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Abdo Filho

Tarifaço dos EUA é problema grave, mas o Custo Brasil precisa ser sempre lembrado

O velho Custo Brasil cobra um preço bastante elevado, tirando competitividade das empresas brasileiras aqui dentro e, principalmente, lá fora

Publicado em 23 de Julho de 2026 às 03:00

Públicado em 

23 jul 2026 às 03:00
Abdo Filho

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Abdo Filho Abdo Filho

afilho@redegazeta.com.br

Galpão de armazenagem de chapas Arquivo/AG

As idas e vindas tarifárias do governo dos Estados Unidos sob a presidência de Donald Trump são um grave problema para o comércio internacional. Atrapalha muito, afinal, estamos falando da maior economia do planeta, grande compradora de materiais de maior valor agregado e de um parceiro histórico do Brasil. A imprevisibilidade cobra o seu preço, está posto, mas a estratégia comercial e industrial de Trump não é o maior problema enfrentado pelos exportadores brasileiros. O velho Custo Brasil cobra um preço bastante elevado, tirando competitividade das empresas brasileiras aqui dentro e, principalmente, lá fora.

Empresários e executivos da indústria de rochas, um dos segmentos mais afetados pelas tarifas norte-americanas, foram a Brasília reclamar dos problemas 'made in Brazil' de competitividade. Importante sempre lembrar que 80% do PIB (Produto Interno Bruto) brasileiro do setor está estabelecido no Espírito Santo. "O setor demonstrou capacidade de adaptação ao longo dos últimos anos, mas a competitividade não se constrói apenas dentro das empresas. Ela depende também de um ambiente comercial previsível. O novo cenário exige continuidade do trabalho institucional e de políticas que permitam ao Brasil recuperar a competitividade dos segmentos que historicamente impulsionaram as exportações brasileiras", disse Tales Machado, presidente da Associação Brasileira de Rochas Naturais (Centrorochas) em reunião, nesta quarta-feira (22), em Brasília, que contou com a presença do vice-presidente da República, Geraldo Alckmin e de representantes dos ministérios da Fazenda e do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços.

Pelas contas de Machado, há dez anos, o Espírito Santo embarcava cerca de 3,5 mil contêineres por mês. Hoje, são 2,5 mil contêineres mensais. Segundo ele, a redução é resultado da perda gradual de competitividade provocada por fatores como o aumento dos custos logísticos, gargalos de infraestrutura, custos portuários e demais entraves associados ao chamado Custo Brasil.  

O crescimento das exportações de quartzitos permitiu compensar parte dessa redução de volume. Por apresentarem maior valor agregado, esses materiais contribuíram para sustentar a receita do setor, mesmo diante da perda de competitividade de materiais como mármores e granitos. "O quartzito foi fundamental para manter o desempenho do setor, mas ele não substituiu todo o potencial perdido pelos granitos e mármores. O cenário ideal seria manter a competitividade dos materiais tradicionais e, ao mesmo tempo, incorporar o crescimento dos quartzitos", explicou o empresário.

O Centrorochas calcula que, se a competitividade tivesse sido preservada ao longo da última década, o setor poderia estar exportando cerca de US$ 2 bilhões por ano, mais de 40% acima do US$ 1,4 bilhão de 2025.

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Abdo Filho

Abdo Filho Abdo Filho

Graduado em Jornalismo pela Universidade Federal do Espirito Santo, ingressou na Rede Gazeta em 2005, como estagiario de Entretenimento e Cursos & Concursos. Entre 2007 e 2015, foi reporter da CBN Vitoria e da editoria de Economia do jornal A Gazeta. Depois, assumiu o cargo de macroeditor de Politica, Economia e Brasil & Mundo, ja no processo de integracao de todas as redacoes da empresa. Em 2017, tornou-se Editor de Producao e, em 2019, Editor-executivo.

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