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Suor noturno e perda de peso sem explicação podem ser sinais de linfoma? Entenda

A doença afeta o sistema linfático e pode provocar manifestações pouco específicas, tornando a avaliação médica importante para chegar ao diagnóstico e definir a abordagem adequada

Publicado em 16 de Setembro de 2026 às 08:14

Portal Edicase

Publicado em 

16 set 2026 às 08:14
Gânglios aumentados, febre recorrente e suor noturno intenso são alguns sinais que podem estar relacionados ao linfoma e merecem atenção (Imagem: Nemes Laszlo | Shutterstock)
Gânglios aumentados, febre recorrente e suor noturno intenso são alguns sinais que podem estar relacionados ao linfoma e merecem atenção Crédito: Imagem: Nemes Laszlo | Shutterstock

O linfoma é um tipo de câncer que se desenvolve nos linfócitos, células do sistema imunológico responsáveis pela defesa do organismo. A doença pode atingir os linfonodos, conhecidos popularmente como gânglios, além de outras estruturas do sistema linfático.

Um dos desafios é que os primeiros sinais nem sempre são específicos e podem ser confundidos com problemas comuns de saúde. Segundo Roberto Luiz Silva, médico hematologista e responsável técnico pelo Departamento de Transplante de Medula Óssea do IBCC Oncologia, alguns sintomas merecem atenção, principalmente quando persistem por várias semanas.

“Muitos pacientes chegam ao consultório após semanas ou meses tratando sintomas inespecíficos, como febre persistente, suor noturno ou cansaço excessivo. O aumento dos gânglios linfáticos, principalmente no pescoço, nas axilas e na virilha, costuma ser um dos sinais mais característicos e merece investigação”, explica.

Quais são os principais tipos de linfoma?

Os linfomas são divididos principalmente em dois grandes grupos: linfoma de Hodgkin e linfoma não Hodgkin. O linfoma de Hodgkin é menos frequente e pode ocorrer em diferentes faixas etárias, com maior incidência entre adolescentes, adultos jovens e pessoas idosas. Já o linfoma não Hodgkin reúne mais de 50 tipos diferentes de câncer , que podem apresentar comportamentos bastante distintos, desde formas de crescimento lento até doenças mais agressivas.

“O linfoma não é uma doença única. Existem características moleculares e genéticas que influenciam diretamente na resposta ao tratamento e no prognóstico. Por isso, o diagnóstico preciso é uma etapa fundamental”, afirma o especialista Roberto Luiz Silva.

Segundo o Instituto Nacional de Câncer (INCA), são estimados 12.560 novos casos de linfoma não Hodgkin e 3.070 casos de linfoma de Hodgkin para cada ano do triênio 2026-2028 no Brasil. O linfoma não Hodgkin ocupa a 11ª posição entre os tipos de câncer mais incidentes no país, sem considerar os tumores de pele não melanoma. Já o linfoma de Hodgkin ocupa a 20ª posição.

Quais sintomas devem chamar atenção?

Os sintomas podem variar de acordo com o tipo de linfoma e a região do corpo afetada. Entre os sinais que merecem investigação estão:

  • Aumento dos linfonodos, especialmente no pescoço, axilas ou virilha;
  • Febre persistente ou recorrente;
  • Suor noturno intenso;
  • Cansaço excessivo;
  • Perda de peso sem explicação;
  • Coceira persistente;
  • Falta de ar ou tosse, em alguns casos.

O aparecimento de um gânglio aumentado não significa necessariamente que a pessoa tenha câncer. Infecções e outras condições também podem provocar esse aumento. O que merece atenção é a persistência do sinal, especialmente quando ele aparece acompanhado de outros sintomas.

“O corpo costuma dar sinais. Linfonodos aumentados sem dor, perda de peso inexplicada, febre recorrente e suor noturno intenso não devem ser tratados como algo banal, principalmente quando persistem por várias semanas”, alerta o hematologista.

