Chegar aos 40 anos costuma marcar uma fase em que os cuidados com a saúde precisam se intensificar. Entre eles, a atenção à circulação sanguínea ganha importância, já que fatores como hipertensão, diabetes, colesterol elevado, sedentarismo e histórico familiar de doenças cardiovasculares passam a aumentar o risco de doenças vasculares.
Segundo especialistas, o envelhecimento provoca mudanças naturais nas artérias e veias, favorecendo o surgimento de problemas que, muitas vezes, evoluem de forma silenciosa. Além disso, alterações na pressão arterial, nos níveis de glicose e no colesterol podem aparecer sem causar sintomas nas fases iniciais.
"A hipertensão, o diabetes e o colesterol alto nem sempre provocam sintomas no início. Por isso, o acompanhamento dos exames e dos hábitos de vida passa a ter um papel ainda mais importante", explica a angiologista Fanilda Barros.
Nas mulheres, a menopausa representa outro período que merece acompanhamento. A redução dos níveis de estrogênio pode favorecer alterações na pressão arterial, no colesterol e na distribuição da gordura corporal, fatores que também interferem na saúde cardiovascular.
De acordo com a especialista, essa fase deve ser avaliada de forma individual, considerando o histórico clínico, os fatores de risco e os sintomas apresentados por cada paciente.
Outra condição que merece atenção é a trombose venosa profunda (TVP), caracterizada pela formação de um coágulo em uma veia profunda, geralmente nas pernas.
Dados da Sociedade Brasileira de Angiologia e de Cirurgia Vascular (SBACV) mostram que a incidência da doença aumenta com o avanço da idade. Além dos 40 anos, fatores como cirurgias, longos períodos de imobilidade, obesidade, câncer, uso de alguns medicamentos e histórico pessoal ou familiar de trombose também elevam o risco.
Dor e inchaço que surgem de forma repentina, principalmente em apenas uma das pernas, estão entre os principais sinais de alerta e exigem avaliação médica imediata.
Sensação frequente de peso nas pernas, inchaço nos tornozelos, dor ao caminhar e o aparecimento ou agravamento de varizes são queixas comuns, mas não devem ser encaradas como uma consequência natural da idade.
A idade pode estar relacionada ao surgimento de algumas condições, mas não deve ser usada para justificar qualquer sintoma. Quando esses sinais persistem ou pioram, é importante investigar
Samira Meneguelli, cirurgiã vascular
Entre os problemas mais frequentes está a insuficiência venosa crônica, que dificulta o retorno do sangue ao coração e pode causar sensação de peso, inchaço e varizes. Outro exemplo é a aterosclerose, doença provocada pelo acúmulo de placas de gordura nas artérias, que aumenta o risco de infarto e acidente vascular cerebral (AVC).
A prevenção passa principalmente pelo controle dos fatores de risco e pela adoção de hábitos saudáveis. Praticar atividade física regularmente, evitar longos períodos sentado, controlar a pressão arterial, a glicemia e o colesterol, além de não fumar, estão entre as principais recomendações.
A musculatura da panturrilha também desempenha um papel importante no retorno do sangue das pernas ao coração. Por isso, caminhar e movimentar as pernas ao longo do dia ajudam a estimular a circulação.
"Não é preciso esperar surgir um problema para começar a cuidar da saúde vascular. Pequenas mudanças, como levantar-se durante o expediente, caminhar mais e manter uma rotina de exercícios físicos compatível com a condição de cada pessoa, fazem diferença", orienta Samira Meneguelli.
A especialista também alerta que medidas como o uso de meias de compressão devem ser adotadas apenas após avaliação médica, já que nem todos os pacientes apresentam indicação para esse tipo de tratamento.
De forma geral, especialistas recomendam que pessoas acima dos 40 anos mantenham acompanhamento regular dos fatores de risco cardiovasculares e procurem atendimento sempre que surgirem sintomas persistentes ou repentinos, especialmente dor e inchaço em apenas uma das pernas, que podem indicar uma condição vascular que necessita de avaliação rápida.