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Eleições 2022

Moraes tenta acordo entre Lula e Bolsonaro para fim de ataques na TV

PT resiste, já que teria que abrir mão de 184 inserções de TV para responder a ataques da campanha do presidente

Publicado em 21 de Outubro de 2022 às 16:48

Agência FolhaPress

Publicado em 

21 out 2022 às 16:48
  • Mônica Bergamo

SÃO PAULO - O presidente do TSE (Tribunal Superior Eleitoral)Alexandre de Moraes, convocou advogados da campanha de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e de Jair Bolsonaro (PL) na quinta-feira (20) para tentar um acordo em que os dois lados abririam mão de direitos de resposta nos programas de rádio e TV do adversário. E passariam, daqui em diante, a veicular apenas ideias propositivas em suas respectivas propagandas eleitorais.
Os advogados do PT consultaram a direção da campanha de Lula, que resiste a abrir mão de seu direito de se defender na TV, que tinha sido conquistado por determinação do próprio tribunal.
Alexandre de Moraes
Alexandre de Moraes convocou reunião com advogados dos dois candidatos Crédito: Antonio Augusto / TSE
Nesta semana, o petista ganhou o direito de veicular 184 inserções no tempo destinado a Bolsonaro como respostas aos ataques da campanha do presidente que afirmavam que ele foi o mais votado em presídios brasileiros, associando-o a criminosos.
Desde então, a pressão da campanha de Bolsonaro sobre o tribunal se intensificou. Ao ser obrigado a ceder tempo de TV ao adversário, o presidente perderia a oportunidade de bombardear eleitores com suas mensagens na reta final da campanha.
Bolsonaro também ganhou o direito de veicular direito de resposta na propaganda de Lula, mas em número muito menor. Ele teria 14 inserções por ter sido chamado de canibal pelo PT.
A campanha de Lula explorou uma entrevista que Bolsonaro deu ao jornal The New York Times dizendo que aceitou comer a carne de um índio para visitar uma região em que esse era um hábito cultural — o que acabou não ocorrendo, disse, já que a comitiva que estava com ele "não quis ir" ao local.
O PT julgou que a tentativa de acordo de Alexandre de Moraes desequilibrava a balança eleitoral, já que Lula foi atacado de forma intensa durante três semanas pela peça publicitária dos presídios, o que fez com que sua rejeição subisse.
A propaganda os presídios foi derrubada por determinação do TSE. Mas o partido acha que isso foi insuficiente e pretende exercer também o direito de responder aos ataques.
Diante do impasse, uma nova reunião foi convocada para esta sexta-feira (21).
Na noite de quinta (20), no entanto, um novo fato surgiu que colocou o PT sob pressão: a ministra Maria Cláudia Bicchianeri suspendeu a própria decisão de dar a Lula o direito a 184 inserções no tempo destinado a Bolsonaro — e remeteu o caso ao plenário.
Com isso, o partido passou a correr o risco de terminar sem tempo algum para responder aos ataques do presidente, pois o plenário pode derrubar definitivamente a decisão da magistrada.
Já Bolsonaro ganhou um novo direito de resposta, sobre o vídeo de Lula que dizia que o presidente quis fazer aborto quando soube que teria um de seus filhos.
Em uma entrevista à revista IstoÉ Gente, em fevereiro de 2000, Bolsonaro disse que o aborto "tem que ser uma decisão do casal". E revelou já ter vivido esse dilema. "Passei para a companheira. E a decisão dela foi manter. Está ali, ó", afirmou o presidente, apontando para uma foto de Jair Renan, filho que ele teve com Ana Cristina Valle.

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