"É algo, diria, inesperado. A reforma tributária foi muito defendida pelo setor produtivo, foi muito apoiada pela indústria com o objetivo de reduzir os custos de produção. Quando vemos um aumento generalizado de ICMS sob o argumento de que se trata de um impacto da reforma, só posso lamentar e dizer que não esperávamos por isso".
Na avaliação da empresária, isso deveria ser sanado dentro do Congresso Nacional. O projeto, já aprovado por Câmara e Senado, ainda pode ser alterado pelos deputados federais. "O texto aprovado não pode dar margem para esse tipo de situação. O Congresso deveria mudar o texto e resolver essa onda de aumento de impostos". Samorini refere-se ao trecho que diz que a divisão do novo imposto que caberá a estados e municípios, o IBS (Imposto sobre Bens e Serviços), que passa a valer em 2029, será definido tomando por base o que será arrecadado, de ICMS, entre 2024 e 2028. Ou seja, quem ampliar a sua proporção agora, ganhará mais lá na frente. De olho na brecha, estados vêm aumentando suas cargas de ICMS nos últimos meses. O Espírito Santo, com medo de ser diluído no bolo, fará o mesmo movimento.
"O contexto é bastante complexo, reconheço que colocou o governo do Estado em uma situação ingrata. Subir imposto agora ou perder arrecadação lá na frente. De fato é complicado, por isso a solução deveria vir de cima (do Congresso). O que esperamos, agora, é que esse recurso que entrará a mais nos cofres do Estado seja destinado integralmente para investimentos que elevem a competitividade do Espírito Santo: infraestrutura, ciência, tecnologia, formação de pessoas, enfim, isso não pode ir para o custeio da máquina. Tem de ser algo que nos ajude a sermos mais competitivos lá na frente, em 2032, quando os incentivos fiscais deixarão de existir", cobrou a dirigente.