Ligia Reato Pediatra e Hebiatra
E foi com o objetivo de contribuir com a identificação precoce do TDAH e promover uma trajetória escolar mais inclusiva para crianças e adolescentes, que a farmacêutica a Apsen lançou no Museu da Língua Portuguesa, em São Paulo, a trilha “TDAH Levado a Sério na Escola”.
Em formato totalmente on-line (twww.tdahlevadoaserio.com.br) a iniciativa permite que educadores de todo o Brasil participem da formação gratuita, voltada à identificação do TDAH e das principais comorbidades (como a Dislexia, por exemplo), além de apresentar e discutir estratégias cientificamente embasadas para manejo do TDAH na sala de aula. O projeto conta com o aval científico do Instituto D’Or de Pesquisa e Ensino (IDOR) e o apoio institucional da Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP).
O grande diferencial do curso é apresentar as estratégias que foram investigadas cientificamente e cujos resultados foram publicados na literatura especializada. Os professores recebem um certificado do Instituto D’Or de Pesquisa e Ensino, uma instituição de ensino superior, após a avaliação que ocorre ao final do curso.
Como reconhecimento, as escolas que engajarem pelo menos 50% de seu corpo docente na trilha receberão o selo “Esta escola leva o TDAH a sério”. O conteúdo parte do entendimento de que a escola exerce papel fundamental na identificação precoce dos sinais do TDAH, formando o professor para ser um observador qualificado. As ferramentas oferecidas auxiliam na identificação de sinais que impactam o rendimento e o convívio social, sem rotular ou estigmatizar o aluno.
“O educador é, muitas vezes, o primeiro a notar que algo não vai bem. Esta trilha oferece o embasamento científico necessário para que o professor se torne um observador qualificado, capaz de identificar sinais precoces que comprometem o aprendizado e a saúde mental do aluno. Ao democratizarmos esse conhecimento, garantimos que a criança ou o adolescente chegue ao suporte especializado no tempo certo. Na saúde e na educação, o conhecimento é a base da inclusão”, explica o psiquiatra Paulo Mattos.
Tudo o que colocamos na plataforma é baseado em evidência científica e no que a literatura apresenta sobre como os professores podem lidar com o TDAH no seu contexto em sala de aula
Paulo Mattos Psiquiatra
Sinais mais frequentes
Entre os sinais mais frequentes observados em crianças e adolescentes com TDAH estão:
• dificuldade para manter a atenção em tarefas e atividades;
• erros por descuido em trabalhos escolares;
• dificuldade de organização;
• perda frequente de objetos;
• distração com estímulos externos;
• inquietude excessiva;
• impulsividade;
• dificuldade de esperar a própria vez;
• fala excessiva.
O diagnóstico correto deve ser feito por meio de avaliação médica especializada, envolvendo anamnese detalhada e análise do histórico comportamental e escolar da criança ou adolescente. As manifestações do transtorno normalmente começam ainda na infância.
Pais, cuidadores e educadores devem estar atentos a comportamentos persistentes, como agitação acima da média, dificuldade para dormir, baixa tolerância à frustração e prejuízos contínuos no aprendizado e nas relações sociais.
O cuidado com o TDAH deve envolver diversas frentes, combinando acompanhamento psicológico, suporte na escola e, quando indicado, suporte farmacológico. Atualmente, as opções terapêuticas dividem-se entre estimulantes e não estimulantes, como a atomoxetina.
"O tratamento do TDAH exige uma abordagem multidisciplinar baseada em três pilares principais. O primeiro é a psicoeducação, fundamental para que o paciente (e a família, no caso de crianças e adolescentes) entenda o transtorno e suas implicações. O segundo pilar é a psicoterapia, que pode ser suficiente para determinados casos. Por fim, há a farmacoterapia: o uso de medicamentos é indicado e indispensável para muitos pacientes, devendo ser combinado às outras estratégias", reforça Paulo Mattos.
Embora os estimulantes sejam historicamente considerados tratamento de primeira linha, recentes artigos científicos apontam que medicamentos não estimulantes também podem ser considerados opções de primeira linha em perfis específicos de pacientes. Esta classe atende a perfis que precisam de maior tolerabilidade e de um controle contínuo do foco e da impulsividade ao longo do dia, permitindo um tratamento individualizado, adequado às características e à rotina de cada paciente.
*O jornalista viajou a convite da Apsen