A queda de cabelo entre mulheres jovens tem se tornado uma queixa cada vez mais comum nos consultórios dermatológicos. Antes associada principalmente ao envelhecimento, hoje ela aparece com frequência já na faixa dos 25 aos 35 anos, indicando um quadro multifatorial que pode estar relacionado ao estilo de vida, às variações hormonais e a deficiências nutricionais.
De acordo com a dermatologista Mariana Scribel, especialista em tricologia médica, o diagnóstico precoce é essencial para evitar a progressão do afinamento e aumentar as chances de recuperação do volume capilar.
Fatores que podem desencadear a queda capilar
A queda de cabelo pode ser causada por diferentes fatores. “Estresse crônico, privação de sono e rotinas intensas podem desencadear o chamado eflúvio telógeno, uma condição em que ocorre a interrupção prematura da fase de crescimento dos fios, levando a uma queda difusa e mais intensa alguns meses após o gatilho”, explica a médica.
Em muitos casos, a alimentação inadequada ou dietas muito restritivas podem contribuir para deficiências nutricionais que geram a queda de cabelo. “Além disso, deficiências nutricionais são fatores frequentemente associados ao quadro, especialmente baixos níveis de ferro (ferritina), vitamina D e zinco, nutrientes essenciais para a manutenção do ciclo folicular. Quando em déficit, eles podem reduzir a densidade e a espessura dos fios ao longo do tempo”, alerta Mariana Scribel.
Segundo ela, condições como a síndrome do ovário policístico podem levar ao aumento de andrógenos circulantes, o que interfere no folículo capilar e pode causar afinamento progressivo dos fios , especialmente na região frontal e no topo da cabeça.
“Mudanças no uso de anticoncepcionais também podem impactar o ciclo capilar. A interrupção ou troca de métodos hormonais, incluindo pílulas combinadas e DIU hormonal, pode desencadear um tipo de queda temporária devido à adaptação do organismo à alteração hormonal. Esse efeito, embora geralmente reversível, pode ser bastante perceptível nos meses seguintes à mudança”, diz.
Sintomas de queda de cabelo que merecem atenção
Entre os principais sinais de alerta, estão o aumento de fios no banho, na escova ou na fronha, afinamento progressivo do rabo de cavalo e perda de volume geral do cabelo. Segundo Mariana Scribel, o erro mais comum é normalizar essas mudanças ou associá-las apenas a fatores estéticos, sem investigação clínica.
Principais formas de tratamento
De acordo com Mariana Scribel, a abordagem depende diretamente do diagnóstico correto da causa da queda . Em casos de eflúvio telógeno, o tratamento costuma envolver a correção do fator desencadeante, como ajuste de rotina, melhora do sono, reposição de ferro ou vitamina D, quando necessário, além de suporte tópico para estimular o crescimento.
Em casos hormonais, como na síndrome do ovário policístico, o tratamento pode incluir controle endócrino com acompanhamento médico, uso de medicamentos antiandrogênicos em casos selecionados e terapias dermatológicas de estímulo folicular.
“Entre as abordagens mais utilizadas na dermatologia, estão o uso de loções com minoxidil tópico, que prolonga a fase de crescimento dos fios, além de procedimentos como microagulhamento e terapias injetáveis no couro cabeludo, como o uso de fatores de crescimento e vitaminas aplicadas diretamente na região. Em alguns casos, suplementação oral direcionada também pode ser indicada após avaliação laboratorial”, explica a especialista.
Por Bernardo Biavaschi