Recebi mensagens de cinco pessoas amigas, perguntando se eu tinha parado de escrever as crônicas quinzenais. Tratei de explicar que não tinha conseguido concatenar as ideias e emoções necessárias para produzir as duas últimas que deveria ter enviado para o jornal.
A explicação é simples: mesmo que devidamente vacinado e tomado os devidos cuidados, acabei contraindo a danada da Covid, sem ao menos saber de quem. Eu e Maria Paula, minha cunhada, que veio passar uns dias conosco. A experiência dela foi bem diferente da minha, incluindo febre, tosse, coriza, dor de cabeça e no corpo durante uns cinco dias. Ficou de cama por uma semana e logo ficou boa.
Comigo a coisa começou com uma febrezinha de 37, durante dois dias, acompanhada de dores pelo corpo inteiro, que foram se instalando progressivamente. Depois disso, comecei a sentir a cabeça pesada, como se ela tivesse recebido uma boa quantidade de um líquido pastoso.
Para completar a danação, as forças dos braços e das pernas meio que desapareceram, fazendo de mim uma criatura frágil e titubeante diante das demandas por esforços e providências. Entender as conversas triviais passou a exigir esforço redobrado. Argumentar tornou-se inviável muitas e muitas vezes.
Fazer colher, atividade rotineira e recorrente, mostrou-se algo impraticável. Para o meu pessoal, eu fiquei com a aparência de um sujeito completamente sem energia e, o que é bem pior, quase um moribundo.
A cama passou à condição de recurso estratégico, e as imagens da TV funcionavam como indicativo de que o mundo continuava a funcionar. As palavras ditas por apresentadores muitas vezes se mostraram inúteis, pela dificuldade de compreender o sentido delas e, sobretudo, pelo desinteresse em saber o que elas significavam. A minha atenção com as coisas da política ajudou-me a me manter minimamente informado com a leitura, no ritmo possível, dos jornais no computador.
Apesar das limitações, comecei a me dar conta de que estava se armando algo muito significativo, para acontecer na Semana da Pátria. Aos poucos foi se instalando uma sensação de perigo iminente, dando a impressão de que alguma coisa poderia fazer um vulcão inerte entrar em ebulição. Pelo que se sabe, a corda que tanto havia sido esticada não aguentou e já não se fala mais em militares nem se pensam em golpes. Com isso, o dia 7 de setembro de 2021 entra para a história como sendo o término de um ciclo.
As pesquisas de opinião indicam que a bola do presidente continua murchando. Dá pra imaginar que as denúncias das atrocidades cometidas pela Prevent Senior envolvendo o kit-covid e as suas relações com o tal gabinete paralelo devem provocar novos e relevantes estragos políticos.