Em um cenário disruptivo, sempre surgem oportunidades. É o caso, por exemplo, do café, destacadamente o conilon. O Vietnã, maior produtor mundial da espécie, está entre os países mais penalizados com o tarifaço de Trump, com uma alíquota básica de 46% (o governo dos EUA argumenta que a tarifa dos vietnamitas em cima dos produtos norte-americanos é de 90%). Enquanto isso, os produtos brasileiros serão tarifados em 10%. O Brasil é o segundo maior produtor mundial de conilon e cerca de 70% sai das lavouras do Espírito Santo.
Empresários e executivos do setor destacam que o cenário ainda é nebuloso, mas afirmam que a sensação inicial é de uma situação favorável para o café brasileiro. "Está todo mundo fazendo conta e procurando entender o que vai acontecer, ainda está longe de estar claro, mas a fotografia de momento é de um cenário que nos beneficia. Ainda tem muita água para passar por baixo da ponte, a indústria americana de café solúvel está pressionando muito o governo, mostrando que pode haver alta forte dos preços, afinal, os Estados Unidos, apesar de serem os maiores consumidores, não produzem café. Também temos que ver quais serão as exceções que o Trump já disse que serão estabelecidas e ainda podem acontecer negociações bilaterais. Vamos aguardar, mas o cenário atual é favorável", analisou um executivo que preferiu falar em reserva.