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CPI da Covid

Teich diz que saiu por divergência sobre cloroquina e falta de autonomia

Ex-ministro da Saúde é o segundo a prestar depoimento na CPI da Covid, no Senado. Nelson Teich destacou que o presidente decidiu ouvir outras pessoas, e não ele

Publicado em 05 de Maio de 2021 às 12:32

Agência Estado

Publicado em 

05 mai 2021 às 12:32
Ex-ministro da Saúde Nelson Teich presta depoimento na CPI da Covid
Ex-ministro da Saúde Nelson Teich presta depoimento na CPI da Covid Crédito: Edilson Rodrigues/ Agência Senado
ex-ministro da Saúde Nelson Teich expôs logo no início de seu depoimento à CPI da Covid nesta terça-feira (5) que saiu da pasta em maio do ano passado após ter percebido que não teria autonomia na sua gestão e pelas divergências sobre o uso da cloroquina em pacientes da Covid-19
"As razões são públicas, se devem a constatação de que eu não teria autonomia, eram divergências com governo sobre eficácia da cloroquina", afirmou Teich na apresentação que fez aos senadores, antes do interrogatório, quando lamentou sua "passagem curta" pelo ministério.
Teich destacou a divergência de posição entre ele e o presidente Jair Bolsonaro (sem partido) sobre o uso da cloroquina. O ex-ministro destacou que o presidente decidiu ouvir outras pessoas, e não ele, tendo sido o mandatário amparado até mesmo pela posição do Conselho Federal de Medicina (CFM).
"Minha convicção pessoal era baseada em estudos. Existia entendimento diferente por parte do presidente, amparado até na opinião e outros profissionais, até do Conselho Federal de Medicina, que naquele momento autorizou a extensão do uso, e isso foi o que motivou a minha saída. Sem a liberdade de conduzir o ministério optei por deixar o cargo", disse Teich.
O ex-ministro comentou ainda que durante sua gestão foi iniciado um programa de controle de transmissão, envolvendo testagem e avaliação de distanciamento social. Além disso, Teich citou as negociações envolvendo a vacina da Astrazeneca e as conversas com a empresa Moderna.
Nelson Teich também disse que não participou das discussões sobre o aumento da produção de cloroquina pelo Exército. "Eu não participei disso. Se aconteceu alguma coisa, foi fora do meu conhecimento", respondeu a questionamentos feitos pelo relator da CPI da Covid, Renan Calheiros (MDB-AL).
Teich também comentou que nunca lhe foram passadas informações sobre se estava havendo distribuição do medicamento sem eficácia comprovada para a população indígena.
"Se aconteceu a distribuição sem eu saber, pode ter acontecido, mas nunca sobre a minha orientação. Minha orientação era contrária. Sempre é possível acontecer alguma coisa, é uma máquina muito grande, mas não era do meu conhecimento, e se tivesse sabido, não deixaria fazer", afirmou o ex-ministro.

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