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Conhecendo o ES

Brasil tem muito a oferecer de exemplo para o ES incrementar seu turismo

O trade turístico precisa atuar em conjunto e oferecer uma maior variedade de programas e pacotes integrados, caso queira concorrer com os vários destinos turísticos que o Brasil oferece

Publicado em 23 de Janeiro de 2020 às 04:00

Públicado em 

23 jan 2020 às 04:00
Tarcísio Bahia

Colunista

Tarcísio Bahia

tbahia65@gmail.com

Rua do Lazer em Santa Teresa Crédito: Reprodução | Governo do Estado
“Na margem do São Francisco, nasceu a beleza / E a natureza ela conservou / Jesus abençoou com sua mão divina” (...)
“Petrolina, Juazeiro, Juazeiro, Petrolina / Todas duas eu acho uma coisa linda / Eu gosto de Juazeiro e adoro Petrolina” (Petrolina Juazeiro, Jorge de Altinho)
Estive visitando Juazeiro e Petrolina, as conhecidas cidades irmãs e rivais do sertão nordestino, que são dominadas pela presença imponente do Velho Chico, como o Rio São Francisco é carinhosamente chamado. Duas cidades, uma baiana, outra pernambucana, que têm muita história e cultura pra contar.
Foi minha terceira viagem à região. E aí, claro, para uma pessoa que vive no Espírito Santo, a associação é quase imediata quando nos lembramos da condição umbilical entre Vitória e Vila Velha.
Dorme ponte, Pernambuco, rio, Bahia / Tudo esbarra embriagado de seu lume / Dorme o sol à flor do Chico, meio-dia (...) “Juazeiro, nem te lembras dessa tarde / Petrolina, nem chegaste a perceber” (O ciúme, Caetano Veloso)
Uma das coisas que me vem logo à mente é a musicalidade arraigada naquela região do sertão, afinal Juazeiro é a terra natal de João Gilberto, o criador da Bossa Nova, e do furacão Ivete Sangalo, enquanto Petrolina é a cidade onde nasceu Geraldo Azevedo. Isso sem falar nas músicas que cantam a região, como as já citadas “Petrolina Juazeiro”, famosa nas vozes de Luiz Gonzaga e Alceu Valença, entre outros, e o também “Ciúme”, bem como de outra canção bastante conhecida por muitos brasileiros: “Sobradinho”.
“O São Francisco lá pra cima da Bahia / Diz que dia menos dia vai subir bem devagar / E passo a passo vai cumprindo a profecia do beato que dizia que o sertão ia alagar / O sertão vai virar mar, dá no coração / O medo que algum dia o mar também vire sertão” (Sobradinho, Sá e Guarabyra)
A represa, a despeito das suas consequências para quatro cidades que foram alagadas, como diz a música, é hoje uma importante opção de lazer para a população da região. Além do lago de Sobradinho, aquela área conta hoje com uma eficiente produção agrícola, com destaque para o plantio de uvas e, justamente por causa delas, lá encontra-se uma forte vinicultura que chega a rivalizar com os vinhos e espumantes de Bento Gonçalves no sul do país. E a união da barragem com as vinícolas permitiu a criação de um novo produto turístico bastante atraente aos que visitam a região.
Trata-se de um passeio no qual o turista é pego em seu hotel por uma empresa de turismo receptivo, depois é levado à maior vinícola da região em ônibus, e lá conhece o processo de produção de vinho e espumante, em seguida vem a degustação e, por fim, pode fazer compra de garrafas daquelas opções da bebida que mais lhe agradem.
Posteriormente, o turista retorna ao ônibus e segue para a represa, onde realiza um belo passeio pelo lago num grande barco, no qual é servido o almoço, incluindo bebidas e música ao vivo a bordo, até o momento em que a embarcação atraca para que todos possam mergulhar nas águas doces de uma praia do Velho Chico. A empresa oferece passeio todos os sábados e domingos, e, havendo demanda para mais de 40 pessoas, também nos demais dias da semana. Quando fui, havia mais de 200 turistas a bordo!
Pergunto-me então: por que os hotéis de Vitória e Vila Velha, junto com as empresas receptivas locais não conseguem oferecer algo do tipo aos diversos tipos de turistas que se hospedam nas duas cidades?
Exemplo: o passeio poderia começar por Santa Teresa, para conhecer suas cervejarias e vinícolas, depois almoçar na Rua de Lazer, e, na parte da tarde, o programa seria pelo lago da represa de Rio Bonito, uma joia escondida nas matas de Santa Maria de Jetibá. E se não for este o roteiro, que se pense em outros locais, pois não faltam opções para oferecer ao turista que visita o Espírito Santo.
Em função do óleo nas praias nordestinas, que só atingiu o território espírito-santense parcialmente, este está sendo um verão atípico, pois tudo indica que aumentou o número de turistas e a ocupação dos hotéis capixabas, principalmente na Grande Vitória, que inclui Guarapari.
O trade turístico precisa atuar em conjunto e oferecer uma maior variedade de programas e pacotes integrados, caso queira concorrer com os vários destinos turísticos que o Brasil oferece.

Tarcísio Bahia

Arquiteto, professor da Ufes e diretor do IAB/ES. Cidades, inovacao e mobilidade urbana tem destaque neste espaco

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