O Espírito Santo ganha um tratamento inovador para tratar a fibrilação atrial, que é a arritmia cardíaca mais comum, caracterizada por batimentos rápidos e totalmente irregulares devido a impulsos elétricos caóticos nos átrios do coração.
Os primeiros procedimentos foram realizados no Hospital Santa Rita para tratar fibrilação atrial por meio do sistema Volt Pulsed Field Ablation (PFA) e do cateter de ablação TactiFlex Duo.
A fibrilação atrial afeta milhões de pessoas no mundo e está associada a um risco até cinco vezes maior de acidente vascular cerebral (AVC). Ela pode causar sintomas como palpitações, falta de ar, fadiga, tontura e dor no peito. Em muitos casos, quando medicamentos e outras estratégias terapêuticas não são suficientes para controlar a condição, a ablação cardíaca minimamente invasiva torna-se uma alternativa importante para restaurar o ritmo cardíaco normal.
O sistema PFA representa uma nova geração de tecnologias para o tratamento de arritmias cardíacas. Utilizando pulsos elétricos de alta energia para atuar de forma seletiva no tecido cardíaco responsável pela alteração do ritmo cardíaco, o sistema foi desenvolvido para simplificar o fluxo do procedimento. Com um único cateter, especialistas podem realizar etapas importantes do tratamento, como mapeamento e ablação, reduzindo a necessidade de troca de dispositivos durante o procedimento. Além disso, sua plataforma foi projetada para oferecer versatilidade e adaptação a diferentes anatomias cardíacas, ampliando as opções disponíveis aos especialistas.
Já o cateter de ablação, TactiFlex Duo, oferece aos médicos ainda mais flexibilidade para personalizar o tratamento. Seu diferencial está na possibilidade de alternar de forma contínua entre duas modalidades de energia, radiofrequência e ablação por campo pulsado, durante o mesmo procedimento. Isso permite adaptar a estratégia terapêutica às necessidades clínicas e às características anatômicas de cada paciente.
Segundo eletrofisiologista Fabrício Vassalo diz que a ablação de campo pulsado não gera energia térmica, ou seja, não gera calor como na radiofrequência ou frio como na crioablação. “Até hoje contávamos apenas com uma tecnologia que se limitava a tratar a forma mais simples da fibrilação atrial. Agora, passamos a ter mais dois modelos de cateteres que permitem fazer o tratamento rápido e eficaz tanto das formas mais simples da fibrilação atrial como das mais complexas, além da possibilidade de usarmos também no tratamento das arritmias ventriculares.”
O Hospital Vitória Apart também já utilizou o PFA. Na ablação tradicional é utilizada a radiofrequência para cauterizar os focos de arritmia, geralmente ponto a ponto. Já a nova tecnologia utiliza pulsos elétricos altamente direcionados que permitem tratar vários pontos simultaneamente, em uma única aplicação.
“A fibrilação atrial acontece quando os estímulos elétricos que comandam os batimentos do coração deixam de seguir um ritmo organizado. Em vez de o coração bater de maneira coordenada, os átrios passam a apresentar uma atividade elétrica desordenada, o que provoca a irregularidade dos batimentos. A ablação busca justamente interromper os pontos que desencadeiam essa atividade anormal”, explica o cardiologista Márcio Augusto Silva, do Hospital Vitória Apart.
Na nova técnica, os pulsos elétricos são direcionados às células responsáveis pela alteração do ritmo cardíaco, reduzindo a possibilidade de atingir tecidos próximos à área tratada. O sistema é integrado a uma plataforma de mapeamento cardíaco tridimensional que permite à equipe médica visualizar o coração e identificar com precisão os locais que precisam ser tratados.
Para Márcio Augusto Silva, a principal diferença da nova tecnologia está na combinação entre precisão e eficiência. “Na prática, conseguimos tratar uma área maior de forma mais rápida e com menos aplicações. Isso reduz o tempo do procedimento e a exposição do paciente, além de permitir uma atuação mais precisa sobre as regiões que precisam ser tratadas”, afirma o cardiologista.