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Pandemia

Carta aberta a Ethel Maciel: obrigada por compartilhar sua experiência

O tema de 16 das suas 28 colunas no último ano tem igualmente aparecido com frequência nos meus textos, pensamentos e desejos. Falar de esperança nos ajuda a seguir, não acha?

Publicado em 27 de Junho de 2021 às 02:00

Públicado em 

27 jun 2021 às 02:00
Ana Laura Nahas

Colunista

Ana Laura Nahas

ana.laura.nahas@gmail.com

Voluntários são imunizados no Viana Vacinada deste domingo (13)
Imagino que esteja exausta, mas também cheia de expectativas ao ver a imunização avançar, mesmo que a conta-gotas Crédito: Carlos Alberto Silva
Prezada Ethel Maciel,
Escrevo esta carta aberta logo depois de ler seu último texto, aqui mesmo em A Gazeta. Curiosamente, embora por caminhos bem diferentes, escolhemos tratar de temas parecidos ao longo do último ano: o distanciamento dos afetos, perdas impostas pela Covid-19, o valor dos pequenos gestos em períodos de isolamento, o imensurável atrás do número de mortos durante a pandemia, o que aprendemos com eles e, mais ainda, o que não aprendemos.
Escrevo de fora, como uma modesta observadora do horror em que estamos metidos. A senhora, ao contrário, enxerga e relata as coisas por dentro, colocada no olho do furacão pelas circunstâncias da vida, mas principalmente pela sua coragem.
Ao contrário de mim, que busco nos números e nas histórias uma forma de reflexão, inspiração e pequenas transformações, a senhora é a ação em pessoa. Uma voz firme e equilibrada em um país que teve a alegria roubada pela explosiva combinação de um vírus de difícil controle com negacionismo e falta de responsabilidade. Uma representante da Ciência com C maiúsculo em uma nação que anda desacertada, desalinhada, desafinada.
Obrigada por compartilhar esta experiência conosco.
Imagino que esteja exausta, mas também cheia de expectativas ao ver a imunização avançar, mesmo que a conta-gotas. Tive o privilégio de receber minha primeira dose nesta semana, pouco mais de um mês depois de escrever o quanto cada imagem de um conhecido vacinado, cada viva-o-SUS, cada viva-a-ciência suavizavam a imensidão de perdas que experimentamos ao longo do último ano.
Até as fotos mais borradas pela emoção do momento nos alegram, não acha? Como um chocolate quentinho injetado direto no coração da gente, elas abrandam o isolamento e seu efeito devastador nas finanças, nos afetos, na saúde mental, na destruição de planos, sonhos e projetos de cada um de nós.
Tenho a impressão de que elas nos dizem: calma, vira um pouco a cabeça e você vai ver o fim do túnel, segura as pontas um pouco mais...
Felizmente, o tema de 16 das suas 28 colunas no último ano, conforme seus cálculos, tem igualmente aparecido com frequência nos meus textos, pensamentos e desejos. Falar de esperança nos ajuda a seguir, não acha? Espero profundamente que, de alguma forma, contribua também com os dias de quem nos lê.
Porque pandemias não são apenas sobre doenças, mas sobre como lidamos com a escassez. Que pelo menos a esperança não falte já será de grande valia.

Ana Laura Nahas

É jornalista e escritora, com passagens pelos jornais A Gazeta e Folha de São Paulo e pelas revistas Bravo! e Vida Simples. Autora dos livros Todo Sentimento e Quase um Segundo, escreve aos domingos sobre assuntos ligados à diversidade, comunicação e cultura

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