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Trabalho

A geração dos 'nem-nem' está órfã

Assim como Peter Pan, o personagem que se recusa a crescer e enfrentar as responsabilidades da vida adulta, esses jovens parecem presos em um estado de eterna juventude sem perspectivas claras de futuro

Publicado em 04 de Junho de 2024 às 03:00

Públicado em 

04 jun 2024 às 03:00
Alberto Nemer Neto

Colunista

Alberto Nemer Neto

alberto@anemer.com

O termo “nem-nem” é utilizado para designar um grupo significativo de jovens que não estudam nem trabalham, uma condição que representa um desafio socioeconômico relevante para o Brasil. No primeiro trimestre de 2023, o país tinha 4 milhões de jovens entre 14 e 24 anos nesta situação, segundo pesquisas. Esse número saltou para 5,4 milhões no mesmo período deste ano.
Deste grupo, cerca de 60% são mulheres, a maioria com filhos pequenos, e 68% são negros, de acordo com o estudo. Esses jovens, por diversas razões, não estão inseridos em atividades educacionais ou laborais, o que perpetua um ciclo de inatividade e dependência.
Assim como Peter Pan, o personagem que se recusa a crescer e enfrentar as responsabilidades da vida adulta, esses jovens parecem presos em um estado de eterna juventude sem perspectivas claras de futuro. Infelizmente, o governo federal não apresenta projetos claros e direcionados para despertar esses indivíduos, limitando-se a medidas que muitas vezes dificultam a vida do empreendedor e a criação de novas oportunidades de trabalho.
Atualmente, o governo federal gasta energia e capital político em questões que significam um retrocesso, como a proibição do trabalho aos domingos e a ressuscitação do financiamento compulsório dos sindicatos com o suor do trabalhador, independentemente de sua vontade.
Proibir o trabalho aos domingos ignora a realidade de inúmeros setores, como o comércio e serviços, que dependem da flexibilidade de horários para atender à demanda e maximizar a produtividade. Essa medida pode resultar em perda de emprego e redução da competitividade das empresas brasileiras.
Da mesma forma, a volta do imposto sindical compulsório ou de contribuições compulsórias aos sindicatos fere de morte a liberdade dos trabalhadores, obrigando-os a sustentar entidades sindicais independentemente de sua vontade. Essa imposição, além de desrespeitar a autonomia individual, não contribui para a criação de um ambiente propício ao desenvolvimento profissional e ao empreendedorismo, que são essenciais para a inclusão dos jovens "nem-nem" no mercado de trabalho.
Além disso, a geração nem-nem, por conta da evolução das relações de trabalho, muitas vezes não tem interesse em ter uma vida profissional regulamentada pela CLT. Esses jovens buscam formas mais flexíveis e menos convencionais de trabalho, que lhes permitam maior autonomia e liberdade.
É crucial, portanto, que o governo invista em novas formas de regulamentação das relações de trabalho, proporcionando segurança jurídica e adaptando-se às demandas do mercado moderno. Essa adaptação é vital para integrar os nem-nem ao mercado de trabalho e oferecer-lhes perspectivas de desenvolvimento profissional e pessoal.
O mundo avança e, com ele, as relações de trabalho. É imperativo que o governo brasileiro acompanhe essas transformações e implemente políticas que fomentem a educação e o emprego, especialmente para os jovens. Investir em programas de qualificação profissional, incentivar o empreendedorismo e flexibilizar as relações de trabalho são passos essenciais para integrar os “nem-nem” ao mercado de trabalho.
Crianças e adolescentes estão em institutos de acolhimento de Linhares e Sooretama
Jovens parecem presos em um estado de eterna juventude sem perspectivas claras de futuro Crédito: Reprodução
Apenas com políticas modernas e eficazes, que valorizem a educação, a capacitação e o empreendedorismo, será possível transformar a realidade dos nem-nem e construir um futuro de maior segurança jurídica e profissional para todos.
É crucial que o governo se desprenda de dogmas ultrapassados e passe a investir em mecanismos que promovam a inclusão dos jovens no mercado de trabalho. Somente por meio de políticas modernas, que valorizem a educação, a capacitação e o empreendedorismo, será possível transformar a realidade dos nem-nem e construir um futuro de maior segurança jurídica e profissional para todos.

Alberto Nemer Neto

Advogado trabalhista, coordenador do curso de especializacao em Direito do Trabalho da FDV e torcedor fervoroso do Botafogo. Neste espaco, oferece uma visao critica e abrangente para desmistificar os conceitos trabalhistas e promover um entendimento mais profundo das dinamicas legais que regem as relacoes de trabalho

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