A Síndrome do Ovário Policístico (SOP) afeta milhões de mulheres em idade reprodutiva e ainda é motivo de muitas dúvidas e receios. A confusão mais comum, segundo a ginecologista e obstetra Juana Zanchetta, é acreditar que ter cistos nos ovários é a mesma coisa que ter a síndrome.
“Ter cisto no ovário não é a mesma coisa que ter a SOP. Os cistos podem ser funcionais, relacionados ao ciclo menstrual, e geralmente não causam sintomas. Já a síndrome é uma condição crônica, metabólica e multifatorial, que pode ser diagnosticada mesmo sem a presença de cistos no exame de ultrassom”, explica.
Cistos nos ovários podem ser funcionais (comuns ao ciclo hormonal), dermoides ou endometriomas, e em alguns casos provocar dor pélvica, inchaço abdominal ou alterações menstruais. A maioria das mulheres, em algum momento, apresenta pequenos cistos, sem sentir nada.
Já a síndrome do ovário policístico envolve alterações hormonais e metabólicas mais amplas. Para diagnosticar a condição, não é obrigatório encontrar ovários com múltiplos cistos no ultrassom.
Muitas vezes, o diagnóstico é feito pela combinação de sintomas clínicos, como menstruação irregular, acne, pele oleosa, excesso de pelos, queda de cabelo e até dificuldade para engravidar
Como surge e sintomas
Não há uma única causa definida para a SOP. A especialista destaca a influência da genética, do histórico familiar e da resistência insulínica, além de fatores de estilo de vida, como sedentarismo e excesso de peso. “Sabemos que genética, resistência insulínica e hábitos de vida têm grande impacto. Mas ainda há aspectos pouco estudados”, afirma a médica.
Entre os sintomas mais comuns da síndrome estão:
- Menstruação irregular ou ausente, mesmo anos após a primeira menstruação;
- Dificuldade para engravidar, devido à falta de ovulação regular;
- Acne persistente, pele oleosa e queda de cabelo;
- Excesso de pelos em regiões como rosto, peito e costas;
- Ganho de peso e dificuldade para emagrecer.
Diagnóstico e exames
O diagnóstico segue os critérios de Rotterdam, que exigem pelo menos dois dos três fatores: menstruação irregular, excesso de andrógenos (por sintomas ou exames) e presença de múltiplos folículos nos ovários. Para isso, podem ser solicitados exames clínicos, laboratoriais e de imagem.
“O ultrassom ajuda, mas não é determinante. Muitas vezes, a avaliação clínica e os exames laboratoriais já são suficientes para fechar o diagnóstico”, reforça Juana. A SOP costuma se manifestar na fase reprodutiva, entre os 20 e 35 anos, quando os sintomas ficam mais evidentes.
Se não for tratada, pode causar infertilidade e aumentar o risco de doenças metabólicas, como diabetes, obesidade, hipertensão e colesterol alto. Também há impactos na saúde emocional, com maior risco de ansiedade, depressão e baixa autoestima.
Outro risco é o de hiperplasia endometrial (espessamento da parede do útero), que pode evoluir para câncer de endométrio. “É uma condição que precisa ser acompanhada. Não tratar a SOP aumenta as chances de complicações sérias no futuro”, alerta.
Tratamento: controle e qualidade de vida
Não há como prevenir totalmente a SOP, já que fatores genéticos e hormonais são determinantes. Mas, segundo Juana, é possível reduzir os riscos e controlar os sintomas com hábitos saudáveis e acompanhamento médico regular.
Não existe cura definitiva, mas há formas eficazes de controle. O tratamento varia conforme os sintomas de cada paciente:
- Mudança de estilo de vida: alimentação equilibrada, atividade física e manejo do estresse.
- Medicações hormonais ou não hormonais, dependendo do caso.
- Apoio multidisciplinar, com ginecologista, endocrinologista, nutricionista e dermatologista.
- Tratamentos complementares, como depilação a laser para excesso de pelos e cuidados dermatológicos para acne.
“A base do tratamento é o estilo de vida. Muitas pacientes apresentam melhora significativa apenas com perda de peso e prática de exercícios. Isso ajuda a regular a menstruação, reduzir acne, melhorar o humor e até restaurar a fertilidade”, afirma a especialista.