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Sucessão de Luciano Rezende

Amaro e Casagrande ensaiam acordo eleitoral em Vitória

Provável candidato a prefeito da Capital, deputado tem conversado com o governador desde dezembro, com o objetivo de garantir, no mínimo, que ele fique neutro na campanha. Em troca, Amaro não disputaria o governo em 2022

Publicado em 15 de Fevereiro de 2020 às 04:00

Públicado em 

15 fev 2020 às 04:00
Vitor Vogas

Colunista

Vitor Vogas

vvogas@redegazeta.com.br

Casagrande e Amaro têm feito um exercício de aproximação política, que pode culminar com um acordo envolvendo as eleições de 2020 (de interesse do deputado) e de 2022 (de interesse do governador) Crédito: Amarildo
O deputado federal Amaro Neto (Republicanos) e o governador Renato Casagrande (PSB) têm mantido conversas sobre as eleições municipais deste ano, as quais podem culminar com um acordo não escrito entre eles. De olho na eleição a prefeito de Vitória, Amaro trabalha para obter, no mínimo, a neutralidade do governador na campanha. Para Casagrande, pode ser negócio: por meio de um entendimento de bastidores com Amaro, ele pode conseguir retirar do páreo, antecipadamente, um potencial adversário na disputa ao governo do Estado em 2022: no caso, o próprio deputado.
A decisão de Amaro de disputar ou não novamente a Prefeitura de Vitória depende diretamente de um fator: como se dará a participação do governo de Casagrande e, especificamente, do próprio governador, nessa eleição na Capital? Amaro não teme concorrer contra a máquina da prefeitura, não teme desafiar a eventual aliança entre o Cidadania de Luciano Rezende e o PSB do governador. Mas respeita e receia – como recearia qualquer candidato em seu lugar – um cenário em que tenha que enfrentar a máquina do governo estadual trabalhando fortemente em Vitória contra ele na campanha.
Em outras palavras, Amaro não teme ter o PSB, partido do governador, posicionado oficialmente contra ele, em reedição da dobradinha com o Cidadania que o derrotou em 2016 – dessa vez numa coligação encabeçada pelo deputado estadual Fabrício Gandini, candidato de Luciano. Por outro lado, Amaro não gostaria de ir para essa disputa tendo contra ele todo o peso do governo Casagrande. Uma coisa é ter o PSB contra ele. Outra, bem diferente, é ter todo o governo estadual.
Exatamente por isso, Amaro está discutindo com Casagrande a possibilidade de o governador manter, no mínimo, neutralidade nessa disputa, seja por meio de emissários, seja em conversas pessoais com o governador. Que fique claro: não neutralidade do partido do governador, mas da pessoa do governador e, por conseguinte, do governo. “Parado, Casagrande já nos ajudará muito”, resume um emissário de Amaro. “Se o Amaro for candidato em Vitória, o governador não entrará na campanha”, antecipa, por sua vez, um influente assessor palaciano.
Conforme a coluna apurou, tratativas sobre isso estão em curso, pelo menos, desde dezembro. Amaro conversou pessoalmente com Casagrande na segunda semana de dezembro – agindo, na ocasião, como um dos mediadores do conflito entre o governador e o presidente da Assembleia, Erick Musso (do seu partido e do seu grupo político), desencadeado em 27 de novembro por causa da eleição antecipada da Mesa Diretora da Assembleia.
Depois disso, eles já conversaram pelo menos mais duas vezes. Nas conversas, embora sem nenhum compromisso de nenhuma das partes, foi colocada sobre a mesa claramente essa hipótese de neutralidade do governador em Vitória.

O QUE CASAGRANDE LUCRA COM ISSO?

Para Amaro, o benefício em curto prazo é óbvio. Mas que proveito o governador tiraria desse eventual acordo de bastidores? Aí vem a contrapartida. Em troca da discreta colaboração de Casagrande, facilitando (ou não dificultando) o caminho para ele chegar à Prefeitura de Vitória, Amaro poderia se comprometer a não concorrer ao governo do Estado já em 2022 contra o próprio Casagrande – que a princípio deverá buscar a reeleição.
Como não é segredo para ninguém – nem ele mesmo esconde isso –, o projeto maior de Amaro é galgar ao Palácio Anchieta. Mas, com seus atuais 43 anos, ele poderia adiar essa empreitada para 2026 – o que de todo modo dependerá de muitas variáveis, a começar pelo desempenho dele como prefeito, caso vença a eleição em Vitória. Assim, se essa conversa realmente evoluir para um acordo não escrito e se as respectivas palavras forem mantidas nos próximos anos, Casagrande poderá retirar da eleição ao governo em 2022, antecipadamente, um potencial concorrente visto por aliados e adversários como muito competitivo por sua inegável popularidade. Eis o ganho para o governador.

