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Rio de Janeiro

Viúva de músico morto pelo exército diz que militares riram após tiros

Luciana Oliveira relata que a ação dos militares foi repentina, quando a família ia para o chá de bebê de uma amiga

Publicado em 08 de Abril de 2019 às 18:18

Publicado em 

08 abr 2019 às 18:18
Evaldo era músico e morreu aos 51 anos, fuzilado dentro do carro em Guadalupe Crédito: Reprodução/Facebook
Luciana Oliveira, a enfermeira que perdeu o marido - o músico Evaldo Rosa dos Santos - neste domingo (07), após o carro da família ser alvejado por 80 tiros de uma equipe do exército, disse que os militares deram risada após o incidente, em Guadalupe, zona norte do Rio de Janeiro.
"Eles riram. Chamei eles de assassinos e eles riram. Debocharam. Essas pessoas têm que pagar, principalmente pelo deboche. Eles debocharam o tempo todo. Vocês não sabem o que estou sentindo, não desejo isso para ninguém", afirma.
A enfermeira relata que a ação dos militares foi repentina, quando a família ia para o chá de bebê de uma amiga. "Não teve confronto nenhum. Estávamos cantando e escutamos um estilhaço. O sangue espirrou em mim. Meu filho não sabe e está perguntando do pai", disse.
Cunhado de Evaldo, Leandro Rodrigues ainda declarou que o músico conseguiu salvar a família após ser atingido por um tiro nas costas. "Ele sentiu o tiro por trás e ainda conseguiu virar o carro, para salvar o David e a família, que estavam no banco de trás", expõe o cunhado, que estava com o laudo feito pelo Instituto Médico Legal nesta segunda-feira (08).
Leandro afirmou que estava em casa por volta de 16h quando ficou sabendo da tragédia, que ocorreu por volta de 14h. "Vi pela internet. Pelo que fiquei sabendo, eles tinham ordem para atirar em um carro branco", apontou.
Luciana e David conseguiram escapar do tiroteio, que continuou após um homem tentar socorrer Evaldo, segundo a enfermeira. Uma amiga da família também estava no veículo e se salvou. "Um moço veio socorrer e deram tiro nele. Deram muito tiro. Vieram ao nosso encontro. Meu marido não era bandido. Esperaram a gente passar e começaram a atirar. Abrimos a porta, meu padrasto foi socorrer e atiraram mais", disse o cunhado.
"Nós vimos eles [militares] antes. A polícia e os militares têm que proteger, como vão fazer isso? O que eu vou falar para o Davi? Perdi o pai do meu filho, por quem devia proteger a gente", completa.

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