Há alguns meses que empresários dos mais diversos segmentos do comércio internacional capixaba vêm insatisfeitos com os serviços prestados dentro do Porto de Vitória, destacadamente pelo terminal de contêineres
. Um dos motivos de a carta aberta ter demorado mais que o previsto para sair é porque o empresariado tinha receio de como o pleito seria interpretado. Não queriam, de forma alguma, que soasse como uma mudança de posição em relação ao apoio majoritário dado para a concessão à iniciativa privada.
A Vports, única autoridade portuária privada do Brasil, é responsável pelo complexo desde setembro de 2022. Antes, a responsabilidade era da estatal Codesa. Empresários, executivos e entidades, apesar das duras críticas, seguem firmes no apoio ao modelo adotado.
"Estamos criticando a gestão. Cargas muito importantes para a nossa economia, casos do café e das rochas, estão perdendo espaço dentro do porto por causa da explosão de movimento que tivemos neste primeiro semestre. A nossa competitividade está indo embora, por isso, estamos reclamando. Mas só chegamos nesse nível de falta de estrutura porque, durante décadas, a Codesa, enfim, o poder público, não fez os investimentos necessários. Acreditamos no modelo privado e seguimos apoiando, isso não está em discussão. Uma relação saudável também precisa conviver com as críticas, que são construtivas, é justamente isso que está acontecendo agora", disse um empresário sob reserva.
Em conversa com a coluna, o vice-governador e secretário de Estado de Desenvolvimento, Ricardo Ferraço, foi pelo mesmo caminho. "Se estamos nessa situação limite hoje, é porque investimentos deixaram de ser feitos ao longo de décadas. É um debate que não está posto, a concessão à iniciativa privada é o caminho correto".