Com o teto dos gastos conseguimos duas coisas importantes: inflação baixa e juros baixos. Estamos falando do interesse de todos, mas principalmente dos brasileiros pobres. Volto a dizer, a inflação penaliza, principalmente, os pobres. O teto dos gastos controlou a inflação. Com a inflação controlada, conseguimos chegar a uma Selic de 2% (ao ano). Tem muita gente que questiona esses 2%, teria descido demais. Não vou entrar no mérito, mas o fato é que nunca convivemos, na nossa história econômica, com juros tão baixos. O teto é um mecanismo de controle dos gastos públicos. Segunda coisa importante que nós não falamos aqui, mas entra na sua pergunta: o mundo tá meio virado. Estados Unidos e China estão vivendo um conflito, isso afeta a economia internacional; ainda estamos convivendo com alguma desorganização no fluxo de suprimentos provocada pela pandemia; e temos uma guerra dentro da Europa. Além disso tudo, estamos vivendo uma emergência climática, é o principal desafio da humanidade. É um ambiente hostil, mas com muitas oportunidades em cima da mesa dos brasileiros. A descarbonização da economia é uma baita oportunidade para um país que tem a maior floresta tropical, que tem a maior biodiversidade e que mais tem água doce. Para um país que tem vento com constância, que tem sol e que tem uma experiência com biomassa notável. É muita oportunidade, mas é evidente que temos de estar internamente organizados para segurá-las. Se estivermos desorganizados, elas vão passar. Organizar é uma oportunidade que está em cima da mesa. O mundo tem necessidade de fornecedores amigáveis, próximos de Estados Unidos e China. O México está tentando ser esse fornecedor, temos de fazer o mesmo. Temos graves problemas de infraestrutura, que tiram a nossa competitividade, e o capital privado internacional buscando boas oportunidades de investimento... As oportunidades estão aí, temos que encarar e superar nossos desafios. Um desses desafios, você usou a expressão, é ancorar as expectativas econômicas do país, não se faz isso com um fiscal (contas do governo) desorganizado. Organizar o fiscal não é arranjar uma solução para semana que vem, para o mês que vem... Os agentes precisam olhar o futuro e terem, em perspectiva, que a dívida pública estará controlada como proporção daquilo que a gente produz. Os juros voltarão a cair dessa maneira, não na marreta, como a (ex-presidente) Dilma (Rousseff) fez num passado bastante recente e deu errado.