Pietra Carvalho e Marcela Lemos
RIO DE JANEIRO - Sete pessoas morreram em uma operação policial realizada nesta segunda-feira (26), no Complexo da Maré, na Zona Norte do Rio de Janeiro, segundo a Polícia Militar.
Moradores relataram tiroteio intenso na região, com bloqueios nas linhas Vermelha e Amarela — duas das principais vias do Rio, onde motoristas chegaram a descer dos carros e deitar no chão para se proteger das balas. Ao menos 35 escolas da região ficaram fechadas, e a UFRJ (Universidade Federal do Rio de Janeiro) suspendeu as aulas na Cidade Universitária.
Em nota à reportagem, a Polícia Militar do Rio, que fez a operação em conjunto com a Polícia Civil, afirmou que os sete mortos eram suspeitos que ficaram feridos em confronto com os agentes. Os homens — cujas identidades não foram divulgadas — chegaram a ser levados ao Hospital Federal de Bonsucesso.
Ainda de acordo com a PM, outros três homens feridos têm mandado de prisão em aberto. Os casos seguirão para a Delegacia de Homicídios da Capital.
Na ação, a corporação relatou a prisão de 19 pessoas e apreensão de quatro fuzis, uma pistola, uma réplica de arma de pressão/ar comprimido, uma granada, cerca de uma tonelada de maconha, 50 pés de maconha, 48 frascos de lança-perfume e 20 carros e motocicletas roubados recuperados.
'PARECIA QUE OS TIROS ERAM DENTRO DE CASA'
Um comerciante — que trabalha na Vila do João e pediu para não ter o nome divulgado — disse que foi avisado por moradores sobre o tiroteio logo cedo.
"Eu me sinto extremamente prejudicado, tem conta para pagar e, como autônomo, a gente nunca sabe o dia de amanhã e isso aí prejudica muito. O que eu peço é que isso seja resolvido logo, para não nos atrapalhar ainda mais, principalmente depois de uma crise (de Covid-19)."
Outra morada, da região da Baixa do Sapateiro, disse que os tiros começaram por volta de 5h e que foi impossível sair para trabalhar.
"Parecia que os tiros eram dentro de casa. Não tem como sair. Minha vida vale mais que o meu trabalho. Bala voando baixinha. Um desrespeito com a gente", disse.
SERVIÇOS FECHADOS
Ainda segundo a PM, o objetivo da ação seria combater as "tentativas de investidas de uma facção criminosa contra outra" dentro da Maré. Integrantes do Bope (Batalhão de Operações Policiais Especiais) e da Core (Coordenadoria de Recursos Especiais), parte da elite das polícias, estão na Vila do João e na Vila dos Pinheiros.
Ao comentar a interdição do trânsito nos arredores da comunidade, a PM afirmou que os agentes agiram "preventivamente" para "resguardar usuários da via".
O COR (Centro de Operações) da Prefeitura do Rio de Janeiro recomenda a Avenida Brasil como alternativa para usuários das linhas paralisadas.
A Secretaria Municipal de Educação informou que 35 unidades escolares da região da Maré estão fechadas e prestando atendimento remoto para garantir a segurança de alunos e funcionários.
"É importante lembrar que a Secretaria Municipal de Educação, em parceria com o Comitê Internacional da Cruz Vermelha, instituiu o Programa Acesso Mais Seguro em unidades localizadas em áreas de conflito. O programa tem como objetivo mitigar riscos por meio de protocolos que são aplicados por professores, alunos e toda a comunidade escolar em situações de risco", informou, em nota.