O VICE NA CHAPA DE AMARO

De quebra, para “segurar” Amaro na Prefeitura de Vitória por todo o mandato de prefeito (2021-2024) em caso de vitória do deputado na eleição deste ano, Casagrande pode operar para emplacar, nos bastidores, um vice na chapa de Amaro que seja extremamente leal a ele mesmo. Não alguém do PSB – já que o partido tende a se coligar com o Cidadania ou, como preferem algumas alas, lançar candidato próprio. Mas um vice de outro partido que represente segurança a Casagrande.
Uma hipótese aventada por aliados de Amaro é um vice do Progressistas (PP), partido inteiramente integrado ao governo Casagrande e controlado, em todo o Estado, pelo ex-deputado federal Marcus Vicente. Atual secretário estadual de Desenvolvimento Urbano no governo Casagrande, Vicente apoiou Luciano em 2016, mas rompeu com o prefeito e já anunciou que o PP não fará parte da chapa da situação em Vitória este ano.

“EQUILÍBRIO DE FORÇAS”

Outra contribuição discreta que Casagrande poderia dar a Amaro – almejada pelo grupo do deputado – é no sentido de promover certo equilíbrio de forças entre os candidatos em Vitória, na distribuição dos muitos partidos reunidos hoje em sua ampla base. Nesse caso, sem fazer ruído, o governador poderia operar para garantir alguns partidos de sua arca na coligação de Amaro.
Hoje existem, no Espírito Santo, quatro partidos extremamente subordinados ao governo Casagrande e ao projeto político do governador nos próximos anos (entre parênteses, os respectivos presidentes estaduais): PP (Marcus Vicente), PV (Fabrício Machado), Podemos (Gilson Daniel) e PTB (Adilson Espíndula). Isso, é claro, além do próprio PSB.

PRECEDENTE: AJUDA A LUCIANO EM 2012

Não seria a primeira vez em que o PSB, formalmente, vai para um lado, e Casagrande, como governador, age de modo um pouco diferente. Em 2012, na eleição à Prefeitura de Vitória, o PSB se coligou com o PT de Iriny Lopes, apoiou a petista e lhe deu o vice: Juarez Vieira, atual presidente do PSB na Capital. Casagrande, porém, desde o primeiro turno, fez movimentos para viabilizar e fortalecer a candidatura de Luciano. Isso nos bastidores, sem aparecer publicamente, muito menos subir em palanques.
Já no segundo turno, o PSB apoiou oficialmente Luciano, na ferrenha disputa travada entre ele e Luiz Paulo Vellozo Lucas (então no PSDB, hoje com Luciano no Cidadania). Foi o nascedouro da parceria política entre Casagrande e o atual prefeito, diretamente beneficiado, em 2012, por esse "estilo de jogo" do primeiro.

CASAGRANDE PRECISA DO REPUBLICANOS

Sempre bom ter em mente: Casagrande deseja cultivar a boa relação não só com Amaro como também com o Republicanos, partido que hoje dá as cartas na Assembleia Legislativa, com o presidente, Erick Musso, e o diretor-geral da Casa, Roberto Carneiro – presidente estadual do Republicanos e principal estrategista de Amaro, de quem foi vice na chapa a prefeito de Vitória em 2016. Também por isso, o governador não há de querer fazer um movimento ostensivo em favor de algum candidato contra Amaro (nem mesmo se for um candidato do seu próprio partido).

FORA DO PÁREO EM 2018, AMARO “AJUDOU” CASAGRANDE

Por fim, Casagrande deve ser grato a Amaro por ele não ter aceitado se lançar, de supetão, ao governo do Estado em 2018, como alguns chegaram a tentar emplacar à revelia do deputado, logo após a súbita implosão do bloco hartunguista devido à decisão do então governador de não se candidatar à reeleição naquele pleito.

Vitor Vogas

Jornalista de A Gazeta desde 2008 e colunista de Política desde 2015. Publica diariamente informações e análises sobre os bastidores do poder no Espírito Santo

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