O diagnóstico preciso do linfoma depende da análise do tecido, que ajuda a identificar o subtipo e orientar a escolha do tratamento (Imagem: Dragana Gordic | Shutterstock)
O diagnóstico preciso do linfoma depende da análise do tecido, que ajuda a identificar o subtipo e orientar a escolha do tratamento Crédito: Imagem: Dragana Gordic | Shutterstock

Como é feito o diagnóstico?

A investigação começa com a avaliação clínica e pode envolver exames de sangue e exames de imagem. Quando existe suspeita de linfoma, a confirmação depende da análise do tecido afetado, geralmente por meio de uma biópsia do linfonodo ou de outra região comprometida.

A análise do material permite identificar o tipo específico da doença e suas características. Essa etapa é importante porque os diferentes subtipos de linfoma podem apresentar comportamentos e respostas ao tratamento bastante diferentes.

“Hoje conseguimos avaliar características moleculares e genéticas que ajudam a definir com maior precisão o tipo de linfoma e a estratégia terapêutica mais adequada para cada paciente”, explica o hematologista.

Tratamento está mais preciso

A escolha do tratamento depende do tipo de linfoma, estágio da doença, características biológicas e condições clínicas do paciente. A quimioterapia continua sendo utilizada em diferentes situações, mas atualmente existem outras estratégias terapêuticas, como medicamentos direcionados a alvos específicos, imunoterapia e, para determinados pacientes, o transplante de células-tronco hematopoéticas.

“A Hematologia avançou muito nos últimos anos. Já conseguimos utilizar medicamentos mais específicos, capazes de atacar mecanismos do tumor com mais precisão e menos toxicidade em comparação aos tratamentos convencionais”, destaca o médico Roberto Luiz Silva.

A imunoterapia também trouxe novas possibilidades para alguns pacientes, especialmente em situações mais complexas. “Em alguns subtipos, conseguimos estimular o próprio sistema imunológico do paciente a reconhecer e combater as células doentes. Isso mudou completamente a perspectiva terapêutica de muitos pacientes”, afirma o especialista do IBCC Oncologia.

CAR-T Cell: uma nova possibilidade

Entre os avanços mais recentes está a terapia com células CAR-T, uma estratégia utilizada em situações específicas, principalmente para alguns tipos de linfoma não Hodgkin que retornaram após outros tratamentos ou não responderam adequadamente às terapias anteriores.

Nesse tratamento, células de defesa do próprio paciente, os linfócitos T, são coletadas e modificadas em laboratório para reconhecer e atacar as células cancerígenas. Depois de preparadas, elas são reinfundidas no organismo.

A terapia pode ser indicada para alguns subtipos, como o linfoma difuso de grandes células B, o linfoma do manto e o linfoma folicular, de acordo com características específicas de cada caso. “O CAR-T Cell não substitui todas as terapias existentes. Ele faz parte de uma linha terapêutica altamente especializada e indicada para perfis específicos de pacientes”, explica o médico.

Por exigir estrutura especializada e acompanhamento rigoroso, o tratamento é realizado em centros habilitados. Também pode provocar efeitos adversos importantes, como reações inflamatórias intensas e alterações neurológicas, que precisam ser reconhecidos e tratados pela equipe médica.

Linfoma tem cura?

As chances de controle ou cura dependem do tipo de linfoma, estágio em que a doença é diagnosticada, características do paciente e resposta ao tratamento. Alguns tipos apresentam comportamento mais lento, enquanto outros evoluem rapidamente. Mesmo nos casos considerados agressivos, os avanços no diagnóstico e no tratamento ampliaram as possibilidades terapêuticas.

“Mesmo nos linfomas considerados agressivos, existem excelentes possibilidades terapêuticas atualmente. Quanto mais cedo o diagnóstico for realizado, maiores são as chances de controle da doença e de resposta positiva ao tratamento”, afirma Roberto Luiz Silva.

Por isso, sintomas persistentes não devem ser ignorados. O aumento de gânglios, principalmente quando não desaparece, associado a febre recorrente, suor noturno intenso, perda de peso sem explicação ou cansaço persistente, deve ser avaliado por um profissional de saúde. O diagnóstico preciso é fundamental para identificar o subtipo da doença e definir o tratamento mais adequado para cada paciente.

Por Andressa Marques

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