Em nossas ruas, parada de semáforo, calçadas e também nos ônibus, vemos de perto a face mais dura da crise econômica que atinge o capixaba. Segundo dados recentes do IBGE, “mais de 503 mil pessoas trabalham por conta própria no ES”. Esta crise impacta a vida de todos, de modo mais gritante daqueles que não se encaixaram nas exigências do mercado.
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Mas é o capixaba “comum’, “indivíduo ordinário”, que sofre mais. Ele se lança na vida urbana em busca de sustento. São pedintes, artistas circenses e muitos vendedores. Cada qual tem sua própria forma de sobrevivência. Em seu fazer cotidiano, por meio das astúcias anônimas, lutam para garantir o sustento para si e sua família.
Eles inventam o seu próprio cotidiano e criam novas formas de se manter em pé. Segundo o filósofo Certeau, graças às habilidades adquiridas nas “artes de fazer”, nas suas astúcias sutis, o homem ordinário cria táticas de resistências que o possibilita alterar objetos e códigos de convivência. Apropria-se de espaços diversos e os usa do seu jeito para garantir que suas ações deem resultado.
Mesmo não sendo compreendidos e nem aceitos, no sol ou até mesmo na chuva, buscam atalhos, dão voltas, contam histórias. Com isso fazem do seu cotidiano um lugar de prática inventiva que dá sustentação a construção de seu próprio caminho. Buscam sobreviver à imposição da ordem e das regras sociais que os excluem das possibilidades de aceitação e ascensão social.
Quem testemunha esta luta pela sobrevivência, em seus trajetos diários, são outros tantos trabalhadores, pedestres e motoristas. Nos ônibus, todos os dias embarcam diversos grupos de vendedores. Pela proteção do local, potencial clientela atenta, este é o palco perfeito para a aplicação destas astúcias manifestadas em diversas performances, por estes sujeitos que estão no limiar da necessidade de manutenção da sua própria existência.
Como a crise ainda não passou. A economia avança a passos lentos. Os especialistas apontam um aumento do número de trabalhadores que têm que se virar por conta própria. Se você for daqueles que não compram nada na rua com receio da procedência ou até mesmo da qualidade dos produtos, o mínimo que se pode fazer é ser solidário com tantos capixabas que estão na trincheira da sobrevivência.