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Luiz Antônio Polese e Rafael Cláudio Simões

Artigo de Opinião

Luiz é administrador e ativista da Rede pela Soberania. Rafael é professor, doutor em história e ativista da Rede pela Soberania
Luiz Antônio Polese e Rafael Cláudio Simões

Soberania, memória e o futuro em disputa: Brasil precisa de um caminho, não de um atalho

Sugerir que o caminho para a modernidade depende da ausência de uma liderança popular, em especial utilizando o argumento etário, é, no mínimo, um equívoco histórico
Luiz Antônio Polese e Rafael Cláudio Simões
Luiz é administrador e ativista da Rede pela Soberania. Rafael é professor, doutor em história e ativista da Rede pela Soberania

Publicado em 05 de Maio de 2026 às 16:05

Publicado em 

05 mai 2026 às 16:05

O debate proposto pelo ex-presidente da Federação das Indústrias do Espírito Santo (Findes) Léo de Castro sobre os rumos da política nacional toca em elementos chaves da nossa democracia, mas parte de premissas que ignoram a profundidade das transformações promovidas nos governos Lula (2003 – 2010 e 2023 – 2026) e a natureza real das forças atualmente em conflito. 


Sugerir que o caminho para a modernidade depende da ausência de uma liderança popular, em especial utilizando o argumento etário, é, no mínimo, um equívoco histórico, pois a chamada polarização, tão destacada, não é uma construção unilateral e, sejamos claros, não tem origem no presidente Lula. 


Enquanto o projeto lulista ascendeu ao poder, em 2003, através de um governo aberto e de diálogo, o que se convencionou chamar de polarização foi, muitas vezes, patrocinado por setores que não aceitam o desenvolvimento social como prioridade fundamental. 


A verdadeira polarização do Brasil é histórica e estrutural, baseada em uma desigualdade estrutural que os governos de Lula foram capazes de efetivamente enfrentar. 

O presidente, Luiz Inácio Lula da Silva, durante coletiva à imprensa, em Bruxelas, na Bélgica
O presidente Lula durante coletiva à imprensa, em Bruxelas, na Bélgica Ricardo Stuckert/PR

O crescimento econômico, por vezes criticado por índices moderados de quase 3% ao ano (para não falar da média de cerca de 4% do período de 2003 a 2010), omite o fato de que milhões de brasileiros saíram da pobreza, alcançando o verdadeiro equilíbrio que uma nação deve buscar: a dignidade humana e a integração de seus cidadãos, por exemplo, ao mercado de consumo e às universidades e institutos federais de educação.


Diferentemente do que sugere a crítica de ocasião, o planejamento de longo prazo no Brasil não é uma abstração, mas foi construído sobre bases sólidas que garantem a nossa soberania até os dias atuais, o nome do “Plano Brasil do Futuro” se chama Constituição, ele tem sofrido ajustes ao longo desses quase 38 anos de existência, e complementos pelas ações dos diferentes governos federais, estaduais e municipais. 


Universalizamos, por exemplo o acesso à educação fundamental, destaque para o governo Fernando Henrique Cardoso (1995 – 2002), um aliado da democracia brasileira. 


Garantimos acesso a todas e todos aos serviços de saúde, vacinação, por exemplo, com o nosso Sistema Único de Saúde (SUS), criado em 1988. Um destaque que potencializa o acesso dos brasileiros à saúde são os medicamentos genéricos criados em 1999, durante a gestão de José Serra, no Ministério da Saúde.


Algumas referências são essenciais para compreendermos as possibilidades que se apresentam. O país deixou de ser um eterno devedor para se tornar um credor internacional, liquidando uma dívida externa com o Fundo Monetário Internacional (FMI), do qual desde o período anterior de Lula é credor, antes vista como impagável, ainda no primeiro decênio deste século. 


A criação de um robusto colchão de liquidez, com reservas cambiais mantidas em patamares próximos a US$ 362 bilhões em março de 2026, conforme dados do Banco Central do Brasil, funciona como um escudo geopolítico que impede que crises externas destruam o poder de compra do trabalhador. 


Quem será que ainda se lembra das humilhantes vindas de equipes do FMI para nos impor pacotes de medidas para ajustarmos nossas contas externas, que por sinal nunca eram ajustadas pelos pacotes? Sem essa blindagem e autonomia de decisão, o Brasil estaria à mercê de imposições de organismos internacionais que, historicamente, receitam austeridade severa para os vulneráveis e subsídios para as elites, e às tarifas que fora impostas por Donald Trump em 2025.


Portanto, o investimento no social e a manutenção da estabilidade financeira não são opostos, mas pilares que garantem a estabilidade institucional e a blindagem econômica contra a especulação global.


Nesse contexto, a tentativa de equiparar a liderança de Lula a impasses geracionais revela uma leitura apressada, ou interessada, que ignora as particularidades do sistema político brasileiro e a função simbólica da liderança popular em nosso país. 


Em um cenário de fragmentação e ameaças constantes ao Estado Democrático de Direito, a figura de Lula atua como o amálgama necessário para a preservação das instituições e um ponto de convergência para a resistência democrática. 


Pedir sua saída em nome de uma oxigenação estética parece mais um desejo de remover um obstáculo eleitoral do que uma preocupação genuína com o futuro do país. A renovação política deve ocorrer através do fortalecimento de projetos coletivos e do amadurecimento das bases sociais, e não pela exclusão deliberada da maior liderança popular da nossa história recente.


O desafio da modernização brasileira reside na integridade sistêmica e no combate aos privilégios burocráticos que drenam o orçamento, e não na ideia simplista de um Estado inchado, que com seus privilégios fiscais sem transparência pública sobre os benefícios que promovem, por exemplo, deixa de garantir assistência àqueles que necessitam. Esses privilégios fiscais estão na casa do R$ 700 bilhões anuais. 

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A defesa da soberania passa necessariamente pelo fortalecimento dos mecanismos de controle social e transparência ativa, bandeiras que foram pilares da construção democrática. 


Um Brasil moderno não é aquele que apenas digitaliza processos, mas o que utiliza sua força econômica para projetar sua voz no mundo, defendendo a autodeterminação dos povos e combatendo as assimetrias globais e as desigualdades sociais internas, essa sim, a real polarização, a polarização social.


O Brasil, mais do que escolher o próximo presidente, precisa escolher um caminho pavimentado com a soberania nacional e a integridade das instituições. Não se deve sacrificar lideranças que provaram ser capazes de colocar o país como protagonista global, transformando uma economia que em 1985, quando retomamos a democracia em nosso país, era substancialmente menor, em uma potência respeitada. 


Não busquemos o equilíbrio do cemitério ou da estagnação, mas o equilíbrio dinâmico de uma nação que protege seu povo, suas minorias, sua memória e seu desenvolvimento enquanto projeta seus interesses no cenário internacional. 


O futuro exige a superação de ruídos conjunturais em favor de um projeto de Estado que separe os fatos históricos das narrativas de conveniência, assegurando que o desenvolvimento seja, acima de tudo, um ato de soberania e justiça social.

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