A arrecadação do Imposto sobre a Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS), a principal fonte de receita dos governos estaduais, pode não dizer tudo, afinal a tributação muda de acordo com a atuação do segmento econômico, mas mostra muita coisa sobre as economias locais.
Dados, de 2023, do Receita em Foco, boletim de análise trimestral elaborado pela Receita Estadual, revelam que 83,3% do recolhimento de ICMS no Espírito Santo se deu na Região Metropolitana, composta por apenas sete dos 78 municípios capixabas - Vitória, Serra, Vila Velha, Cariacica, Viana, Guarapari e Fundão -, evidenciando um claro desequilíbrio. Dos R$ 17,82 bilhões arrecadados, R$ 14,85 bilhões foram na Região Metropolitana. A proporção é a maior dos últimos três anos. Em 2022, tinha ficado em 82,9%, e, em 2021, em 83,2%.
Na segunda colocação do ranking aparece a microrregião Rio Doce - Linhares, Aracruz, Fundão, Ibiraçu, João Neiva, Rio Bananal e Sooretama -, com um faturamento de R$ 1,24 bilhão, 7% do total do Estado. Importante dizer que a Rio Doce vem ganhando terreno nos últimos anos, em 2021, ela respondia por 6,6% da arrecadação, a questão é que ela está tomando o espaço de outras microrregiões e não da Grande Vitória.
Quem vem perdendo participação é a Central Sul - Cachoeiro, Apiacá, Atílio Vivácqua, Castelo, Jerônimo Monteiro, Mimoso do Sul, Muqui e Vargem Alta. Respondia por 2,9% do ICMS capixaba, em 2021, e, em 2023, ficou em 2,4% - R$ 422,89 milhões pagos ao Tesouro Estadual. Com a queda, perdeu a terceira posição do ranking para a microrregião Centro-Oeste (Colatina, Baixo Guandu, São Roque do Canaã, Marilândia, Governador Lindenberg, São Domingos do Norte, São Gabriel da Palha, Vila Valério, Pancas e Alto Rio Novo), que nem precisou fazer muita força para subir: saiu de 2,4%, em 2022, e ficou em 2,5%, em 2023, aliás, abaixo dos 2,6% de 2021.