hepática e até ao câncer de fígado.

Além disso, estudos mostram que pessoas com gordura no fígado apresentam maior risco de desenvolver doenças cardiovasculares, como infarto e acidente vascular cerebral (AVC).

Entre os principais fatores de risco estão obesidade, excesso de gordura abdominal, diabetes tipo 2, hipertensão arterial, colesterol elevado, triglicerídeos altos, sedentarismo e histórico familiar da doença. A idade avançada também aumenta a probabilidade de desenvolvimento do problema.

A boa notícia é que, principalmente nos estágios iniciais, a gordura no fígado pode ser revertida. O tratamento é baseado, sobretudo, na adoção de hábitos saudáveis.

"A perda de peso gradual, a prática regular de atividade física e uma alimentação equilibrada são as medidas mais eficazes para reduzir a gordura acumulada no fígado. Também é fundamental controlar doenças associadas, como diabetes, hipertensão e alterações do colesterol", orienta Fátima Sobral.

Segundo a especialista, o diagnóstico precoce faz toda a diferença para evitar a progressão da doença e preservar a saúde do fígado. "Muitas vezes, pequenas mudanças de hábitos são capazes de promover uma melhora significativa do quadro. Por isso, a prevenção e o acompanhamento médico são fundamentais", diz Fátima Sobral.

A prevenção continua sendo a melhor forma de evitar complicações. Adotar hábitos saudáveis e realizar exames de rotina são atitudes que contribuem para o diagnóstico precoce e aumentam as chances de impedir a progressão da doença

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