Escrevo esta carta aberta logo depois de ler
seu último texto, aqui mesmo em A Gazeta. Curiosamente, embora por caminhos bem diferentes, escolhemos tratar de temas parecidos ao longo do último ano: o distanciamento dos afetos, perdas impostas pela Covid-19, o valor dos pequenos gestos em períodos de isolamento, o imensurável atrás do número de mortos durante a pandemia, o que aprendemos com eles e, mais ainda, o que não aprendemos.
Escrevo de fora, como uma modesta observadora do horror em que estamos metidos. A senhora, ao contrário, enxerga e relata as coisas por dentro, colocada no olho do furacão pelas circunstâncias da vida, mas principalmente pela sua coragem.
Ao contrário de mim, que busco nos números e nas histórias uma forma de reflexão, inspiração e pequenas transformações, a senhora é a ação em pessoa. Uma voz firme e equilibrada em
um país que teve a alegria roubada pela explosiva combinação de um vírus de difícil controle com negacionismo e falta de responsabilidade. Uma representante da Ciência com C maiúsculo em uma nação que anda desacertada, desalinhada, desafinada.
Obrigada por compartilhar esta experiência conosco.
Até as fotos mais borradas pela emoção do momento nos alegram, não acha? Como um chocolate quentinho injetado direto no coração da gente, elas abrandam o isolamento e seu efeito devastador nas finanças, nos afetos, na saúde mental, na destruição de planos, sonhos e projetos de cada um de nós.
Tenho a impressão de que elas nos dizem: calma, vira um pouco a cabeça e você vai ver o fim do túnel, segura as pontas um pouco mais...
Felizmente, o tema de 16 das suas 28 colunas no último ano, conforme seus cálculos, tem igualmente aparecido com frequência nos meus textos, pensamentos e desejos. Falar de esperança nos ajuda a seguir, não acha? Espero profundamente que, de alguma forma, contribua também com os dias de quem nos lê.