O ator concive com diabetes tipo 1 desde a adolescência e já falou publicamente sobre a doença e a importância do acompanhamento constante. “A diabetes nada mais cobra do que cuidar da sua saúde, o que toda pessoa deveria fazer: cuidar da saúde com mais esmero. Acho importante falar isso para jovens saberem que não estão sozinhos”, disse Loreto em entrevista ao Gshow em 2018.
“Eu meço minha glicose em todos os lugares. Qualquer lugar! E aplico insulina também, lógico, não tenho problema nenhum. Não tem que ter vergonha de nada. As pessoas tomam comprimido, as pessoas tomam insulina. Se cuidar abertamente, publicamente, é um jeito legal de conscientizar as pessoas”, acrescentou.
O diabetes mellitus é marcado por um desequilíbrio no metabolismo da
glicose. “No caso da diabetes tipo 1, ocorre uma deficiência de insulina quando há destruição autoimune das células beta do pâncreas, responsáveis pela produção do hormônio. É diferente da diabetes tipo 2, caracterizada pela resistência à insulina, isto é, o organismo até produz insulina, mas as células não respondem adequadamente a ela”, explica a endocrinologista Deborah Beranger
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Segundo a médica nutróloga Marcella Garcez, a função principal da insulina é promover a entrada de glicose para as células do organismo de forma que ela possa ser utilizada em diversas atividades celulares. “A falta da insulina ou um defeito na sua ação resulta, portanto, em acúmulo de glicose no sangue, o que chamamos de hiperglicemia. A condição, quando não controlada, pode trazer consequências negativas para a visão, rins, coração, nervos e membros inferiores, além de provocar desidratação, dificuldade de cicatrização e complicações respiratórias”, alerta.
E apesar do diabetes tipo 2 representar 90% de todos os casos de diabetes, existe a hipótese de subdiagnóstico do diabetes tipo 1. “Clinicamente, os dois tipos de diabetes podem se confundir especialmente no início, pois podem causar sintomas parecidos”, acrescenta Deborah Beranger.
Sede que não passa, fome constante e idas frequentes ao banheiro, quando aparecem juntos e em alguns casos acompanhados de perda de peso inexplicada, formam um conjunto clássico de sintomas da doença conhecido como
“4 Ps” do diabetes: polidipsia (sede excessiva), polifagia (fome excessiva), poliúria (aumento da urina) e perda ponderal (redução não intencional de peso). “Os ‘3 Ps’ aparecem na fisiopatologia do diabetes como um efeito dominó bioquímico. A poliúria ocorre, pois, quando a glicose no sangue está elevada, os rins tentam eliminar esse excesso pela urina. A glicose “puxa” água junto, aumentando o volume urinário. Como consequência da perda de líquidos, o organismo entra em estado de desidratação, estimulando uma sede intensa. E, por fim, apesar do excesso de glicose circulante, as células não conseguem utilizá-la adequadamente por falta ou resistência à insulina. É como se o corpo estivesse ‘faminto em meio à abundância’, o que configura a polifagia”, destaca Deborah. “A perda de peso, que completa os “4 Ps”, ocorre porque o organismo passa a utilizar reservas de gordura e massa muscular como fonte alternativa de energia”, acrescenta.
Os ‘4 Ps’ são mais frequentemente associados ao diabetes tipo 1 e tendem a surgir de forma rápida e intensa. No entanto, também podem estar presentes na diabetes tipo 2, especialmente em fases mais avançadas ou quando o controle glicêmico está muito inadequado. “Reconhecer esses sintomas precocemente é essencial para evitar complicações. Muitas pessoas convivem com a diabetes sem diagnóstico. O resultado, seja na diabetes tipo 1 ou na diabetes tipo 2, é a hiperglicemia crônica, que ao longo do tempo pode causar danos a vasos sanguíneos, nervos, rins e olhos”, alerta a endocrinologista.
Por isso, o controle da diabetes exige uma abordagem multifatorial, que combina tratamento farmacológico e mudanças consistentes no estilo de vida. “Entre as principais estratégias estão: uso de medicamentos que podem incluir antidiabéticos orais e, em alguns casos, insulina; uso de análogos de GLP-1, que ajudam no emagrecimento de pacientes obesos e melhoram a sensibilidade à insulina; alimentação equilibrada com controle de carboidratos, priorizando alimentos in natura e ricos em fibras; monitoramento da glicemia para avaliar a resposta ao tratamento; e acompanhamento médico contínuo, que é essencial para ajustes terapêuticos e prevenção de complicações”, diz Deborah.
A prática de atividade física também é importante, principalmente no caso do diabetes tipo 2. “O exercício é capaz de aumentar a sensibilidade à insulina nas células do corpo, o que se traduz em benefícios para o organismo na medida em que, quando uma pessoa se exercita, é preciso menos insulina para manter os níveis de açúcar no sangue sob controle”, pontua Marcella Garcez. No caso do diabetes tipo 1, a prática também é benéfica, mas deve ser bem organizada e orientada. “Hoje sabemos que o diabetes pode ser bem controlado quando o paciente participa ativamente do tratamento. Informação e diagnóstico precoce fazem toda a diferença”, completa Deborah Beranger.