A EDP, gigante mundial da geração e distribuição de energia elétrica, chegou, no começo da década, a investir mais de R$ 200 milhões por ano na construção de fazendas solares no Espírito Santo. Do ano passado para cá, a multinacional resolveu colocar o pé no freio nos investimentos na área. Não que tenha desistido do negócio, muito pelo contrário, mas algumas questões estão atrapalhando o desenrolar das coisas: redução do crescimento da economia brasileira e, principalmente,
o tal do curtailment - corte deliberado da geração, por parte do Operador Nacional do Sistema (ONS) por falta de capacidade da rede de transmissão para escoar essa energia. Em 2025, o Brasil disperdiçou cerca de 20% da geração de energia eólica e solar por causa do problema. O número é da consultoria Volt Robotics.
"Nós temos todo o interesse de continuar investindo em energia solar, confiamos muito no projeto e vamos fazer novos aporte, mas estamos em um momento em que há excesso de oferta e há ainda a questão do curtailment. O Brasil está crescendo, mas não mais a 3% ao ano, portanto, há queda de demanda no horizonte. Além disso, precisa ser encontrada uma saída para os cortes por falta de capacidade. Acompanhamos com atenção, por exemplo, os projetos de armazenamento de energia. O governo sinalizou com um leilão, vamos aguardar. O horizonte é muito promissor nessa área, principalmente para o Brasil", disse João Brito Martins, CEO da EDP na América do Sul, que esteve no Estado, nesta terça-feira (10), para a inauguração do Centro de Operação Integrado da companhia, na Serra.