A década tem sido de bonança financeira para os municípios em geral, inclusive os do Espírito Santo. No ano passado, as 78 prefeituras capixabas fecharam o ano com R$ 2,542 bilhões em caixa, pouco abaixo dos R$ 2,6 bi do ano anterior, o maior volume já registrado. Os cofres vêm bem recheados desde 2020, quando as sobras ficaram em R$ 1,2 bi. Para efeito de comparação, em 2015 a disponibilidade geral foi de R$ 53,2 milhões (todos os valores corrigidos pela inflação).
Os dados são do anuário Finanças dos Municípios Capixabas.
"Em 2020, a conjuntura ajudou muito o cenário financeiro dos municípios. Além de ser último ano de mandato, que impõe regras financeiras restritas, a pandemia fez com que a União tomasse medidas que foram importantes. Em 2020, muito dinheiro foi injetado nos estados e prefeituras para combater o problema sanitário e os gastos com outras despesas caíram muito. Em 2020 e 2021, os gastos com pessoal, muito relevantes em qualquer orçamento público, por força de lei, encolheram. E aí entrou um fator que poucos previam naquele começo de pandemia, em 2020, a retomada econômica veio antes e mais forte que o previsto. Os recursos avançaram e sobraram de forma poucas vezes vista, mas não vai ser assim para sempre", alerta Alberto Borges, sócio da Aequus, consultoria responsável pela publicação do anuário.
"A tendência é de que este cenário se esgote até 2026. Em 2022 e 2023, já tivemos elevações importantes nas despesas com funcionalismo (9% e 9,6%, respectivamente), que estavam represadas. Outro fator importante é que houve uma aceleração dos investimentos neste período, quando um investimento é concluído, a operação é iniciada, portanto, há, no mínimo, um aumento de custeio, que é o que está acontecendo", explicou o economista.