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Economia

O aprisionamento econômico pelo Bolsa Família

No Espírito Santo, a realidade não é diferente. Em 27 municípios capixabas, um pouco mais de um terço do total, há mais pessoas recebendo Bolsa Família do que trabalhadores formais

Publicado em 09 de Setembro de 2025 às 04:15

Públicado em 

09 set 2025 às 04:15
Alberto Nemer Neto

Colunista

Alberto Nemer Neto

alberto@anemer.com

No artigo passado, alertei que o Bolsa Família, embora tenha cumprido papel decisivo no combate à miséria, vem produzindo uma sombra inesperada: a dependência excessiva. Agora, os números recentes revelam que não estamos diante de um problema pontual, mas de um fenômeno nacional e regional que ameaça travar a evolução econômica do Brasil e do Espírito Santo.
Dez estados brasileiros — entre eles Maranhão, Pará, Piauí e Bahia — têm hoje mais beneficiários do Bolsa Família do que trabalhadores com carteira assinada. Só no Maranhão, são mais de 500 mil pessoas a mais vivendo do programa do que da CLT. E, acredite, essa não é uma exceção isolada. É um padrão que se repete em boa parte do Norte e Nordeste, criando uma equação perversa: menos trabalho formal, mais dependência estatal.
No Espírito Santo, a realidade não é diferente. Em 27 municípios capixabas, um pouco mais de um terço do total, há mais pessoas recebendo Bolsa Família do que trabalhadores formais. Em Ibitirama, por exemplo, são 1.818 beneficiários contra apenas 458 empregados com carteira assinada. Em Alto Rio Novo, 1.158 contra 361. Em Água Doce do Norte, 1.697 contra 665. Esses números não são estatísticas frias: eles retratam a fragilidade econômica de regiões inteiras, aprisionadas em um modelo de sobrevivência que as impede de avançar.
O contrassenso é gritante. Vivemos um dos períodos de menor taxa de desemprego da história recente, mas ainda assim assistimos à expansão da dependência. Em vez de celebrar o emprego, o empreendedorismo e a inovação, muitos municípios estão consolidando uma cultura em que a renda transferida substitui a renda gerada. O Bolsa Família, que deveria ser uma ponte para a autonomia, tem se tornado em muitos casos um porto definitivo de estagnação.
E o que isso significa na prática? Que cidades e estados inteiros deixam de criar valor. Deixam de incentivar seus cidadãos a empreender, trabalhar, inovar. Abrem mão de um futuro mais dinâmico para se contentar com a mesmice de uma economia subsidiada. Essa é a verdadeira involução: quando, em vez de evoluir para novos patamares de produtividade e competitividade, a sociedade retrocede para a dependência crônica.
Não se trata de negar a importância do Bolsa Família. Trata-se de denunciar o risco de transformar uma política de proteção social em um mecanismo de aprisionamento social e econômico. Se continuarmos aceitando esse modelo como normal, estaremos assinando embaixo de uma trajetória de estagnação.
Cartão do benefício Bolsa Família
Cartão do benefício Bolsa Família Crédito: Roberta Aline/MDS
O Brasil precisa, urgentemente, de políticas que incentivem a transição do benefício para o emprego e o empreendedorismo. O Bolsa Família tem que ser o primeiro degrau da escada, não o teto da vida de milhões de famílias. Caso contrário, continuaremos aplaudindo índices de desemprego baixos enquanto assistimos à verdadeira tragédia silenciosa: a perda da capacidade de gerar riqueza.
Até quando vamos aceitar a involução como destino?

Alberto Nemer Neto

Advogado trabalhista, coordenador do curso de especializacao em Direito do Trabalho da FDV e torcedor fervoroso do Botafogo. Neste espaco, oferece uma visao critica e abrangente para desmistificar os conceitos trabalhistas e promover um entendimento mais profundo das dinamicas legais que regem as relacoes de trabalho

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