Carnaval é alegria, música, diversão e… impostos! A coluna não quer estragar a festa de ninguém, mas é preciso dizer: enquanto o povo brasileiro se diverte,
o governo arrecada, em média 41% de tributos sobre os produtos mais consumidos nesta época do ano.
O levantamento foi, que feito pelo advogado tributarista capixaba Samir Nemer, mostra que a famosa marchinha “Ei, você aí, me dá um dinheiro aí”, nunca foi tão fiel ao que está acontecendo.
“E em se tratando do carnaval, os impostos são elevados porque a regra geral é quanto mais essencial for o produto, menos tributado será. Por isso produtos considerados supérfluos ou maléficos à saúde, como cigarros e bebidas, carregam sempre mais impostos”, explica Nemer.
Um dos itens mais consumidos nesta festa, as bebidas, são disparadas as mais tributadas: a caipirinha tradicional (cachaça e limão), por exemplo, tem 76,66% de tributos; é seguida pelo chope, 62,20%; pela lata ou garrafa de cerveja, com 55,60%; pela lata de refrigerante, com 46,47%; e a água mineral, com 37,44%.
Segundo o especialista, o ICMS e o IPI são os impostos que mais oneram os preços das bebidas, que especialmente nesta época do ano são mais vendidas. Se a caipirinha aparece no topo dos produtos com mais impostos, na ponta de baixo vem o preservativo, com “apenas” 18,75% de impostos, com a menor carga de impostos dentre os itens pesquisados, até porque voltado à saúde pública.
Aqueles foliões que não abrem mão de sair às ruas fantasiados também contribuem com os altos índices de tributos arrecadados pelo governo: uma fantasia de tecido tem carga tributária de 36,41%, máscara de plástico, 43,93%; ou confeccionada com lantejoulas, 42,71%; o apito, 34,48%; colar havaiano, 45,96%; o spray de espuma, 45,94% e o confete, 43,83%.
Vai curtir uma viagem? Na passagem aérea estão embutidos 22,32% de impostos enquanto o preço da hospedagem fica em torno dos 29,5%. E nem a praia escapa: são 44% de impostos nos óculos de sol e 37% de impostos no guarda-sol.
O especialista lembra ainda que o sistema tributário brasileiro é altamente regressivo, pois foca em impostos sobre consumo e não sobre renda ou propriedade, trazendo maior impacto proporcional sobre os mais pobres da população.
Em resumo: a gente brinca durante quatro, mas quem se diverte de verdade são os cofre$ do governo. De qualquer forma, viva o carnaval!