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Cessar-fogo entre EUA e Irã se aproxima do fim em meio a incerteza sobre negociações

A televisão estatal iraniana disse que "até o momento, nenhuma delegação" deixou o país rumo à capital paquistanesa e classificou como "rumores" as informações sobre a viagem

Publicado em 21 de Abril de 2026 às 07:33

BBC News Brasil

Publicado em 

21 abr 2026 às 07:33
Imagem BBC Brasil
Teerã durante o cessar-fogo, em 20 de abril de 2026 Crédito: Getty Images
O cessar-fogo entre Estados Unidos e Irã deve expirar na quarta-feira (22/4), em meio a dúvidas sobre a retomada das negociações e aumento das tensões entre os dois países.
Autoridades americanas afirmam que uma nova rodada de conversas pode ocorrer em Islamabad, no Paquistão, ainda esta semana, possivelmente com a presença do vice-presidente americano J.D. Vance. Mas, até agora, Teerã não confirmou o envio de uma delegação.
A televisão estatal iraniana disse que "até o momento, nenhuma delegação" deixou o país rumo à capital paquistanesa e classificou como "rumores" as informações sobre a viagem.
A incerteza ocorre em um momento de escalada no tom das declarações. O presidente dos EUA, Donald Trump, afirmou que é "altamente improvável" que o cessar-fogo seja estendido.
Ao mesmo tempo, Trump tem insistido que Washington está em posição vantajosa nas negociações. Em publicações nas redes sociais, afirmou que está "vencendo a guerra, por muito" e que um eventual acordo com o Irã será "muito melhor" do que o pacto nuclear firmado em 2015.
O acordo, conhecido como o Plano de Ação Integral Conjunto (JCPOA, nas siglas em inglês), levou cerca de 18 meses de negociações entre o Irã e grandes potências internacionais, incluindo os cinco membros permanentes do Conselho de Segurança da ONU e a Alemanha.
Especialistas destacam que esse histórico mostra que um novo acordo dificilmente seria alcançado rapidamente.
Do lado iraniano, o presidente do Parlamento, Mohammad Bagher Ghalibaf, afirmou que o país prepara "novas cartas no campo de batalha" caso o conflito seja retomado. Ele também reiterou que Teerã não aceitará negociações "sob a sombra de ameaças".
A posição é reforçada por outras autoridades iranianas, que têm demonstrado ceticismo em relação aos EUA. O ministro das Relações Exteriores, Abbas Araghchi, disse que ações e declarações de Washington indicam "falta de seriedade para a diplomacia".
Ainda assim, o presidente iraniano, Masoud Pezeshkian, afirmou que a diplomacia "deve ser usada para reduzir tensões".
Analistas avaliam que as mensagens contraditórias refletem mais uma reação às posições consideradas inconsistentes de Trump do que uma divisão interna clara na política externa iraniana.
Apesar disso, há sinais de disputa dentro do próprio Irã. Setores mais conservadores pressionam negociadores a adotarem uma postura mais dura e, em alguns casos, a priorizar o confronto em vez do diálogo.
Nos bastidores, também há preocupação de que as negociações levem a exigências que o país não está disposto a aceitar.
Enquanto isso, no terreno, a tensão permanece elevada. Os Estados Unidos mantêm um bloqueio naval no estreito de Ormuz após apreender um navio de carga com bandeira iraniana.
O controle da região é considerado estratégico. O estreito é uma das principais rotas globais de transporte de petróleo, e sua interrupção pode afetar mercados internacionais.
A China, por sua vez, defendeu que o tráfego "normal" na região seja mantido. O presidente Xi Jinping fez a declaração em conversa com o príncipe herdeiro da Arábia Saudita.
Imagem BBC Brasil
Um funcionário paquistanês é visto durante a chegada do vice-presidente dos EUA, J.D. Vance, para conversas com autoridades iranianas em 11 de abril de 2026, em Islamabad, no Paquistão Crédito: Getty Images
A disputa pelo controle do estreito é vista como um dos principais pontos de pressão nas negociações. Autoridades iranianas defendem que sua soberania sobre a área seja reconhecida e consideram essa capacidade de interferir no fluxo de energia uma vantagem estratégica.
Do lado americano, a estratégia tem sido aumentar a pressão econômica e militar sobre o Irã, incluindo medidas que, segundo o governo dos EUA, estariam custando centenas de milhões de dólares por dia ao país.
Mesmo assim, analistas apontam que o Irã tem demonstrado disposição para absorver danos significativos em nome da manutenção do regime.
No cenário internacional, os mercados também reagem à incerteza. Os preços do petróleo caíram levemente, com investidores atentos a sinais sobre a possibilidade de negociações.
O valor do petróleo Brent, uma das principais referências globais, recuou 1,6%, enquanto o petróleo West Texas Intermediate caiu 1,5%.
O Paquistão, que se prepara para sediar as conversas, reforçou a segurança em Islamabad. Cartazes anunciando as negociações foram espalhados pela cidade, enquanto pontos de controle permanecem ativos.
O país ocupa uma posição delicada. Apesar de ser visto como um interlocutor confiável por diferentes atores, também mantém relações próximas com os Estados Unidos e com países do Golfo, alguns dos quais já foram alvo de ataques iranianos.
Há ainda o risco de que um eventual fracasso nas negociações acabe arrastando o Paquistão para o conflito, especialmente após a assinatura de um pacto de defesa mútua com a Arábia Saudita.
Mesmo com os preparativos em andamento, ainda não está claro se as negociações de fato ocorrerão.
Com o prazo do cessar-fogo se esgotando, sem confirmação de diálogo e com a retórica endurecendo de ambos os lados, o cenário permanece incerto — e o risco de retomada do conflito, elevado.

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