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A vista do alto de Buenos Aires deve ser deslumbrante

Lugar no alto de uma montanha que não conheço e aonde quero ir, faz tempo, fica em Guarapari

Publicado em 05 de Fevereiro de 2021 às 02:00

Públicado em 

05 fev 2021 às 02:00
Alvaro Abreu

Colunista

Alvaro Abreu

alvaro@bambuzau.com.br

Buenos Aires, em Guarapari
Buenos Aires, em Guarapari, de onde é possível ver as cidades e os vilarejos à beira-mar Crédito: Ricardo Medeiros
Estamos em preparativos para ir passear em Buenos Aires, lugar no alto de uma montanha que não conheço e aonde quero ir faz tempo. É possível que o leitor possa pensar que eu esteja delirando, já que todo mundo sabe que a capital da Argentina fica no plano, à beira do rio da Prata. O lugar a que me refiro fica nas montanhas que são vistas da Rodovia do Sol e saindo de Guarapari pela estrada que vai dar na BR 101.
Tenho nas ideias que a vista lá de cima deve ser deslumbrante. Algo que, por si só, justifica encarar uma estradinha de barro, com cascalho nos trechos mais íngremes. Com tempo bom, de preferência depois de uma chuvarada, é provável que se consiga enxergar todas as cidades e os vilarejos à beira-mar. 
Também estarão à vista, ao norte, os morros do Convento e do Moreno e os navios na barra e, ao sul, o Monte Agá. Ainda que minúsculas, também deve ser possível ver as Três Ilhas, entre Setiba e Ponta da Fruta, os Pacotes, no mar da Praia da Costa e, talvez até a Ilha dos Franceses, bem mais volumosa, diante de Itaipava e Itaoca. Foi nela que, ao descer do barco pra pescar, papai deu uma canelada tão violenta numa pedra que os amigos acharam por bem voltar pra trás.
É provável que os prédios altos de Guarapari bloqueiem a visão das Escalvadas, duas ilhas pequenas situadas a umas 6 milhas da costa. Mas, com certeza, será possível constatar que quanto mais longe de terra firmes as águas do mar vão ficando, mais escuras e que, lá no fundão, elas são azul marinho, quase roxas.
A decisão de subir o morro foi tomada também por gulodice: é que soube que lá tem um restaurante que serve galinha “pé duro” ao molho pardo, acompanhada de polenta. Comida bruta, de lamber os beiços, que me faz lembrar do meu querido amigo Iveraldo Lucena, de João Pessoa, que adorava galinha à cabidela, como se diz no nordeste brasileiro. De barriga cheia e sem a menor pressa, ele ficava chupando os ossos enquanto a conversa corria frouxa. Como se não bastasse, também fiquei sabendo que, além de outros atrativos, lá em cima funciona uma fábrica de cerveja artesanal de boa qualidade.
As dicas são de um compadre que participa de um grupo que sai andando a pé, de bicicleta e sobretudo de van, para conhecer e aproveitar o tanto de coisa boa e de lugar bonito que ainda não foi detonado. Vão e voltam no mesmo dia, todos de máscara. Já estiveram no Parque do Forno Grande, no Caminho de Caravaggio, nas cachoeiras de Patrimônio da Penha, já andaram de Iconha a Rio Novo do Sul, e muito mais.
Escrevi isso com os olhos no que está acontecendo na Câmara dos Deputados. A decisão de colocar a deputada Bia Kicis na CCJ, seja por pretensão ou prepotência, é algo que dá preguiça e faz qualquer marmanjo pacífico, como eu, achar que estão brincando com fogo.

Alvaro Abreu

É engenheiro de produção, cronista e colhereiro. Neste espaço, sempre às sextas-feiras, crônicas sobre a cidade e a vida em família têm destaque, assim como um olhar sobre os acontecimentos do país

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